quinta-feira, 31 de dezembro de 2009



Vamos começar um novo ano. O que passou deixou muitas sombras negras: desemprego, pobreza, fome, doenças e epidemias agravadas pelas condições de miséria e conflitos armados. E como se não bastasse, o aumento dos crimes contra pessoas e bens.
Segundo o relato dos meios de comunicação são muitas as mulheres e crianças vítimas de violência infligida por familiares.
O número de homicídios tem disparado. A violência afecta milhões de pessoas.
Amargura-nos a consciência de impotência que sentimos perante essas duras realidades. Mas o derrotismo e o pessimismo não constróem. Por isso mantenhamos a esperança de que havemos de caminhar para um mundo mais humano. Um mundo em que a guerra, o terrorismo e toda e qualquer forma de violência – física, psicológica, moral – irão perdendo terreno; em que o fosso entre ricos e pobres irá diminuindo; de que a fome, a doença e qualquer outro flagelo imposto pelo homem serão banidos; em que os mais desfavorecidos merecerão mais atenção; em que as crianças poderão ser plenamente crianças; em que virtudes como o amor, a tolerância, a fraternidade se irão impondo... E não pensemos que isto é irrealismo. A esperança cristã diz-nos que o mal não levará a melhor. Deus está connosco. Em muitos aspectos o mundo tem evoluído num sentido positivo. Basta lembrar-nos da maior sensibilidade pelos direitos humanos, a atenção maior de pessoas e instituições aos mais pequenos e indefesos.
Se quisermos, e com a ajuda de Deus que devemos pedir, este ano será melhor. Terá mais paz e amor. E isso é fundamental para que nos sintamos bem.
Que este ano seja um ano bom depende de mim e de ti, caro leitor. Sim, de cada um de nós.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

NATAL DE QUEM?




Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
- Está bem, eu sei!
- E as garrafas de vinho?
- Já vão a caminho!
- Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
- Não sei, não sei...

Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?


Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.

- Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!
Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?


Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!


Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
- Foi este o Natal de Jesus?!!!

João Coelho dos Santos
in Lágrima do Mar
1996

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A fé faz maravilhas destas


Fernanda Serrano é uma actriz muito apreciada pelos portugueses. Por um lado a sua beleza física, por outro a sua arte de interpretar os papéis que lhe têm dado.
Porém aqui e agora, deixo de lado tudo isso e apenas vou chamar a atenção dos meus leitores para o que ultimamente os meios de comunicação noticiaram sobre ela. Nos princípios de 2008 foi-lhe detectado um cancro da mama e teve que se sujeitar a tratamentos bastante difíceis.
Mas não perdeu a esperança. Os filhos Santiago, de quatro anos, e Laura, de dois precisavam dela e era preciso lutar pela vida. Não era baptizada mas muitos amigos e alguns familiares falaram-lhe da Fé em Cristo e em Nossa senhora. E não se limitaram a falar-lhe mas oraram pela sua cura.
A actriz, de 35 anos, apegou-se a Deus e começou a preparar-se para receber o baptismo, o que aconteceu há pouco tempo. E venceu a doença. Hoje reconhece que a fé foi decisiva ao longo do processo que passou e agradece a Deus a vitória sobre o tumor.
Outro caso quero também realçar:
Pouco depois de acabar os tratamentos soube que estava grávida. Apesar de todas as indicações em contrário, a actriz foi firme no seu desejo de levar a gravidez por diante, vencendo no final o cancro e tendo dado à luz, no passado dia 8 de Junho, Maria Luísa, que acabou por ser baptizada no mesmo dia que a mãe.
Não sei se a Fernanda Serrano deu a sua voz no referendo em favor do aborto livre até às dez semanas. Mas fica aqui o seu testemunho de que lutou para que a filha concebida pudesse vir à luz do dia. E tinha todas as razões para querer o contrário: a filha podia ter sido afectada pelos tratamentos e nascer com sequelas; afinal até nem era assim tão importante deixá-la nascer, pois já tinha dois filhos.
Agora até se diz que quer adoptar mais um filho! A Fé faz maravilhas destas!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O amor não tem fronteiras


Alguém me disse: “Gostei muito daquela reportagem da TVI”.
É verdade! Pessoas como aquela americana, e muitas outras de todas as nacionalidades, fazem-nos acreditar que o amor ainda não acabou. E não foi em vão que Cristo veio ao mundo.
Uma vez, Madre Teresa de Calcutá contou que um casal novo veio até à sua casa de Calcutá trazer-lhe uma grande oferta em dinheiro.
E, perante a admiração de quem os recebeu, um deles contou:
– Casámos há dias e combinámos entre nós os dois renunciar às vestes caras e à boda no dia do nosso casamento. Trazemos-lhes aqui o dinheiro que teríamos gasto.
– Porque fizeram isso? – perguntou-lhes uma das irmãs muito admirada.
– Nós amamo-nos tanto que achámos que devíamos repartir o nosso amor com os que precisam.
Li há dias uma poesia de autor desconhecido, que muito apreciei e deixo-a aqui para os meus leitores saborearem:

A inteligência sem amor, faz-te perverso.
A justiça sem amor, faz-te implacável.
A diplomacia sem amor, faz-te hipócrita.
O êxito sem amor, faz-te arrogante.
A riqueza sem amor, faz-te avarento.
A docilidade sem amor, faz-te servil.
A pobreza sem amor, faz-te orgulhoso.
A beleza sem amor, faz-te ridículo.
A autoridade sem amor, faz-te tirano.
O trabalho sem amor, faz-te escravo.
A simplicidade sem amor, deprecia-te.
A lei sem amor, escraviza-te.
A política sem amor, deixa-te egoísta.
A vida sem AMOR... não tem sentido!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Uma “Reportagem” chocante


Vi há dias a Grande Reportagem “Filhos do Coração” de Alexandra Borges na TVI sobre a escravatura de crianças no Gana. A primeira denúncia pública dessa escravatura só aconteceu em Outubro de 2006, no The New York Times. Sharon Lafraniere assinou um artigo na 1.ª página desse jornal, depois de passar alguns meses no lago Volta, onde relatava a violência a que as crianças pescadoras estavam sujeitas e apresentou ao mundo Mark Kwadwo, um menino de 6 anos que tinha sido vendido pelos pais, juntamente com dois irmãos mais velhos (Hagar, 10 anos, e Richard, 9 anos) por menos de 30 euros.
A história destas crianças chocou o mundo e indignou particularmente Pam Cope, uma ex-cabeleireira do Neosho, uma pequena cidade americana no Missouri, Texas, que há pouco havia perdido um filho de 15 anos por morte súbita.
Pam Cope não se limitou a ler a notícia. Em menos de uma semana conseguiu angariar 3.600 dólares para financiar o resgate de 7 crianças do lago Volta. “Eu não conhecia a Pam de lado nenhum e aquela mulher depositou o dinheiro na minha conta bancária e disse-me para eu resgatar Mark e os dois irmãos e, se possível, mais 4 crianças ainda antes do Natal!”, relembra George emocionado, que ainda hoje colabora no resgate de crianças. E nas férias do Natal Pam Cope tomou um avião e foi até ao Gana.
Em 2007, também Alexandra Borges fez uma reportagem sobre os meninos-escravos e depois de voltar promoveu a campanha «Filhos do Coração» apoiada pela TVI, que permitiu angariar 100 mil euros para resgatar e pagar a educação, saúde e segurança durante 10 anos a dez crianças.
Alexandra Borges quis ir ao Gana uma segunda vez levar o dinheiro e assistir ao resgate dessas crianças. E conta: Os miúdos “adquiriram brilho no olhar, brincam, são crianças, vão à escola... Mas fico sempre com a sensação de missão não cumprida, porque ainda há tanto para fazer... E isso dói. Levei dinheiro, sei que vamos conseguir manter mais crianças livres, mas ainda falta muito. Não há missões cumpridas, apenas algumas pequenas batalhas ganhas”.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Uma vida que renasceu

O serviço aos outros traça a vida de Pedro Santos que se dispôs a ajudar na “Comunidade Vida e Paz”, depois de ele próprio ter sido ajudado por esta instituição. Agora, Pedro Santos coloca a sua vida numa missão de amor onde encontrou uma família e se sente amado.
Levado pelas encruzilhadas da vida, foi toxicodependente e durante 20 anos os seus dias eram marcados pela obsessão do consumo. Pequenos delitos levaram-no a cumprir pena de prisão, altura em que se deparou com a essência fútil da sua vida. “Havia duas opções: continuar até ao final ou sofrer e libertar-me, consegui optar pela segunda!” Foi há sete anos que a escolha tudo ditou
Hoje, Pedro Santos empresta a sua vida na construção do Bem Comum. Na Comunidade Vida e Paz, como monitor de armazém, Pedro ajuda na recolha de bens e na distribuição a quem mais precisa. Foi nesta instituição que descobriu que a vida vale a pena. "Ajudaram-me a descobrir que a parte física e psicológica são importantes mas o equilíbrio e a estabilidade só se consegue num tripé em que está também a área espiritual que todos nós temos.” Agora acredita que Deus tem um plano de amor para todas as pessoas.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Portuguesa é mulher do ano


Pelo Natal de 2007, trouxe aos meus leitores a notícia de que uma hospedeira portuguesa estava a fazer no Bangladesh uma obra extraordinária de apoio a crianças desprotegidas.
Agora essa mesma rapariga, Maria do Céu da Conceição, de 32 anos, acaba de ser escolhida como Mulher do Ano dos Emiratos Árabes Unidos, onde vive.
Esta hospedeira, numa das suas viagens em serviço, deparou-se com a miséria no Bangladesh e não conseguiu ficar indiferente. Criou, então, uma ONG (Organização Não Governamental) para ajudar as famílias carenciadas de Dhaka , uma cidade do Bangladesh. O seu projecto – "DHAKA project" – cedo começou a dar frutos ensinando crianças, ajudando as famílias através de vacinação, cuidados de higiene e alimentação, e ministrando ofícios a homens e mulheres.
Esta portuguesa é uma mulher com uma força incrível, patente nas imagens que mostram o seu esforço diário para ajudar aquela população. Com o seu ordenado como hospedeira, e muitas outras ajudas que constantemente pede, consegue pagar a muitos funcionários. principalmente os mais jovens, por uma vida melhor.
Maria, como é conhecida, estava nomeada na categoria de Humanitária do Ano pela criação em 2005 do “Projecto Dhaka”, mas acabou por vencer também o galardão principal, tendo sido escolhida, entre 19 finalistas, Mulher do Ano nos Emirados Árabes Unidos.
Mais importante que os dois troféus que levou para casa, revela a jovem portuguesa, é a visibilidade que a distinção traz para as suas causas. "Esta distinção dá-nos visibilidade, ajuda a captar patrocínios e vai permitir dar novas asas aos projectos. Estavam mais de 400 pessoas na gala, da alta sociedade dos Emirartos àrabes e, no final, muitos vieram falar comigo para apoiar a minha acção humanitária. São pessoas com muito dinheiro, que, se quiserem, podem ajudar a fazer uma grande diferença".
Com o impulso conseguido com a distinção, Maria ambiciona agora abrir um orfanato no Brasil - que quer baptizar de Flora em homenagem a uma patrocinadora que faleceu recentemente - e criar outras iniciativas que possam "mudar o mundo das crianças”

