sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Bom Ano Novo



É o que desejo a todos os que virem este blog.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Resposta a uma campanha espanhola


Campanha contra a Sida.

Veja:


sábado, 27 de novembro de 2010

À espera do Salvador


Nos tempos que correm alguns leitores podem ver neste título um apelo a que apareça quem nos salve desta crise. Mas não é disso que se trata. Cristo prometeu que havia de vir de novo para nos salvar e é essa espera que a Igreja celebra todos os anos nas quatro semanas antes do Natal.
A Igreja chama a esse tempo Advento e durante ele devemo-nos preparar para prestar contas a Deus após a nossa morte e para celebrar bem o Natal de Jesus. Sim, porque queremos que Jesus venha ao nosso mundo. Que Ele nasça na nossa vida e na vida dos nossos contemporâneos.
«Mais que o vigia pela aurora, mais que a terra pelo sol nascente, mais que a flor pelo orvalho, nós o esperamos» – escreve o salmista.
Nos tempos antigos foi esperado por Israel, o Povo eleito. Espera ansiosa porque Deus o prometera a Abraão, aos Patriarcas, a Moisés, a David, aos Profetas. Nos momentos de alegria, Israel esperou; e esperou também nos momentos de trevas e de dor! É esta espera comovente, insistente, teimosa, que a Igreja celebra e revive no Advento!
Mas o Salvador que Deus nos enviou foi também esperado pelos pagãos, por todos os povos! É algo que nem sempre temos presente e, no entanto, é um aspecto importante do Advento: os pagãos desejaram o Salvador! Como pode ser isso? É verdade: eles não conheciam as promessas de Deus; eles não conheciam o Deus verdadeiro; eles não sabiam nada a respeito do Messias... Mas eles tinham e têm ainda no coração um desejo louco de paz, uma sede insaciável de verdade, de vida, de amor... sede que Deus mesmo colocou nos seus corações para que sem saberem, às apalpadelas, buscassem Aquele único que pode dar repouso ao coração humano. É isso que Mateus quer dizer quando nos conta a visita dos magos: eles vêm de longe, seguindo a estrela do Menino, eles esperavam e agora o procuram: "Vimos a sua estrela e viemos adorá-lo!" (Mt 2,2)! Esses Magos representam os pagãos todos, todos os povos, todos os homens e mulheres de boa vontade que, seguindo sua consciência, sem saber, procuram o Salvador. Pensemos em tantos sábios das várias culturas: Buda, Confúcio, Maomé e tantos, tantos outros, tão numerosos que somente Deus pode contá-los... Todos esperaram Aquele que é a verdade, a luz que ilumina todo homem que vem a este mundo! E hoje continua a haver muita gente de todas as raças e culturas que O espera. Que Ele venha para todos!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Irmãs Adoradoras ajudam prostitutas


A fundadora das Irmãs Adoradoras do Santíssimo Sacramento foi Micaela de Castillo, oriunda da alta sociedade madrilena do início do século XIX. Tendo descoberto os problemas sociais que vitimavam as mulheres, depois de um encontro casual com uma jovem no Hospital de São João de Deus, em Madrid, acabou por descobrir o rosto de Jesus que sofre nessas mulheres e que continua, na Eucaristia, a dar a vida por elas. Micaela, canonizada há mais de 70 anos, abriu, em 1845, a primeira casa para acolher jovens mulheres caídas na prostiuição que pretendessem enveredar por um projecto de vida diferente. Com a consolidação da obra, surgem, em 1856, as Irmãs Adoradoras.
Em Portugal, como noutros países, a Congregação das Irmãs Adoradoras conta com várias casas de acolhimento de prostitutas, mães solteiras, toxicodependentes, adolescentes em risco, mulheres vítimas de maus-tratos e de tráfico de seres humanos. Em Coimbra, já tiveram a Casa de Nossa Senhora da Paz com esta mesma finalidade, mas actualmente dedicam-se exclusivamente às vítimas da prostituição com o projecto ERGUE-TE. Para poder levar a cabo esta resposta social, contam com 2 técnicos contratados e mais 10 pessoas que prestam um serviço voluntário. População alvo da Equipa de Intervenção Social ERGUE-TE: Mulheres que se prostituem e seus agregados familiares.
Actividades:
Facilitar o encontro com a mulher no seu contexto prostitucional e familiar, com o objectivo de lhe oferecer informação, apoio e alternativas à sua situação;
Para isso a Equipa desenvolve duas grandes acções, distintas mas complementares: na Sede da Equipa/Gabinete de Atendimento e em Giros no exterior, efectuados com recurso a uma Unidade Móvel adaptada para o efeito. O gabinete de atendimento funciona diariamente e proporciona acompanhamento social, psicológico, aconselhamento jurídico, encaminhamento para o Serviço Nacional de Saúde, fornecimento de material de informação e prevenção de IST's, orientação para formação e inserção laboral, entre outros. Os giros no exterior são diários e realizam-se nas ruas da cidade de Coimbra, estradas dos concelhos do distrito, bares, pensões e apartamentos, conotados com a prática da prostituição.
A Equipa de Intervenção Social ERGUE-TE tem celebrado um acordo de Cooperação com o Centro Distrital da Segurança Social de Coimbra, que financia 80% da resposta social. Assim, carece de uma percentagem (20%) de financiamento que é conseguida através de donativos (NIB: 0035 0255 0023 9155 5300 8). Contactos Sede da Equipa/Gabinete de Atendimento: Avenida Fernão de Magalhães, n.º 136, 3º-Z (Edifício Azul), 3000-171 Coimbra, Portugal Tel: 239 820 090 Fax: 239 821 202 Telem: 917 099 202 ou 927 108 274. E-mail: equipa.erguete@gmail.com.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Acompanhando os ex-leprosos