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Escolas católicas


Os colégios católicos figuram entre as melhores escolas da tabela de 2009 elaborada pelo Diário de Notícias. Entre as dez escolas com melhores notas nos exames nacionais estão sete colégios católicos. Disciplina, exigência e desenvolvimento integral da criança são as fórmulas comuns a todos estes colégios.
No Colégio de S. José de Coimbra, o corpo docente é sujeito a acções de formação sistemáticas. Mas na origem do sucesso está também uma liderança forte, estável, que permite garantir a continuidade do projecto educativo, reconhece a irmã Maria da Glória Cordeiro, directora desta casa da Congregação de S. José de Cluny.
A matriz religiosa influencia a formação integral que se quer para cada criança, reconhece abertamente. Há orações no início das aulas, celebrações, facultativas ou obrigatórias, aulas de religião, catequese e preparação para a confissão ou a primeira comunhão. O acompanhamento próximo dos estudantes e a coordenação com os pais é outra explicação para os bons resultados.
Para garantir o aproveitamento escolar, os professores destes colégios católicos têm horas para dúvidas e dão apoio personalizado. Muitos alunos complementam o estudo com explicações. No secundário assume-se uma preparação séria para os exames nacionais e o trabalho, já intensivo, é reforçado. Em Coimbra, há dias inteiros só de revisões e os resultados estão à vista. Em 975 alunos, houve três retenções.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Vicentinos em Festa


A Sociedade São Vicente de Paulo, conhecida como Obra dos Vicentinos, está em festa, pois celebra este ano os 150 anos da sua chegada a Portugal. Este é um movimento católico e internacional, fundado em Paris em 1833 por Frederico Ozanam. Esta sociedade inspirou-se no pensamento de S. Vicente de Paula (nascido a 1581 em Paris e falecido em1660).
Inspirado pelo seu amor a Deus e aos pobres, Vicente de Paulo foi o criador de muitas obras de caridade. A sua própria vida foi uma história de doação aos irmãos pobres e de amor a Deus.
Trazida para Portugal há 150 anos, A Sociedade de S. Vicente de Paula tem confortado e ajudado materialmente muita gente. Nenhuma obra de caridade é estranha aos Vicentinos. Sua acção compreende qualquer forma de ajuda, por contacto pessoal, no sentido de aliviar o sofrimento e promover a dignidade e a integridade do homem, levando a sua ajuda a quantos dela precisarem, independentemente de raça, nacionalidade, credo político ou religioso e posição social.
O seu trabalho é a própria mensagem do evangelho em acção: “Eu estava com fome, eu estava com sede, eu era estrangeiro, eu estava doente, eu estava na prisão... e cuidaste de mim”. Mt 25,35s.
Os vicentinos organizam-se em grupos, tradicionalmente chamados conferências, que se reúnem com frequência e estão unidos por meio de conselhos, de escalão local, regional, nacional e mundial. Visitam os seus assistidos nas suas casas e também nos hospitais, asilos, prisões ou onde estiverem, como se fossem um membro da família. A todos levam o pão e uma palavra amiga.
Conheço esta Obra desde há muitos anos, tendo mesmo sido vicentino, e sei por experiência própria o bem que faz.
Estão de parabéns todos os que com ela colaboram.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Ateísmo ressabiado


José Saramago escandalizou meio mundo com a sua crítica à Bíblia. Dizer que ela é um “manual de maus costumes” é de facto atrevimento que parece revelar mais alguma coisa do que ignorância.
Vamos, por isso, deixar hoje aqui o testemunho de um outro escritor de uma geração mais nova e que é considerado pela crítica especializada uma das grandes promessas da literatura do século XXI. Trata-se de Nathan Englander, nascido em 1970, em Long Island, nos Estados Unidos e que faz do questionamento sobre a identidade religiosa um de seus temas dilectos, o que lhe garante comparações com escritores como Philip Roth e Isaac Bashevis Singer.
Valemo-nos para isso da entrevista que lhe fez António Monda, no seu livro “Acreditas? Conversas sobre Deus e a religião”, do qual reproduzimos o seguinte:

«Ainda lês os textos sagrados?
Estás a brincar? Claro que leio. E considero-os a obra mais bela que já foi escrita: quem quer que tenha escrito a Bíblia é Deus.
Também conheces o Novo Testamento?
Não tanto como o Antigo, mas fico sempre emocionado com o incipit do Evangelho de São João: “No princípio havia o Verbo; o Ver-bo estava em Deus e o Verbo era Deus”.
Dizes isso como escritor ou como homem de fé?
Por vezes, interrogo-me sobre se haverá alguma diferença. Mas se te referes àquilo que permaneceu dentro de mim do rapaz educado nas Escrituras, digo-te que, quando fecho a Bíblia, beijo-a e tenho cuidado com a posição em que a coloco na minha estante.
O que é que te fascina particularmente na Bíblia?
A sua complexidade, e a capacidade de falar na linguagem da eternidade».
Agora o meu leitor é que é o juiz. Como se pode explicar tanto ódio de José Saramago a uma obra considerada por quase toda a gente como um tesouro da humanidade? Não será ressentimento recalcado por o seu comunismo ateu não ter conseguido vingar na sociedade e ter deixado atrás de si um rasto de perseguição e morte de muitos milhões de pessoas?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Diálogo ecuménico


O diálogo oficial entre a Igreja Católica e as comunidades protestantes históricas – anglicana, luterana, reformada e metodista – vai entrar numa nova fase, assim o afirmou o presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Walter Kasper, ao apresentar um livro que reúne os resultados desse diálogo durante os últimos 40m anos.
Este livro, preparado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos em colaboração com as comunidades protestantes, faz o balanço da situação do diálogo. "Com este livro, nós nos encontramos no fim de uma primeira etapa, repleta de frutos e, ao mesmo tempo, estamos entrando numa nova fase, que desejamos que seja tão frutífera como a anterior, e que nela possam ser resolvidos os difíceis problemas que estão pendentes", declarou.
E acrescentou: "Nós mesmos estamos gratamente surpresos por tudo o que foi alcançado nestes anos. Muitas das polémicas e mal-entendidos do século XVI foram reexaminados e, em parte, superados", disse.
O diálogo foi feito separadamente com as igrejas anglicana, luterana, reformada e metodista e, como já se esperava, as diferenças de interpretação bíblica e doutrinal são menores entre a Igreja Católica e Anglicana.
Talvez por via disso, há muitos anglicanos a pedir a integração na Comunhão Católica e o Papa para facilitar as coisas aprovou uma estrutura canónica que prevê a criação de ordinariatos pessoais, ou seja, que as comunidades anglicanas que entrem na Igreja Católica dependerão de um bispo particular e não do diocesano, como ocorre com alguns movimentos da Igreja.
A norma prevê também a ordenação de clérigos casados anglicanos como sacerdotes católicos, agora com menos burocracias.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Uma mulher de armas


O Papa Bento XVI acaba de premiar a fundadora do canal católico EWTN, a Madre Angélica, com a Cruz de Honra. Esta medalha, conhecida oficialmente como "Pro Ecclesia et Pontifice" é a mais alta honra que o Santo Padre pode outorgar a leigos e religiosos.
Mas quem é esta mulher?
Podemos dizer que a sua infância atribulada tinha tudo para fazer dela uma marginal ou uma mulher traumatizada, pois o pai abandonou-a e foi criada na pobreza por uma mãe que padecia de depressão. Registada com o nome de Rita Antoinette Francis Rizzo, a futura Madre Angélica nasceu em Canton, Ohio, Estados Unidos, em 1923, e desde muito nova sofreu fortes dores abdominais que os médicos atribuíram a um problema dos nervos. O que é certo é que a oração acabou com essas dores.
Ao dar-se conta do poder da oração, Rita entregou a sua vida a Deus e entrou num mosteiro, com a esperança de passar toda a sua existência distante do mundo. Mas de repente, a fé de Rita levou-a a realizar obras incríveis, desde estabelecer um mosteiro no Alabama, até dar início à primeira cadeia católica de televisão por cabo.
Confiando unicamente na “Providência Divina”, a Madre Angélica construiu um império sem se preocupar com orçamentos nem campanhas de arrecadação de fundos, e conseguiu o que nem sequer os mais altos prelados da Igreja Católica tinham conseguido fazer.
A Madre Angélica tem actualmente 86 anos e pertence às Clarissas de Adoração Perpétua. Chegou a Alabama em 1961 e fundou o Mosteiro de Nossa Senhora dos Anjos. Em 1981 começou o canal católico Eternal Word Television Network (EWTN) na garagem do mosteiro que em 1999 teve que sr deslocado, dado o crescimento do canal de televisão.
Este canal EWTN tem já 28 anos, é visto em mais de 150 milhões de lares de 140 países. Com as suas transmissões via satélite, os seus serviços de rádio, o Web Site e o ramo de publicações, a EWTN é a maior rede de meios de comunicação católicos de todo o mundo.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Cáritas apoia desempregados


A Cáritas assinou um protocolo com a Ticket Restaurante para fazer face ao "preocupante aumento do desemprego" e "agudização da situação social do país". Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a organização católica para a acção social destaca "o esforço dispendido por cada Cáritas Diocesana para prestarem o apoio socioeconómico às famílias em situação de precariedade devido à actual crise económica e financeira, pois são escassos os recursos económicos para fazer face às solicitações".
A Cáritas Portuguesa manifestou ainda a sua preocupação pelos impactos que a Gripe A possa ter naqueles que "vierem a ser contagiados e não disponham de redes familiares ou de proximidade que os apoiem, como são os sem-abrigo, os passantes e as pessoas idosas que vivem sós".

No sentido de minorar os efeitos mais perigosos desta pandemia nestas faixas da população, foi deixado um apelo às comunidades paroquiais para que "prestem particular atenção a estas pessoas, procurem assegurar, em colaboração com outras instituições, os cuidados básicos de alimentação e de higiene, bem como o acesso à medicação necessária".

A organização católica apela às entidades competentes para que "alarguem o acesso gratuito à vacinação das pessoas, socialmente mais vulneráveis e aos profissionais e voluntários que lhes prestam serviços".

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ajudemos quem ajuda


O Padre Manuel Pereira Cristóvão é um sacerdote de Coimbra que se tem dedicado aos mais pobres. Desde muito novo lhe conheci esta vocação. Natural da Freguesia de Pelmá, concelho de Alvaiázere, entrou no nosso Seminário de Coimbra em Outubro de 1956. Ordenado padre em 11-08-1974, fez parte da Equipa Pastoral de S. Martinho do Bispo, depois de se ter licenciado em Sociologia, em França.
Mas o seu sonho foi sempre dedicar-se ao serviço dos mais pobres. E por isso ofereceu-se para trabalhar na Obra do Gaiato, onde esteve bastantes anos.
Actualmente encontra-se em S. Tomé e Príncipe, na Paróquia de Santana, onde a pobreza não tem fim. E é dessa realidade nua e crua que nos dá conta em carta que nos enviou. Entre outras coisas, agradece a ajuda que a Diocese lhe fez chegar com parte do Contributo Quaresmal de 2008.
Mas, refere, “só a manutenção do Lar Betânia, o ano passado, custou dez mil euros... Se pudéssemos ter um grupo de 30 a 40 paróquias com condições de assumir o compromisso de, anualmente, partilharem connosco uns 300€, seria uma dor de cabeça a menos.”
E continua:
“Faz parte desta paróquia a Roça Água Izé, tão falada no livro Equador. Agora não tem nada de mítico, mas é um monte de ruínas, onde precisamos de muita imaginação para contemplar o seu antigo esplendor. No meio destas "ruínas" vivem mais de 1800 pessoas. A população infantil esmaga-nos. Existe um remendo de Jardim de Infância com duas salas onde se amontoam mais de 100 crianças... Uma escola primária e um 1.º ciclo, com salas sobrelotadas (cada sala chega a ter 50 crianças), frequentadas por 560 crianças. Existe também uma comunidade cristã que tem uma pequena capela, por vezes metade dos praticantes fica fora... Na catequese temos inscritas 210 crianças e jovens... Não temos uma única sala de catequese ou de reunião, só a capela. No fim da missa, bancos às costas e catequese ao ar livre debaixo de algumas árvores... mas aparece a chuva... e mais de metade do ano é tempo de chuva, sobretudo os meses de Outubro a Dezembro e Fevereiro a Maio...”
E o Padre Cristóvão fala-nos de um projecto que contempla um pequeno salão e três salas. E pede ajuda para concretizar este sonho.
“Caso possa aceitar este desafio, aqui está a forma de fazer chegar a sua contribuição: PT 50 0010 0000 1394 2610 0017 7 (BPI). Esta é uma conta dos Espiritanos para as dioceses de Angola e S. Tomé, por isso é necessário dizer que se destina à Paróquia de Santana – S. Tomé. Se possível, agradecia que me avisassem através do email mpcristovao35@gmail.com.”

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Leproso por amor aos leprosos


O mundo está cheio de maus exemplos mas ao mesmo tempo contém estrelas brilhantes de amor ao próximo. É o caso do bem-aventurado Damião, que a 11 de Outubro vai ser canonizado. Este homem nasceu na Bélgica e chegou a Honolulu, como missionário dos Sagrados Corações em 1865, onde foi ordenado sacerdote.
A lepra afectou seriamente os nativos das ilhas do Hawai, que desconheciam a doença antes da chegada dos comerciantes. Perante o medo de que se espalhasse a epidemia, o rei Kamehameha IV mandou que todos os leprosos teriam de ser levados para uma colónia estabelecida no norte, na ilha de Molokai.
Vendo que os doentes estavam sem assistência religiosa e, por isso, sem conforto espiritual, o Pe. Damião solicitou ao seu bispo que o deixasse ir para a ilha, para atender os enfermos, que morriam em grande número. Aceite o seu pedido, construiu aí uma igreja e passou a assistir aos enfermos. Com sua actividade pastoral, conseguiu regenerar a convivência social na "colónia da morte", e levar alguma esperança aos leprosos.
Com o passar do tempo, o Pe. Damião contraiu também a lepra e morreu. Foram 16 anos de ajuda àqueles doentes. Em 2005, foi proclamado o maior belga de todos os tempos" pela televisão aberta (VRT). O Papa João Paulo II havia-o o beatificado em 1994. .E agora será canonizado no próximo dia 11 de outubro, na Praça de São Pedro, pelo Papa Bento XVI.
Mais de 300 livros foram escritos inspirados em sua vida. Também vários filmes foram feitos para dar a conhecer as obras deste santo; entre eles, o mais recente é "Molokai", dirigido por Paul Cox.
Para evitar o contágio com as pessoas sadias, o sacerdote não podia sair da ilha. Experimentou, assim, a dor física e também a solidão e o abandono que seus leprosos sentiam. Ele se privava inclusive de muitos meios essenciais para a sua vocação, como a presença de um sacerdote que o confessasse ou a ajuda e o consolo dos irmãos de sua comunidade.
Não obstante, os últimos dias de sua vida foram mais toleráveis espiritualmente. Ele contou com a ajuda de 6 missionárias franciscanas, que viajaram de Honolulu, assim como com o sacramento da confissão, administrado pelo Pe. Wendelino, um irmão sacerdote que foi socorrê-lo nos últimos dias.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Guias de catequese em PDF

Na sequência do que fiz já no ano passado, ponho aqui os endereços dos Guias do 1.º, 2.º e 3.º Anos da catequese paroquial católica:


Guia do 1.º Ano;

Guia do 2.º Ano;

Guia do 3.º Ano.


Que todos possam tirar bom proveito deles.


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Vicent Ferrer

Confesso que já tinha ouvido ou lido alguma coisa sobre Vicente Ferrer. Mas desconhecia por completo a sua obra de solidariedade para com os mais pobres da Índia. Até a sua morte – no passado dia 12 de Junho – me passou completamente ao lado. Decerto porque a “grande” comunicação social não lhe deu qualquer relevo. Se agora falo da sua grande obra humanitária, deve-se a um desafio de um meu leitor, Jammarques.
Vicent Ferrer nasceu em Barcelona (Espanha) no dia 9 de Abril de 1920. Aos 16 anos foi chamado a combater na guerra civil espanhola, nas fileiras do exército republicano. Finda a guerra, ainda se matriculou em Direito, mas cedo escolheu ingressar na Companhia de Jesus para levar avante o seu ideal de se dar aos mais pobres.
Em 13 de Fevereiro de 1952, chegou à maior cidade da Índia – Bombaim – como missionário jesuíta. Cedo decidiu pôr em prática a sua vocação de ajuda aos necessitados. Procurou ganhar a confiança dos mais pobres e tratou de os ajudar. Facilitava-lhes um pequeno empréstimo e depois ajudava-os a unirem-se em pequenas cooperativas para abrirem poços e fazerem canalizações para regarem os seus campos. Para além de se ajudarem no melhoramento de suas casas.
Conseguiram mesmo construir um hospital, escolas e duas residências para os alunos.
Depressa a inveja se fez sentir entre os que detinham o poder e a riqueza e recebeu ordem de expulsão. Gerou-se entretanto um grande movimento de apoio e a sua expulsão foi convertida numas férias no seu país, que para ele pareceram uma eternidade.
Regressado à Índia, continuou o seu trabalho, agora em Anantapur, onde não faltava gente a precisar de ajuda.
Em Março de 1970 deixou a Companhia de Jesus e nesse mesmo ano casou com Anne Perry, uma jornalista inglesa que se pôs a seu lado desde o conflito de Manmad.
De quem nunca se afastou foi dos seus pobres, por quem há muito tinha decidido dar-se inteiramente.

E agora a sua obra continua com a ajuda de muitos amigos, entre os quais a sua esposa e o seu filho.

Deixo aqui um vídeo que vale a pena ver:





quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sorrisos de Bombaim

O nosso mundo está cheio de gente egoísta e má mas também tem muita gente formidável. É exemplo disto este Testemunho.
Jaume Sanllorente Trepat nasceu em Barcelona e fez em Julho passado 33 anos. Estudou jornalismo. Trabalhou em meios de comunicação catalães como a COM Rádio e a BTV. Especializou-se depois na área de jornalismo económico, tendo desempenhado durante vários anos o cargo de delegado na Catalunha da revista Comercio Exterior e trabalhado em numerosas outras publicações desse sector. Desde 2004 que Jaume Sanllorente dirige a ONG Sorrisos de Bombaim (www.sonrisasdebombay.org), que ele mesmo fundou e que, neste momento, dá educação e possibilidades de futuro a mais de 2700 crianças «intocáveis» das ruas de Bombaim. Jaume Sanllorente vive actualmente nesta cidade da Índia, onde prossegue, dia a dia, uma constante luta pacífica contra a pobreza.
Há seis anos foi passar férias a Bombaim e deparou-se com um realidade que desconhecia: muitas crianças a pedir, a maior parte delas com faltas de membros ou de dedos. Só mais tarde soube que as máfias fazem isso às crianças para que provoquem pena e recebam mais esmolas na hora de mendigar junto a hotéis e restaurantes de luxo. Por vezes são os próprios pais que as amputam para que não sejam roubados pelas máfias, pensando que já têm patrão. Há várias pessoas a alugar crianças destas para receberem avultadas esmolas.
Isto revoltou o mencionado jornalista, que resolveu no ano seguinte dedicar-se a proteger as crianças pobres de Bombaim, para que não caiam nas mãos das máfias.
Depois de conhecer um pequeno orfanato que se preparava para fechar as suas portas, colocando quarenta crianças na rua e nos prostíbulos da cidade de Bombaim, Jaume Sanllorente toma a decisão que mudará o resto da sua vida. E, em consequência disso, mudará as vidas de muitas outras pessoas. O seu trabalho é agora apoiar o maior número de crianças pobres daquela cidade. E está a conseguir com a ajuda de muitas pessoas que o apoiam. Uma lição de amor, entrega, sacrifício e esperança que nos convida a acreditar que todos podemos contribuir para um mundo melhor.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Galardoada a Obra do Gaiato