Desde pequeno ouvi falar nas Filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo que tinham por missão servir e acompanhar os doentes de lepra no Hospital Rovisco Pais da Tocha. Nascida como Comunidade de serviço aos pobres em 29 de Novembro de 1633, pela mão de São Vicente Paulo e de Santa Luísa de Marillac, esta Instituição religiosa foi chamada a tratar os portadores daquela horrível doença no referido Hospital desde a sua construção. Foram elas que lavaram e limparam tudo para a sua inauguração em Setembro de 1947. Estão lá desde 3 de Maio de 1947.
Actualmente os leprosos são tratados em hospitais comuns, mas alguns dos antigos doentes que por lá foram ficando, por não terem para onde ir, continuam a ser acompanhados por três Irmãs Filhas da caridade. Actualmente são 19 pessoas de ambos os sexos que lá continuam a viver.
Esta Congregação Religiosa continua assim a “estar” com estas pessoas sem família e a dar-lhes apoio.
Como todos sabemos, a lepra foi um flagelo que afligiu os povos desde tempos imemoriais. Em 1930, o Governo nomeia uma comissão para estudar os assuntos relacionados com esta doença. Analisado o relatório da dita Comissão, torna-se evidente que é preciso acudir a esse flagelo. E um dos que o tomou em mãos foi o Dr. Bissaia Barreto.
Em 1940, começa a construção da que foi a maior obra assistencial do País e, em Setembro de 1947, é inaugurado o Hospital Rovisco Pais. Em 1951 atinge o auge com 901 doentes.
Foi o Professor Bissaya Barreto que pediu à Provincial de então, Irmã Maria de Lurdes Sousa Prego, Irmãs para tratarem estes doentes atingidos duramente pela Lepra. Chegaram a trabalhar, neste hospital, simultaneamente, 25 Irmãs porque elas tinham que assegurar o cuidado de todos os doentes.
Também ali abriu uma creche e um preventório, para filhos dos doentes, que ficou também ao cuidado das Irmãs. Desde 1947 a 2005 trabalharam neste Hospital 122 Irmãs.
E na década de 90, o Hospital Rovisco Pais foi reconvertido em Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro.
Como já dissemos, hoje ainda ali permanecem três Irmãs fazendo companhia aos doentes, que, após a sua doença, não encontraram lugar nas suas famílias. Com eles trabalham, com eles rezam, com eles sofrem, com eles vão às consultas, quando é necessário, com eles sonham com um mundo mais humano e fraterno.
Este “Testemunho” pretende ser também uma homenagem a todas as Irmãs que aqui testemunharam a Caridade.
Contacto:
Filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo
Hospital Rovisco Pais 3060-908 Tocha