No passado dia 20 de Julho de 2009 o anfiteatro ao ar livre da Fundação Gulbenkian foi pequeno para receber gente ilustre da sociedade portuguesa representando os mais variados quadrantes da política, da economia e das artes. Tratava-se da cerimónia de entrega do Prémio Internacional Calouste Gulbenkian e dos Prémios Gulbenkian – Arte, Beneficência, Ciência e Educação. A Cerimónia foi presidida pelo Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian. Várias Instituições foram galardoadas. Entre elas a Obra da Rua ou Obra do Padre Américo.
O Júri, previamente constituído, debruçou-se sobre a longa história e experiência do projecto educativo do Padre Américo posto em prática nas Casas do Gaiato, não tendo dificuldade em eleger a Obra da Rua como merecedora do Prémio Educação. Trata-se de um Projecto Educativo consolidado, com resultados cientificamente comprovados em abundantes estudos de alto nível académico, na recuperação de crianças desprovidas de meio familiar normal e de jovens em risco.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Católicos coreanos


Os números do anuário da Igreja Católica coreana, publicados pela Conferência Episcopal daquele país, revelam que, até ao dia 31 de Dezembro de 2008, os católicos ultrapassaram os cinco milhões, ou seja 9,9 por cento da população. Em 2008 realizaram-se 130 mil novos baptismos.

A maioria dos novos católicos masculinos estão na faixa dos vinte anos (18.9por cento), seguida pela faixa dos 40 anos. No caso das mulheres, a maioria das que receberam o baptismo estão na faixa dos 40 e 50 anos.

Há cerca de três anos, a percentagem de católicos não chegava a oito por cento. O aumento é fruto do empenhamento dos fiéis, que se comprometem na missão de trazer mais pessoas à Igreja. Os fiéis coreanos são extremamente generosos e muitos deles estão envolvidos incansavelmente nas várias actividades da paróquia, incluindo a missão paroquial.

Esta é mais uma prova de que a Ásia está aberta ao cristianismo, desde que haja liberdade política e religiosa.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Apreciemos a liberdade

Estive há dias com uma família católica chinesa a viver em Portugal. A filha mais velha já tem 13 anos e frequenta as escolas portuguesas desde miúda. Daí que não tive dificuldades em entender tudo o que os pais me quiseram dizer. Com uma intérprete assim o diálogo foi fácil.
Disseram que gostam de viver em Portugal e que os filhos estão plenamente integrados. Já eram católicos na China, mas sentiam-se marginalizados. Aqui é tudo muito diferente. As pessoas nem sabem o bem que têm em poder livremente expressar a sua fé.
E deram-me a conhecer o sonho que têm: o de voltarem à China e poderem ser livres como todos os chineses o são em Portugal.
Fiquei edificado com a fé daquela gente. Crêem que também na China a Igreja católica tem um futuro florescente. São cerca de 100 mil chineses que todos os anos se convertem a Cristo e se tornam católicos. Apesar de isto ser proibido. E milhões terem sofrido na pele esta proibição.
Como escreveu Tertuliano acerca das perseguições dos cristãos dos primeiros séculos: "O sangue dos mártires é semente de novos cristãos".

sábado, 1 de agosto de 2009

Fé em alta no Brasil

O número de jovens que entram nos seminários brasileiros todos os anos denota que a fé católica está em crescendo.
No ano passado, o Brasil ordenou 220 sacerdotes, contra a média de 55 da década anterior. Em todo o Brasil, os seminários estão cheios e até já têm fila de espera de novos candidatos ao sacerdócio, por não haver espaço físico para todos os aspirantes à vida religiosa. O do Rio de Janeiro é um deles: lá vivem 115 jovens e por ano chegam 30 candidatos. “Não temos mais seminaristas porque não temos condições de abrigá-los. Os que não conseguem vaga voltam no ano seguinte”, afirma o padre Leandro Cury, assessor de imprensa da Arquidiocese do Rio.
Padre Reginaldo Lima, da comissão episcopal para Ministérios Ordenados e Vida Consagrada da CNBB, confirma a tendência. “Desde 2000 tem havido uma retoma das vocações consagradas. O novo milénio trouxe uma nova vitalidade e muitos se têm voltado mais para Deus”, explica.

segunda-feira, 27 de julho de 2009


Os números do anuário da Igreja católica coreana, publicado pela Conferência Episcopal, revelam que, até ao dia 31 de Dezembro de 2008, os católicos ultrapassaram os cinco milhões, ou seja 9,9 por cento da população.
Em 2008 realizaram-se 130 mil novos baptismos. Por dioceses, em Seul celebraram-se 32.124 baptismos, em Suwon 18.411 e em Incheon 10.275. Curiosamente, as capelanias militares registaram 28.213 baptismos, na maioria de jovens soldados. Quanto aos grupos etários, a maioria dos novos católicos masculinos estão na faixa dos vinte anos (18.9por cento), seguida pela faixa dos 40 anos. No caso das mulheres, a maioria das que receberam o baptismo estão na faixa dos 40 e 50 anos.
Em 2007, as paróquias eram 1.543, tendo registado um aumento de 32, em 2008. Em 1908 havia somente 50 paróquias em toda a Coreia; em 1976 eram já 500 e em 1997 eram 1.017. Há cerca de três anos, a percentagem de católicos não chegava a oito por cento. O aumento é fruto do empenhamento dos fiéis, que se comprometem na missão de trazer mais pessoas à Igreja. Os fiéis coreanos são extremamente generosos e muitos deles estão envolvidos incansavelmente nas várias actividades da paróquia, incluindo a missão paroquial.

sábado, 25 de julho de 2009

Homenagem aos avós

Este Domingo, dia 26 de Julho, celebra-se o Dia dos Avós. Todos os anos assim acontece no dia em que a Igreja comemora Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo. O Dia dos Avós tem como objectivo destacar e promover o papel dos avós no seio da família – muitas vezes suporte afectivo e financeiro de pais e filhos.

Celebrar, condignamente, este dia, é uma das formas de prestar homenagem e render o preito de consideração a essas pessoas que são pais duas vezes, como diz o povo e muito bem.

Com que carinhos, com que devoção, com que amor paternal eles acompanham os seus netinhos. Que desvelos e com que cuidados os avós rodeiam os seus descendentes mais novos.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Eu não tenho pai. Fugiu!...


Foi já há tempos. Um miúdo mostrou-me um brinquedo com que se entretinha.
– Quem te deu um carro tão bonito? – perguntei.
– Foi o meu avô.
– Então e o teu pai? – perguntei sem saber o que se tinha passado com o progenitor.
Foi aí que o miúdo abriu os braços num gesto expressivo, deixando cair o carrito, e me disse:
– Eu não tenho pai. Fugiu!...
A avó, que estava ao pé do miúdo, explicou-me então que o pai daquela criança tinha abandonado a família, sem dizer água vai. Agora as crianças passavam o dia com os avós, enquanto a mãe fazia umas limpezas em casas de uns senhores, para ver se amparava a família.
O gesto da criança e o seu ar de tristeza não saiu mais da minha retina. Quantos e quantos filhos se vêem privados do convívio de seus pais, devido a esta chaga das separações!
Como explicar tal fenómeno? Sobretudo se pensarmos que a grande maioria dos jovens acha muito importante a família! Quando se pergunta aos jovens, entre os 10 e os 29 anos, como numa sondagem recente feita na Europa, qual a base mais importante da sociedade, 99,4 por cento dizem que é a família. Então porque razão, quando a constituem, não são capazes de lhe dar todo o seu apoio? Será que o mal está sempre nos outros? Onde pára o amor que dizem ter? Porventura as novas gerações não são capazes de aguentar compromissos?!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Católicos nos Estados unidos


Os católicos norte-americanos são mais de 68 milhões de pessoas e representam 22% do total da população. Os índices foram obtidos com base em informações das várias dioceses. Desses dados, emerge que a comunidade católica norte-americana aumentou cerca de um milhão de fiéis.
Actualmente, as paróquias nos EUA são mais de 18 mil, 91 das quais criadas recentemente. Os sacerdotes diocesanos e os religiosos perfazem um total de 41.489, as religiosas são 60.715; cerca de 17 mil, os diáconos permanentes, e 4.905, os religiosos.
Outro dado importante é o número de baptizados que também aumentou: foram baptizados 42.629 de adultos e 900 mil crianças, só no ano passado.
O estudo revela ainda, que há 189 seminários com cinco mil seminaristas. 800 mil estudantes frequentam 234 institutos, da escola elementar ao ensino médio.
Os hospitais católicos são 562 e atendem mais de 85 milhões de pacientes, e três mil centros de serviço social prestam assistência a 27 milhões de pessoas.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A vocação e o matrimónio


Todos somos chamados a amar a Deus e ao próximo. Esse é o chamamento fundamental que Deus faz a todos. O que distingue uma vocação matrimonial de uma consagrada é o modo de realizar esse chamamento fundamental ao amor. Entre os que dão o seu sim ao amor ao próximo, contam-se os que vivem a sua vida para a criação de uma família: marido ou esposa e filhos. Os que se casam dedicam as melhores das suas energias a isso mesmo. Os consagrados dedicam todas as suas energias ao cuidado dos outros tal como o fez Jesus. Para isso, empregam a vida a concretizar esse amor de Deus sobretudo entre os que mais necessitam dele.
É preciso dizê-lo com clareza. O matrimónio tam­bém é um chamamento de Deus. Deus chama a todos. Alguns para o sacerdócio ou para a vida religiosa e mis­sionária, a maioria para o matrimónio. Por isso, nenhum de nós pode dizer que não tem vocação. Na verdade, o casamento é a opção de vida que a maior parte das pes­soas tomam. Porém, hoje mais do que nunca, é neces­sário reflectir bem sobre este chamamento de Deus. Só porque é o mais comum não significa que tenha menos importância. E a confirmar esta necessidade de reflexão está o actual número elevado de divórcios e também o medo que muitos jovens sentem em casar, preferindo juntar-se, como hoje se diz.
Nem sempre a aprendizagem sobre o que é o casamento acontece como deveria. Muitas crianças, adolescentes e jovens não recebem o melhor exemplo dos pais. Novelas, livros e filmes dão ideias erradas sobre o relaciona­mento entre homem e mulher. As paróquias organizam cursos pré-matrimoniais (CPM), mas são muito pouco para contrariar a mentalidade da sociedade, que faz que muitas famílias não vivam de acordo com o que Jesus nos ensinou acerca da vida familiar: «Deus os fez homem e mulher. Deixarão pai e mãe e serão uma só carne» (Evangelho de São Marcos, 10, 6-8).
Constituir família assusta muita gente. Dá trabalho, preocupações, aborrecimentos... È mais fácil viver juntos, sem compromissos, pois quando surgirem problemas, é mais fácil fugir. Mas será isso bom para a sociedade? Claro que não! E daí que esse não é o caminho para um cristão.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Cuidado com a bruxaria

Como foi noticiado, está a contas com a justiça mais um bruxo português.
'Mestre Dami', como gosta de ser conhecido, é acusado de várias burlas, e bem grandes. A denúncia partiu de Sandra, residente em Valongo, e que conheceu Diamantino, "mestre Dami", através de um amigo, depois de lhe aparecer um sapo morto à porta de casa. Após várias peripécias, Sandra foi levada ao cemitério de Agramonte, no Porto, onde o "mestre" desenterrou uma caixa onde estava uma folha com uma praga e respectivo contra-feitiço. Para a desfazer, Sandra teria de colocar 210 mil euros – que só obteve através de vários empréstimos bancários – dentro de uma caixa. Esta, depois de selada, seria colocada debaixo da cama de cada uma das vítimas da praga durante sete noites, no total de 21 noites.
E o “bruxo” garantia que assim "desfazia" os feitiços contra as vítimas ou familiares.
Quando se reuniu com Diamantino para fechar a caixa, o "mestre" ordenou que fechasse os olhos e rezasse. Terá sido então que trocou a caixa por outra igual. Após a primeira noite, incentivada pelo namorado, Sandra abriu o cofre e no interior, em vez do dinheiro descobriu um coelho morto já em decomposição. O "bruxo" terá alegado que tinham sido os "maus espíritos" a "comer" o dinheiro por Sandra ter quebrado o contra-feitiço.
Diamantino detido com o irmão, suspeito de estar envolvido nas burlas, está detido no Estabelecimento Prisional do Porto, em Custóias. É suspeito de ter burlado várias outras pessoas, num total de 318 mil euros. As autoridades suspeitam ainda da falsificação de vários documentos.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Portugal tem 4000 padres



A Igreja Católica tem em Portugal cerca de quatro mil sacerdotes distribuídos pelas 21 dioceses, de acordo com os últimos dados oficiais disponíveis, que se referem a 2006.
Segundo a última edição do Anuário Católico de Portugal, de Abril deste ano, mas com dados referentes a 31 de Dezembro de 2006, a Igreja Católica portuguesa tem 49 bispos, dos quais 21 são diocesanos (incluindo o Ordinário Castrense), 19 são eméritos (já ultrapassaram os 75 anos de idade), oito auxiliares e um coadjutor.
Em 2006 havia 2 894 sacerdotes diocesanos (pertencentes a dioceses) e 1 052 religiosos (ligados a ordens religiosas), uma quebra de 8,4 por cento face ao ano 2000, mas mesmo assim apenas 20 das 4.366 paróquias católicas existentes em Portugal estavam sem padre, entregues a diáconos, religiosas ou leigos.


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Aumenta o aborto


Segundo a Agência Lusa, o número de abortos aumentou em Portu­gal desde o início do ano, sendo as dificuldades financeiras uma das explicações avançadas para justificar o fenómeno.
Joaquim Galvão, da Plataforma Cívica "Mais Vida, Mais Famí­lia", admite que a falta de condições económicas e o desem­prego são desfavoráveis à maternidade, mas sublinha que «a falta de valores» e a «irresponsabilidade» também contribuem para aumentar o número de abortos.
«Há tantas formas de contracepção e acesso ao planeamento familiar que não se justifica. O aborto como forma de contra­cepção revolta-me muito», criticou Joaquim Galvão, apontan­do o dedo ao «facilitismo» da legislação que entrou em vigor em meados de 2007.
Se é verdade que a crise económica pode levar as mulheres a recorrer mais ao aborto, há que estar atento a este problema pois é dever de qualquer governo apoiar as famílias carenciadas. Até por que Portugal tem um grande défice de gente nova. Pela primeira vez em 90 anos, o número de mortes registadas em Portugal foi superior aos nascimentos, segundo os indicadores demográficos relativos a 2007 divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). No referido ano morreram em Portugal 103.512 pessoas, enquanto o número de nascimentos não foi além dos 102.492. Os dados de 2008 ainda não foram divulgados mas não serão muito diferentes.

Aquando do referendo, que só um quarto dos portugueses votou positivamente, todos afirmaram que eram contra o aborto: o que queriam era combater o aborto clandestino. Há, pois, que ser coerente. Se para combater o alcoolismo ou o tabagismo, se fazem campanhas e se aumentam os preços, no aborto não pode ser diferente. O aborto deve deixar de ser, como agora, totalmente grátis e com direito a subsídio e licença de maternidade. E há que mostrar às mulheres que há outros caminhos a seguir, em vez da situação actual em que os médicos que oferecem alternativas são obrigados a assinar um papel que os proíbe de ajudar grávidas em dificuldades.

sábado, 20 de junho de 2009

Apelo à solidariedade

Os Bispos portugueses estiveram reunidos, de 15 a 18 de Junho de 2009, em Fátima, para participar nas Jornadas Pastorais do Episcopado, este ano sobre o tema "Pastoral sócio-caritativa: Novos problemas, novos caminhos de acção".
No princípio das Jornadas, foi apresentado um estudo da Universidade Católica que assinala que as instituições sociais da Igreja Portuguesa dão resposta a mais de meio milhão de situações de carência e empregam mais de 23 mil pessoas, um número que poderá ser maior, uma vez que o voluntariado, não quantificado, é uma dimensão com alargada presença na acção social da Igreja.
Numa das conclusões das Jornadas, a Conferência Episcopal Portuguesa pede aos católicos que se mobilizem contra a crise e promovam alternativas de combate à pobreza sem estarem dependentes do Estado.
D. Carlos Azevedo ao fazer uma síntese das conclusões das Jornadas, em conferência de imprensa, disse:
"Todos têm de ser responsáveis, não é só o governo que pode resolver este problema da crise, têm de ser todos os cidadãos, para que possa haver uma atitude de verdadeira mudança".
O referido presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social defendeu que a mudança deve passar também por dentro das comunidades cristãs. E assinalou que os cristãos que estão presentes na política, na cultura, na economia não podem ser iguais aos outros e pediu instituições católicas que não sejam "tão dependentes do Estado" e criem "mais autonomia".
Em tempos de crise, aumentam as solicitações à Igreja, que nem sempre tem meios para lhes responder. O Bispo Auxiliar de Lisboa considera que a solução passa também por pressionar quem tem obrigação de ajudar e "puxar por quem deve resolver os problemas e está instalado no seu lugar".
A igreja, considerou, deve "ajudar as pessoas a bater às portas certas", "encaminhá-las para quem deve resolver os problemas".

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O drama da prostituição


Quem passa pelas estradas mais frequentadas dá-se conta das muitas raparigas que aliciam os automobilistas para a prostituição. E muitas destas raparigas parecem ser menores.
A Unicef (Organização das Nações Unidas para a Infância) veio exigir há dias que a prostituição infantil seja castigada e perseguida internacionalmente, ao apresentar em Berlim o último relatório intitulado "Detenha a exploração sexual".
A organização, responsável por proteger os direitos da infância, dá um passo importante na luta contra a pornografia e a prostituição infantil, assim como contra o tráfico de menores.
Segundo estimativas da ONU, no ano passado um total de 150 milhões de meninas e 73 milhões de meninos foram abusados sexualmente no mundo todo.
Também se realizou há dias no Vaticano um encontro internacional de gran­de alcance social, que os jornais e televisões quase ignoraram. Ninguém duvida que o tráfico de mulheres pa­ra a prostituição é um ultraje à digni­dade humana. A Santa Sé, ao orga­nizar este encontro internacional, assume a defesa da mulher e da sua imagem.
A Organização Internacional das Migrações tem sucessivamente aler­tado que cerca de meio milhão de mulheres, oriundas da Europa de Leste, são escravizadas e obrigadas a prostituírem-se nos países da Europa Ocidental. NaTailândia, cerca de 200 mil estão nesta situação, sendo 35 mil menores de 18 anos. São centenas de milhares as mulhe­res brasileiras, e de outros países da América Latina, que são trazidas para a Europa com promessas de empre­go e acabam nas redes da prostitui­ção organizada. É dramático o nú­mero de mulheres que em todo o mundo são arrastadas para estas no­vas formas de escravidão: o tráfico de mulheres e a indústria do turismo sexual. Como afirma o Carde­al Stephen Fumio Hamao, Presiden­te do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, "tudo isso constitui um ultraje à dig­nidade da mulher e provoca graves violações dos mais elementares di­reitos humanos".
A Igreja sempre esteve contra a prostituição e tudo o que a fomenta. Por isso chama a atenção de quem de direito para combater as causas que lhe dão origem.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Quem acode aos problemas da SIDA?