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Obra do Padre Serra


Hoje vou falar do Padre Francisco Proença Serra e da sua Obra em favor de crianças e jovens órfãos. O padre Serra é um sacerdote salesiano, nascido na Covilhã como a Irmã Teresa Granado e no mesmo ano que ela – 1929.
Foi a partir do cargo de Director da Instituição Geral de Menores de Bragança que este sacerdote tomou contacto com a problemática social dos menores órfãos e abandonados. Com a sua vinda para Coimbra, o Padre Serra apercebeu-se da verdadeira dimensão que esta problemática atingia na nossa cidade. Arrendou, por isso, um imóvel de características senhoriais (conhecido como Palácio dos Fidalgos da Corujeira), para albergar algumas crianças e jovens, ainda que não apresentasse as condições sócio-habitacionais adequadas. O Padre Serra conseguiu,no entanto, que se realizassem algumas restaurações no edifício, erguendo, a 4 de Novembro 1973, a primeira comunidade – o "Lar de S. Martinho"– também sede da Obra do Padre Serra, e que ali funcionou até 1993.
Toda a estrutura sócio-institucional foi transferida, posteriormente, para a Quinta do Chafariz (em Fala), propriedade adquirida para construção da nova Sede e do centro dinamizador de toda a sua Obra. Com vocação para acolhimento de crianças pobres, orfãs ou abandonadas, residem, actualmente, no "Lar de S. Martinho" 30 jovens dos 14 aos 18 anos.
O crescente e elevado número de utentes, levou-o à criação de duas novas comunidades: em 1990, surge o Lar "O Girassol", (Quinta do Monte Belo – Alcarraques - Trouxemil), onde residem actualmente 30 crianças dos 6 aos 12 anos.
O “Lar de S. António” foi criado em 1987, na Fontela – Vila Verde – Figueira da Foz, com o objectivo de constituir residência para a totalidade da população utente, no período de férias no Verão. No entanto, em 1991, esta residência tornou-se também num lar de acolhimento permanente, que se passou a chamar "Casa da Criança Santo António", onde hoje residem habitualmente 14 jovens dos 14 aos 18 anos.
O "Lar Flor do Liz" em Leiria abriu em 1995 mas encontra-se actualmente em obras.
Numa conversa com o Padre Serra, fiquei a saber que todas as ajudas são bem vindas, pois a crise também se faz sentir – e de que maneira! – nesta Obra. Aqui fica, pois, o apelo aos nossos leitores.
Contactos: Lar de Infância e Juventude de S. Martinho do Bispo
Quinta do Chafariz – Fala 3040-083 Coimbra Telefone: 239802250

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A Obra de Frei Gil

Casa da Praia de Mira


A Diocese de Coimbra foi chamada na Quaresma de 2009 a apoiar esta Obra e, por isso, ela já é conhecida pelo menos de nome por quase todos os meus leitores.
Com sede na Praia de Mira, esta Instituição foi fundada em 1942 por Frei Gil Alferes, Frade Dominicano, natural do concelho de Oliveira do Bairro, que fez alguns anos de estudo no Seminário de Coimbra.
Ainda conheci este Padre, que dedicou o melhor da sua vida aos rapazes sem família que os acolhesse.
Na entrada da Casa erguida em Ramalde – Porto, está uma placa com algumas palavras repetidas por Frei Gil. Elas ajudam a entender melhor a sua dimensão humana, cristã e sacerdotal:
"Não matem as crianças, dêem-mas... Sempre viverei entre os pobres e entre os pobres quero morrer. Traba-lho para os outros. Não quero nem faço nada para mim ".
Já muito doente, respondeu um dia a Frei Bernardo quando este disse que lhe traria uma cama articulada, para o aliviar do seu sofrimento: " ...mas a cruz de Cristo não era articulada..."
A Obra deste Homem sobreviveu-lhe. Ele faleceu em 1979. A Diocese de Coimbra acarinhou-a como sua. E o Cónego Aníbal Castelhano é hoje o seu responsável em nome da Igreja Diocesana.
Vivem dias difíceis as instituições do género e esta não é excepção. Vivendo de subsídios estatais – que cobrem cerca de metade das despesas – e da generosidade das pessoas, sofrem a crise como os pobres, porque os donativos diminuem.
Estes “Testemunhos” também têm a finalidade de apelar à partilha com estas instituições. Actualmente estão a cargo da Diocese de Coimbra, a Casa da Praia de Mira, onde está a sede e a Casa de Ramalde – Porto, com 35 utentes cada, a Casa de Lobão – Santa Maria da Feira, com 30, e o Instituto de Promoção Social de Bustos, com Creche, Jardim de Infância e ATL.
A equipa de colaboradores da Instituição trabalha diariamente para o cumprimento rigoroso do projecto de vida de cada criança e jovem, tendo em vista a satisfação das suas necessidades físicas e anímicas, com a finalidade de atingir, no menor espaço de tempo possível, a sua reintegração na família biológica ou alargada, em família de acolhimento ou adoptante ou apoiar a sua inserção na vida activa, através da autonomização.
Contacto: Obra do Frei Gil - Apartado 39 - 3070-908 Praia de Mira
Telefone/Fax: 231471159/231472531
Email: obrafreigil@hotmail.com