A União Europeia (UE) convidou o governo da Zâmbia a colaborar com a Igreja Católica para o desenvolvimento do país, informa a agência Fides.
A UE lançou um apelo ao governo para colaborar com a Igreja na divulgação de informações sobre a saúde sexual e reprodutiva, sector no qual – segundo um chefe da delegação que visita o país africano – tem uma função muito importante a desempenhar.
Após ver os projectos sobre saúde reprodutiva sustentados pela Igreja, pediu também que esta intervenha na educação da população em saúde reprodutiva e sexual.
Este apelo foi lançado num momento em que a Igreja na África é responsável pela distribuição da maior parte dos medicamentos e dos tratamentos anti-retrovirais.
Em alguns países, a Igreja oferece até metade de todos os serviços para o tratamento da SIDA.
A delegação da União Europeia viajou para a Zâmbia para conhecer alguns projectos da Igreja sobre a saúde reprodutiva, especialmente na província do sul.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Assinem, por favor!

Levantamento nas caixas ATM vai custar 1,50€


Os bancos preparam-se para nos cobrarem 1,50 Eur por cada levantamento nas caixas ATM.
Isto é, de cada vez que levantar o seu dinheiro com o seu cartão, o
banco vai almoçar à sua conta. Este 'imposto' (é mesmo uma
imposição, e unilateral) aumenta exponencialmente os lucros dos bancos, que
continuam a subir na razão directa da perda de poder de compra dos Portugueses.
Este é um assunto que interessa a todos os que não são banqueiros e não têm pais ricos.

Quem não estiver de acordo e quiser protestar, assine a petição e

reencaminhe a mensagem para o maior número de pessoas conhecidas.


PETIÇÃO

DIVULGUEM ESTE ENDEREÇO, P.F.
UMA PETIÇÃO PARA MUDAR A LEI.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Jovens revelam vontade de ter mais filhos


A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas divulgou o estudo 'Número de Filhos' elaborado com a coordenação científica do Professor Doutor Eduardo Brito Henriques, do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa.
O objectivo é identificar qual o número de filhos que as mulheres portuguesas gostariam de ter e quais os obstáculos sentidos para que tal não aconteça. Algumas das conclusões deste estudo referem que:

O número desejado de filhos é francamente superior a 2.1 em todas as faixas etárias;

Mais de 50% das jovens entre os 18 e os 24 anos gostaria de ter 3 ou mais filhos;
Um quarto das mulheres até aos 30 anos gostaria de ter 4 ou mais filhos;

Em termos de conjugalidade, as pessoas que estão em união de facto parecem desejar ter menos filhos do que as casadas;

As maiores diferenças entre o nº desejado de filhos e os que pensam vir a ter estão nas mulheres entre os 25 anos e 34 anos;

Muito vincada a percepção de que os filhos são caros e que as pessoas não têm condições para suportar alimentação, vestuário e despesas escolares;

A seguir às questões financeiras, a possibilidade de ter um trabalho que permita continuar a acompanhar os filhos é a questão mais significativa, seguida das questões ligadas á Habitação;As questões relacionadas com mais licenças de trabalho são percepcionadas pelas mulheres como de última ordem;

Nas várias áreas os apoios financeiros pela via das deduções em imposto são os preferidos Dedução das despesas essenciais dos filhos e dedução nos impostos à habitação;

Em termos de apoios escolares foi em média considerado mais importante o pagamento aos pais para colocação dos filhos na escola/creche à sua escolha.

Em termos gerais, é significativo que todas as medidas tenham colhido bons resultados, parecendo mostrar a diversidade de necessidades e de opções da população. Esta diversidade é transversal a todas as idades, escolhas partidárias e escalão de rendimento.

Visto em Olhar público

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Voluntariado a crescer

A adesão ao voluntariado está a aumentar em Portugal por ser cada vez mais “uma forma de estar na vida”. Quem o diz é Isabel Jonet, presidente da EntreAjuda, instituição que criou a Bolsa do Voluntariado e viu o número de inscritos crescer 47% em 2008.
Lançado em Dezembro de 2006, este portal juntou 5521 voluntários em menos de um ano. E, em Dezembro do ano passado, contava já com 8121 adesões. Quanto a instituições a precisar de ajuda, estavam inscritas 567.
“Portugal é um país onde existem muitas pessoas que querem ser solidárias e voluntárias e que muitas vezes não sabem onde nem como. Por outro lado, muitas instituições precisam de trabalho voluntário, mas não o sabem enquadrar”, explica Isabel Jonet. A maioria dos inscritos são mulheres de Lisboa e Porto, que procuram actividades na área da solidariedade social. São normalmente estudantes ou professores. Segundo a coordenadora da Bolsa do Voluntariado, Sofia Cunha Pereira, as instituições inscritas já têm pelo menos um voluntário requisitado através do site.

sábado, 23 de maio de 2009

Comunicações Sociais


A propósito do Dia das Comunicações Sociais, lembro-me de um facto verdadeiro, contado por um colega, o Cónego Adriano.
Há uns anos um homem do Porto da Vila, freguesia de Penela, encontrou um pequeno papel afixado num poste que dizia simplesmente: "Cristo morreu por ti". Ao fundo um convite para participação num culto e a direcção da Igreja protestante que o promovia.

O homem não participou do culto, que iria ter lugar em Coimbra, mas resolveu pedir mais informações para a direcção que ali vinha.

Resultado: Alguém veio falar com ele e com um pequeno grupo de vizinhos e daí a algum tempo punham mãos à construção de um pequeno lugar de culto no lugar de Viavai, ali bem próximo e com mais população.

Lição deste caso: Temos de usar todos os meios ao nosso alcance para levar o Evangelho de Jesus Cristo aos homens de hoje.


Foi neste sentido que o Vaticano lançou há dias o portal www.pope2you.net ("Papa para ti", em tradução livre). É mais uma iniciativa da Santa Sé que usa a internet como ferramenta para aproximar Bento XVI do público jovem.
Em Janeiro, o papa lançou um canal próprio no YouTube. O novo portal promove a fé católica e oferece aplicativos que permite que usuários do Facebook e de iPhone se integrem no portal.
"Estas aplicações abrem a Igreja ao mundo das redes sociais, uma espécie de continente, onde os jovens podem ajudar a levar a fé católica", disse Padrini na apresentação do portal no Vaticano. Através das informações que circularem no Facebook, onde há muitos grupos católicos, queremos estimular a reflexão e a amizade e difundir a fé católica, conforme o Papa pediu aos jovens na praça de São Pedro", acrescentou.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Lembrando o P.e Francisco

Faleceu há dias o Padre Francisco Antunes.
Este Homem, enquanto a saúde lho permitiu, correu meio mundo para ajudar os que precisavam. E ainda há pouco lhe apareciam pessoas a bater-lhe à porta!... Sobretudo ciganos. Pelo trabalho em favor de muitos deles, era conhecido pelo padre dos ciganos.
Em boa hora, a Gráfica de Coimbra recolheu alguns artigos que ele publicou, há anos, no jornal "O Dever" da Figueira da Foz. Todos eles têm uma marca profunda do seu coração de Bom Samaritano. E ficaram assim guardados em livro para serem alavancas a despertar-nos a todos para a acção. Não garanto que esse livrinho a que pôs o nome de ALAVANCAS ainda esteja á venda.
Mas para homenagem ao seu autor, deixo aqui um naco da sua prosa:
«Ouvi-o muitas vezes. Nunca como naquele dia! Comigo eram centenas de milhar. Talvez tu mesmo. O tema era o Samaritano da parábola, a sua paixão, os pobres.
– Passou o sacerdote. Passou o levita. Passaram todos. Só o Samaritano parou. E todos os que passaram se julgavam dinamizados pelo Amor. Só o Samaritano mereceu canonização: "Faz tu como ele!"
E o padre Américo disse, disse e disse. Da miséria em que topava a cada passo. De como se podia dizer dele ser o senhor dos Aflitos. De como era urgente cada um afligir-se pelo seu irmão caído.
– "Meus irmãos, eu não sei nada! Só sei do Pobre. E este crucificado.". E o seu apelo: "Aflige-te! Ama!", galgou as serras d' Aire. Abriu brecha em crentes. E em não crentes. E anos passados eram centenas as famílias a viver em casa decente. Horta e flores à porta. Sol, luz e ar puro. A descobrir que tinham grandeza humana e vocação a alturas.
O Padre Américo foi-se. O seu apelo continua a defender-me da tentação da inércia.»
Anda. Vem Comigo. Quem quer que sejas. Seremos alavancas. Dos feridos pela desgraça, dos conformados com a miséria, dos afeitos à injustiça, dos vencidos na esperança. Hei-de inquietar-te. Pegar-te fogo. Martelar-te: "Aflige-te! Ama!"
Regressado à Figueira, todos os dias me bate à porta a dor e a miséria em todas as escalas e tons.
É a Ivone. É o Rui. É o João. A «Legião», o «Casal Novo», o Jaime, a Conceição ... Os meus velhinhos. Os doentes. Os presos. Os ciganos ... Todos aqueles que há dois anos requisitei ao meu Bispo.
Mas a carga é demasiada. Cristo aceitou o cireneu. Eu preciso de alavancas. Sê alavanca.»

sábado, 9 de maio de 2009

E a doença foi uma bênção

Não é fácil descrever o que aconteceu naquela família, quando a D. Zulmira foi hospitalizada. O diagnóstico era reservado e o marido foi logo prevenido de que, a ficar boa, a esposa tinha para mais de meio ano de tratamento.
O filho mais velho tinha entrado há pouco para a universidade e a mais nova estava no 6º ano. Havia ainda um outro filho de uns 15 anos, que também estudava.
Toda a família a ia visitar ao hospital. E a doente é que tinha de dar ânimo aos filhos, ao marido e até a outros familiares.Em casa, nos primeiros tempos, era uma anarquia. Quem é que havia de fazer o comer? Depois era preciso lavar, varrer, limpar. A mãe estava no hospital. A avó aparecia por lá, mas estava tão nervosa como os netos e o genro.
– Façam só o indispensável. Para a semana tenho fé que já vou para casa.
A Zulmira sabia que a sua doença não é das que passam em poucos dias, mas tinha fé que a Senhora de Fátima sabia o que era a falta duma mãe numa casa. Para além disso era preciso incutir fé e coragem na sua família.
– Rezem o terço todos os dias para que Deus me ponha boa. E não deixem de ir à Missa.
O filho mais velho tomou aquelas palavras para ele. As mais das vezes ficava na cama, em vez de se levantar para cumprir o preceito dominical.
Foram mais de três meses no hospital e depois tratamentos de quimioterapia.Mas pouco a pouco tudo ia sendo feito naquela casa. Até a mais nova já cozinhava, lavava e varria, quando chegava a sua vez. E todos os dias havia tempo para rezar naquela casa. O universitário de novo se acostumou a levantar cedo ao Domingo para ir à Missa.
A coragem e fé da mãe superou o mal ruim. E a família tinha amadurecido em todos os sentidos. Passados mais de 3 anos, tive ocasião de ouvir daquela senhora que a doença tinha unido os membros da família não só entre si mas também com Deus.
Daí que me tenha dito que no seu caso a doença havia sido uma bênção de Deus.

sábado, 2 de maio de 2009

À minha mãe

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Antigos seminaristas

No âmbito do programa do 1º Congresso de Antigos Alunos dos Seminários de Portugal, foram apresentados os resultados de um inquérito levado a cabo pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP) da Universidade Católica. Este trabalho deu a conhecer quem são, por onde andam, porque entraram no seminário e o que pensam os antigos seminaristas de Portugal sobre alguns temas da actualidade.
O documento de conclusões do I Congresso de antigos alunos de Seminários aponta que mais de 67 mil pessoas foram formadas nesta instituição. Uma aprendizagem que constituiu “um contributo significativo à formação cívica e cristã de muitos jovens” que deve ser posta ao serviço do “desafio premente da nova evangelização”.
O estudo da UCP apresentado no congresso mostra que os antigos alunos dos seminários são professores, gestores, empresários, advogados, juízes, magistrados, procuradores e também bancários, havendo alguns protagonistas na sociedade civil portuguesa. Um contributo cívico prestado por diversas personalidades que deveria ser igualmente posto ao serviço da Igreja.
Compete à Igreja aproveitar melhor as competências destes leigos, e estes não devem estar à espera de um convite pessoal. Se são pessoas de fé, e são-no quase todos, sabem que compete ao cristão pôr os seus dons ao serviço da comunidade em que estão inseridos.
Outra das conclusões deste estudo é que mais de 50 por cento dos inquiridos vai à missa pelo menos uma vez por semana. Metade dos leigos diz que se não tivesse frequentado o seminário, não teriam tantas habilitações académicas e valores para a vida, revela o responsável, citado pela Lusa.
Muita desta gente está ligada afectivamente a antigos companheiros do seminário e por isso vai aparecendo em encontros promovidos por associações de antigos seminaristas. O reconhecimento à Igreja que lhes proporcionou uma vida melhor está também presente em quase todos. As críticas que aqui e ali se ouvem são muitas vezes sintoma da ligação afectiva que muitos mantêm com esta instituição que lhes abriu um futuro melhor.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Aniversário de Casamento!



Há 5 anos atrás, nesse dia começava um momento novo em minha vida, em todos os sentidos. Me sentia “gente grande”, por estar assumindo um compromisso tão adulto, mas ao mesmo tempo, estava nos braços do Pai, por saber que Ele estava cuidando de tudo, e me sentia a mais feliz das criaturas, por estar assumindo um compromisso por toda a vida, com alguém que eu amo tanto, em frente a 450 testemunhas!
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Foram 5 anos e meio de namoro, e 5 de casados, hoje somos mesmo parte um do outro, como Deus disse “sereis uma só carne”.
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Estava ouvindo uma música da Eliana Ribeiro, que diz “agora somos um do outro, nosso amor foi crescendo aos poucos, provado na dor, como ouro provado no fogo, pra poder se tornar com o tempo, um belo tesouro tão raro no mundo. Sacramento selado por Deus – você e eu!”
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Realmente são muitas provas, mas estas só aumentaram nosso amor, nossa certeza de que estamos no caminho certo, de que nos escolhemos e fomos escolhidos por Deus para ser uma família feliz, por toda a nossa vida.
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Vivemos na contra mão do mundo. O mundo me diz pra pensar em mim – o matrimônio me faz pensar no outro. O mundo me diz para ser auto-suficiente – o matrimônio me diz que sou uma só carne. O mundo me diz para me vingar – o matrimônio me faz perdoar. O mundo me fala de tentativa – o matrimônio me fala de toda vida. O mundo me fala de egoísmo – o matrimônio me fala de amor!
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E nessa contra-corrente, vemos nas dificuldades, as escadas para subirmos juntos ao céu, buscando a oração e a santidade, o perdão, o amor!
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Somos um casal feliz, que luta junto pelo crescimento profissional, financeiro e principalmente espiritual um do outro. É o que escolhemos para nossa vida, e lembrando de outra música da Eliana, canto “quero renovar o meu sim, que Tua vontade se faça em mim. Renova, Senhor minha vocação!
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Quando esperava um namorado, pedia a Deus que me desse alguém que me ajudasse a “arrombar as portas do céu”. Ouvi essa expressão num encontro e ela se tornou parte de minhas orações. Hoje, louvo a Deus pois Ele foi fiel. Meu marido me leva a cada dia pra mais perto de Deus, com sua fé, com seu amor, com sua disponibilidade a Servir a Deus! Assim, seguimos nessa caminhada, rumo ao céu. Nas dificuldades, nas dores, nos acertos, nas alegrias, nos sonhos realizados e naqueles que ainda lutamos para realizar.
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Hoje, quero renovar o meu “Sim”, com todo o meu amor, com a música que cantamos em nosso casamento: "Para onde tu fores, irei... onde tu repousares, repousarei. O Teu Deus será o meu Deus, teu caminho meu será. Neste dia de alegria, eu te dou meu coração... e repouso os meus sonhos em tuas mãos!”

Visto em Vida na fé


quarta-feira, 22 de abril de 2009

Uma freira dançarina

Uma italiana especializada em dança erótica, que animava as noites de Milão antes de se tornar freira, foi convidada para dançar, no passado dia 7 de Abril, na basílica romana de Santa Cruz de Jerusalém, num acto presidido pelo presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, o arcebispo Gianfranco Ravasi.

O jornal La Repubblica publica uma entrevista com essa freira, Anna Nobili, ex-dançarina que reconhece que "estava levando uma vida com álcool e sexo, sem amor verdadeiro" até que aos 25 anos visitou a cidade natal de São Francisco, Assis, onde sentiu o chamamento de Deus.

"Tinha 25 anos e dançava desde os 18. Depois em Assis, diante da Igreja de Santa Clara, surpreendida pelo céu, pelas cores, pela paz, comecei a dançar entre o assombro das pessoas", explicou.

"Quando retornava de trem a Milão sentiu que Deus estava dentro de mim. Tinha renascido, estava transfigurada", disse a Irmã Anna, vestida com seu hábito das Freiras Operárias da Santa Casa de Jerusalém, após ter feito votos perpétuos em setembro do ano passado na catedral de Palestrina, nos arredores de Roma.

A Irmã Anna reconhece que é uma afortunada já que, longe de recriminar sua antiga actividade, o bispo de Palestrina, Domenico Sigalini, a encarregou de ensinar dança sacra contemporânea no centro pastoral juvenil da diocese.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Belo e emocionante

Há dias tive uma conversa com uma senhora que trabalha em Oncologia e que me referiu a dificuldade de lidar com os dramas de tanta gente.
Por sorte alguém me enviou por mail o relato que um médico faz da sua relação com uma criança vítima de cancro.

Ele começa por referir que ao princípio não ligava demasiado ao sofrimento dos seus doentes, mesmo crianças. Mas com o nascimento da sua primeira filha, tudo começou a ser diferente. E se fosse a sua filha?!

Um dia foi ali internada uma menina de 11 anos. E o médico conta:
«Tratamentos os mais diversos, hospitais, exames, manipulações, injecções e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimioterapia e radioterapia. Mas nunca vi meu anjo fraquejar. Já a vi chorar sim, muitas vezes, mas não via fraqueza em seu choro. Via medo em seus olhinhos algumas vezes, e isto é humano! Mas via confiança e determinação. Ela entregava o bracinho à enfermeira e com uma lágrima nos olhos dizia:

– Faça, tia, é preciso para eu ficar boa.

Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. E comecei a ouvir uma resposta que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.

Meu anjo respondeu:

– Às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondida nos corredores.

Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. Mas eunão tenho medo de morrer!
Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem seus heróis morrerem e ressuscitarem nas séries e filmes, indaguei:

– E o que representa a morte para ti, minha querida?

– Olhe, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama dos nossos pais e no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa própria cama, não é?

Lembrei que minhas filhas, na época com 6 e 2 anos, costumavam dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exactamente assim.

– É isso mesmo, e então?

– Vou explicar o que acontece, continuou ela. – Quando nós dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa cama, não é?

– É isso mesmo querida, você é muito esperta!

– Olhe, eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o meu Pai do Céu vem me buscar. Vou acordar no Céu, na casa d’Ele!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Mistério do amor de Deus

Acabo de celebrar a Paixão e Morte de Jesus. No final da celebração alguém veio-me me dizer:
«Comovi-me muito com esta celebração. Mas como é que Deus Pai deixou assim matar o Seu Filho sem fazer nada?!»
Já ouvi isto este ano algumas vezes, embora aplicado às pessoas vítimas da maldade dos homens.
«É o mistério da liberdade dada ao homem» - disse-lhe.
«Que seria o homem sem liberdade? E é também o mistério do amor de Deus que nos quer salvar a todo o custo! É que Jesus diz que Ele e o Pai são um só» - acrescentei.
E esta conversa fez-me pensar mais uma vez: Deus morreu por cada um de nós. Como Lhe devemos estar gratos!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Jesus, a maior descoberta