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A paixão pelas crianças


Tem o mesmo nome da conhecida Teresa de Calcutá. Nasceu a 29 de Março de 1929, na Covilhã e desde cedo se começou a preocupar com as pessoas desfavorecidas. Habilitada com os cursos de assistente social, Teresa Granado foi convidada a dirigir o Instituto Superior de Serviço Social de Coimbra, há 47 anos, e a partir daí, desenvolveu um intenso trabalho em torno dos filhos de emigrantes.
Mais tarde, já lá vão 42 anos, criou a Comunidade Juvenil de S. Francisco de Assis de Coimbra, uma instituição de apoio às crianças carenciadas, que actualmente tem a seu cargo cerca de 70 crianças, entre os seis e os 18 anos, para além de outras que vivem, em casa alugada, com as suas mães (actualmente 10 mulheres) vítimas de violência doméstica. Tem Casa em Eiras (Coimbra) e em Vila Nova de Poiares. Para além da referida Casa em Coimbra para as vítimas de violência.
Apesar dos seus 81 anos, continua a ter uma actividade frenética. Toda a obra gira à volta desta mulher, que se vê sempre rodeada de crianças. Solteira por vocação, ela pôde ser a verdadeira mãe de mais de 700 pessoas que já passaram pela sua Casa. Muitas já constituíram as suas famílias e hoje vêm mostrar aos seus filhos a Casa onde cresceram e se fizeram homens ou mulheres.
Ela é uma mulher especial. Sempre com uma serenidade no olhar e um sorriso que se espalha no rosto. No contacto que tive com ela, pude ver como é estimada por todos.
Lembro-lhe que é Comendadora, pois o Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, em 1997, atribuiu-lhe esse estatuto. Ri-se e diz-me: “Ah, pois, sou comendadora! Mas o que realmente me importa são as crianças que é preciso vestir, calçar e educar. E não é fácil nestes tempos de crise em todos os aspectos...
Concordo com ela e pergunto-lhe o que mais gostava que as pessoas lhe oferecessem. “Leite, azeite, cereais... Roupa, massas, arroz, não precisamos; chegam-nos através de várias organizações” – diz-me.
Deixo aqui os contactos com esta grande Obra: COMUNIDADE JUVENIL DE S. FRANCISCO DE ASSIS:
Rua Vale Seixo, Eiras 3020-085 COIMBRA
Tel: 239 496 731; fax: 239 496 254; Site: www.comunidadejuvenil.org.pt
Mail: comunidade@comunidadejuvenil.org.pt

domingo, 10 de outubro de 2010

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Casa de Saúde Rainha Santa Isabel


Alguns dos nossos leitores já conhecem esta Casa de Saúde, situada em Condeixa-a-Nova. Mas vale a pena dá-la a conhecer a toda a gente. Ela faz parte de uma rede de apoio aos que sofrem de doenças psíquicas, criada pelo Instituto das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus. São 12 os estabelecimentos de saúde, na área da Saúde Mental e Psiquiatria, criados e geridos por estas Irmãs, situados no Continente e Regiões Autónomas da Madeira e Açores.
Os Irmãos de São João de Deus e as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus são duas congregações religiosas que se dedicam, em Portugal, aos doentes mentais, tentando a sua integração na sociedade ou, nessa impossibilidade, proporcionando-lhes uma vivência o mais humanizada e válida possível.
As Irmãs são ao mesmo tempo as religiosas Hospitaleiras, as enfermeiras, as “empresárias”, as formadoras, as conselheiras, etc., sempre mitigando a dor alheia, tornando leve e alegre, o que é por demais pesado e triste, sempre marcando presença a servir o próximo, nas horas boas e nas horas más. Têm uma enorme capacidade para enfrentar as adversidades e o sofrimento, só explicável pela Fé inquebrantável que as forma e as move. A Casa é ao mesmo tempo o lar, a escola, o hospital, onde se procura o acolhimento e o alívio para os padecimentos da mente e para a dor física.
No seu estilo próprio de cuidar têm como objectivo prioritário uma assistência de qualidade que promova a saúde integral da pessoa, englobando todas as suas dimensões: física, psíquica, social, espiritual e religiosa. Procuram articular ciência e humanidade, num profundo respeito pelos direitos fundamentais da pessoa sem qualquer tipo de discriminação e na promoção da sua dignidade incondicional.
A Casa de Saúde de Condeixa está constituída actualmente por 8 unidades de internamento com um total de 380 camas, quase todas ocupadas neste momento. Tem vindo a desenvolver a sua missão no âmbito da Saúde Mental e Psiquiatria, concretamente tem serviços de internamento e reabilitação nas áreas da Psiquiatria, Psicogeriatria e Deficiência Mental. È um mundo que requer muita dedicação e muita gente ao seu serviço, quase 250 pessoas. De destacar, um bom grupo de voluntários que visita e anima os doentes.
Quem já beneficiou dos cuidados destas Irmãs e outros colaboradores é que sabe dar o verdadeiro valor a esta Casa de Saúde, fundada em 1959.
Aqui deixamos o contacto: Casa de Saúde da Rainha Santa Isabel, R. Padre Bento Menni,
3150-146 CONDEIXA-A-NOVA, Telefone 239949070.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Casa do Gaiato