Quando o Dr. Fleming foi galardoado em 1945, com o Prémio Nobel da Medicina pela sua descoberta da penicilina, os jornalistas pediram-lhe entrevistas. Entretanto, um dos mais importantes jornais diários londrinos pediu que lhe concedesse uma entrevista exclusiva. O pedido foi aceite com uma condição: que as suas respostas fossem publicadas na íntegra.
Na hora combinada lá estava o jornalista. E a primeira perguntou No dia e hora combinadas o jornalista, curioso pela condição imposta, entra no gabinete do dr. Flemming para dar início à entrevista. Como normalmente acontece, os entrevistados procuram dar o maior relevo aos seus feitos, para que o seu nome seja bem conhecido, facto que o jornalista esperava encontrar no seu entrevistado.
Como se tratava da maior descoberta no campo da Medicina até ali conhecida, a primeira pergunta tinha que infalivelmente ser baseada na mesma: dr. Hemming, qual foi a maior descoberta que fez na sua vida? A resposta foi rápida e peremptória A maior descoberta que até hoje fiz na minha vida foi ter encontrado Jesus Cristo como meu Salvador.
O jornalista não queria acreditar no que ouvia. A resposta que esperava era a Penicilina. Repete a pergunta e a resposta foi precisamente a que lhe tinha sido dada antes.
A entrevista continuou e foi longa. O dr. Flemming em todas as perguntas que lhe eram feitas, punha Deus em primeiro lugar, considerando-se um pequeno instrumento nas suas mãos, porque tudo aquilo que acabara de descobrir para benefício da humanidade, a Ele inteiramente o devia.
A entrevista ansiosamente aguardada abalou profundamente toda a nação e o seu testemunho de cristão, rapidamente se espalhou por todo o mundo.
São homens como este que nos estão a faltar, que na sua humildade, não se envergonham de colocar em tudo Deus em primeiro lugar.

segunda-feira, 30 de março de 2009

«O Papa pode ter razão», diz articulista do "Washington Post"


Cito apenas o Expresso online:

«Preservativos em África: Artigo no "Washington Post" diz que Papa pode ter razãoA distribuição de preservativos não está a judar a combater a Sida em África e pode, inclusive, estar a ter o efeito contrário. Quem o defende é Edward C. Green, um cronista do "Washington Post", citando estudos científicos.»
Veja no Expresso

A propósito dos preservativos…

Deixo aqui o texto do Bispo de Viseu sobre o assunto em epígrafe, por achar que ele contém a posição da Igreja Católica sobre o assunto:

«Causou algum escândalo a afirmação do Papa, várias vezes repetida como tese da Igreja, de que o preservativo não é a solução para o combate ao vírus da Sida. Que queriam que ele dissesse? Afirmando que sim, banalizava o valor, o sentido e a vivência da sexualidade, enquanto dimensão do ser humano, centro, símbolo e expressão das relações profundas da pessoa, a viver no amor, na fidelidade (confiança recíproca), na estabilidade e na responsabilidade.
O Papa, quando fala da Sida ou de outros aspectos da vida humana, não pode fazer doutrina para situações individuais e casos concretos. Neste caso, para relações entre uma pessoa infectada e outra que pode ser afectada com a doença. Nestes casos, quando a pessoa infectada não prescinde das relações e induz o(a) parceiro(a) (conhecedor ou não da doença) à relação, há obrigação moral de se prevenir e de não provocar a doença na outra pessoa. Aqui, o preservativo não somente é aconselhável como poderá ser eticamente obrigatório.
E não tenhamos medo ou reserva mental ou hipocrisia de admitir esta doutrina! Não usamos tantos “auxiliares” artificiais para promover a vida e defender a saúde? As intervenções cirúrgicas, os fármacos, as próteses e tantas outras técnicas ao serviço da pessoa, em situação de doença, não são formas de ‘preservar’, defender e promover a saúde?... Então, porquê esta afirmação do Papa a veicular uma doutrina e, precisamente, na viagem para África – o continente mais atingido por esta doença? Como doutrina, como ideal, como princípio de dignidade, defesa e promoção da vida humana, o Papa não pode dizer outra coisa. Como, também, deverá ser a deontologia do médico, praticando a medicina para promover e defender a vida em todas as circunstâncias possíveis, ainda que, para defender valores em conflito, possa pôr-se perante situações inevitáveis de morte…
Ainda bem que o Papa não cede a tentações de simpatia, facilitismo ou conveniência!... Esta é parte da sua cruz pascal (também da Igreja, dos Bispos, dos Sacerdotes, dos Cristãos) – ter valores e causas a defender para a realização integral da pessoa humana e gastar a vida por eles, ao serviço da dignidade e sentido da pessoa e da sua plenitude. Será falta de hábito e de cultura da exigência e da honestidade, numa sociedade tão relativa, tão mínima e tão pouca ambiciosa e coerente na defesa das pessoas e dos seus valores? Será tão fácil o escândalo farisaico de quem não sabe interpretar as diferenças entre valores e princípios gerais, por um lado e situações concretas e pessoais, por outro? Sim... Está aqui a grande diferença: a chamada “lei da gradualidade” explica que, existindo a lei geral a afirmar, a exigir e a promover valores, eles não esmagam a pessoa concreta, em situações muito individuais… Eles dão a mão com paciência, tolerância e compreensão para que a pessoa “situada” compreenda, aceite e queira caminhar, ao ritmo de um ideal libertador, defendido por uma lei orientadora. Acredita-se sempre no ideal que a pessoa é chamada a atingir, porque a dignifica e valoriza, ainda que demore algum tempo ou não chegue nunca a atingi-lo.Este é o papel da formação personalizada e libertadora, dada individualmente ou em pequeno grupo, sempre como desafio à conversão e à vida digna e feliz. O legislador, como referência do ideal a amar e a seguir, não pode deixar de estar acima e ser exigente, apelando, com a sabedoria de mestre e, sobretudo, com o amor e a proximidade de pai, a um grande ideal, percorrendo um caminho juntos, indo até onde for possível. Sobretudo, nunca abandonando a pessoa.
A terminar: como são parciais e intencionais as apreciações da doutrina da Igreja veiculada pelo Papa para o Continente Africano e não só!...
O preservativo teria sido o tema mais importante – quase único? Mesmo a respeito do tema da Sida, foi a única coisa que o Papa disse?
E outros temas, como a pobreza, a fome, a justiça social (…) e os apelos a que os países ricos cumpram os seus compromissos a favor do desenvolvimento?... E a denúncia de que África não pode ser vista como o “reino do dinheiro”, explorando a sua riqueza e as suas matérias-primas, deixando este Continente entregue à sua insuficiência económica, industrial e financeiramente?... E os desafios, feitos aos jovens, convidando-os à coragem da aventura e a que não tenham medo das decisões definitivas, sabendo que a vida está dentro deles?... E os desafios entreabertos e a aprofundar, quando denomina a África como o “Continente da Esperança”?... E a coragem que o Papa manifesta, ao falar e abordar tantos temas incómodos?... E como entender a coragem e a capacidade de um homem, com quase 82 anos, que enfrenta situações desta natureza para ir falar, no lugar próprio, dos temas e das causas que defende e nos quais acredita, ainda que saiba que são incómodos para tantos?...
Ao serviço de quem estão tantos meios de comunicação social, tantos opinionmakers e tantos poderes instituídos, que mais parecem donos ou correias de transmissão de interesses económicos e políticos que dos direitos, liberdades e dignidade da pessoa humana, a começar pelas mais pobres e mais indefesas?...
Alguns perderam mesmo uma grande oportunidade de trazer para a reflexão dos “grandes” os grandes problemas dos “pequenos” que – infelizmente – continuam a não ter voz nem vez no actual (des)concerto das nações.
Ilídio, bispo de Viseu»

quarta-feira, 25 de março de 2009

Quem tem razão?



O texto abaixo foi publicado no blog do Fábio Zanini, da Folha. Por razões óbvias, permiti-me reproduzí-lo inteiramente aqui.

Vejamos uma história de sucesso no continente Africano, só para variar, no combate à Aids em Uganda.
É UM SUCESSO INQUESTIONÁVEL.
Há 15 anos, cerca de 30% da população tinham o vírus; hoje, são 6,5%.
Enquanto outros países perdiam tempo fingindo que nada acontecia, e até negando que HIV cause Aids (como na África do Sul, onde a taxa é de mais de 20%), os ugandenses agiam para conter a doença. Falar sobre o assunto, assumir o problema e discutir candidamente foi o primeiro passo. Mas teve mais.
Uganda trata a Aids de uma maneira que nós nunca faríamos. Uma maneira inusitada, para dizer o mínimo. E assumidamente moralista.

Um exemplo do que acontece por aqui: imagine que é um oficial do governo e precisa de delinear uma estratégia para reduzir a incidência de Aids junto a camionistas. Nos vários países, este é um grupo delicado: estão sempre longe de casa, cruzam fronteiras, são rodeados por prostitutas todo o tempo. São potencialmente um factor de disseminação da doença. E muitos chegam em casa e podem contaminar as suas esposas.
A meu ver, a lógica mandaria que se propagandeasse o uso de camisinhas entre caminionistas. No entanto, veja como é o cartaz do governo de Uganda: “um motorista responsável importa-se com sua família; é fiel a sua mulher”. O foco não é convencê-lo a protege-se quando dormir com prostitutas, mas tentar convencê-lo, antes de tudo, a não ter relações sexuais. Parece ingênuo, mas o governo acha que funciona. E talvez funcione mesmo.
Nos outros países, o ênfase das campanhas contra Aids é no sexo seguro: use camisinha! No Uganda, a promoção dos preservativos é apenas a perna mais fraca de um tripé que conta também com a promoção de abstinência e da fidelidade.
O slogan do governo é ABC:

A é a inicial de abstinência,

B é de “be faithful”, ou seja fiel,

C é para condom, ou camisinha.
Não surpreende, então, que o governo coloque tanta ênfase nas letras A e B.

A abstinência é direcionada para os jovens, principalmente menores de 25 anos, idade média em que eles se casam, incentivando-os a manterem-se virgens até o altar.

O B é dedicado aos casais, pedindo que sejam fiéis.

Só em último caso, se a pessoa não conseguir se abster, vem o C: pelo menos use camisinha.


Percebeu a diferença?

O enfoque tradicional nos vários países, é centrar fogo na camisinha. Em Uganda, camisinha é um último caso, quase o recurso dos pecadores.Hoje conversei com representantes de duas ONGs, esperando ouvir algumas críticas à política do ABC. Nada. Aprovam 100%. Há um consenso nacional em torno do tema. Sobra para organizações estrangeiras descerem o pau, dizendo que é irreal esperar que um jovem de 20 anos se mantenha virgem.

Mas os números estão aí, desafiando o que diz a lógica e a convicção de muitos (como eu).

São um tapa na cara dos cépticos.


Fonte: aqui