Uma das Instituições mais queridas de Coimbra é, sem dúvida, a Casa do Gaiato, fundada pelo saudoso padre Américo. O objectivo duma Instituição como esta é acolher os miúdos sem apoio familiar capaz e prepará-los para os lançar na vida. E felizmente quase sempre o consegue fazer com êxito. Há antigos gaiatos que são doutores, engenheiros, professores e até juizes. Muitos outros têm bons empregos, onde são considerados por colegas e patrões.
A primeira casa da obra do Pai Américo encontra-se em Miranda do Corvo, na localidade de Bujos, e foi fundada em 07 de Janeiro de 1940. E foi a partir desta primeira casa aberta com 3 rapazes, que posteriormente se disseminou pelo País, por Angola e Moçambique aquela que é uma das maiores obras de solidariedade social nacional. A Obra da Rua tem casas em Miranda do Corvo, Paço de Sousa – Porto, Santo Antão do Tojal, actualmente a cargo da Diocese de Lisboa, Beire – Paredes, Setúbal, Benguela e Malange – Angola e Maputo – Moçambique.
Ainda há pouco a casa de Miranda acolhia cerca de cem miúdos, alguns ainda bem pequenos. É uma casa aberta, não usa grades e portões fechados, onde cada um tem a sua tarefa a cumprir. Os mais velhos orientam os mais novos. Aqui não há a mãezinha que faz tudo, enquanto os meninos brincam ou andam na rua. São os rapazes que fazem as tarefas que lhe estão distribuídas. Tratam de fazer as camas e limpar a casa, de vestir e calçar os mais novos e de os orientar. E não se pense que se descuidam os deveres escolares. A aposta da Obra é que todos estudem e tirem cursos. É desde há muito conhecida e louvada esta pedagogia inventada pelo fundador: a "Obra de Rua" é uma obra de rapazes, para rapazes e por rapazes.
A finalidade de cada Casa do Gaiato é acolher, educar e integrar na sociedade crianças e jovens que, por qualquer motivo, se viram privados de meio familiar normal. No dizer do fundador, P. Américo Monteiro de Aguiar, " somos a família para os que não têm família".
São Instituições totalmente particulares vivendo dia a dia o risco evangélico da solidariedade humana. Aceita Voluntariado a tempo inteiro e também a tempo parcial. Neste caso pede-se que sejam pessoas totalmente disponíveis para as crianças e jovens, com sentido de maternidade e paternidade.
Contacto: Casa do Gaiato – Bujos 3220-034 Miranda do Corvo; Tel. 239532125; gaiatomiranda@sapo.pt.

sábado, 18 de setembro de 2010

Criaditas dos Pobres


Uma das instituições de ajuda aos carenciados mais conhecidas em Coimbra é a Cozinha Económica. Actualmente serve uma média de 500 refeições por dia a quem a ela recorre. A muitos dos utentes completamente de graça, dada a sua situação de pobreza. Esta Instituição está instalada num edifício antigo, no Terreiro do Mendonça, n.º 7, um largo na Baixa de Coimbra.
Foi fundada nesta cidade no ano de 1933 por pessoas ligadas à Igreja, e pouco tempo depois entregue aos cuidados das Criaditas dos Pobres que lhe têm dado o melhor do seu carinho.
Este Instituto tinha nascido em Coimbra já em 01 de Novembro de 1924, pela mão da Irmã Maria Carolina Sousa Gomes e dedicava-se a acudir à pobreza daquela época.
Mas não se pense que as preocupações das Criaditas dos Pobres se ficam por dar de comer a quem tem fome. Já não seria pouco, mas elas desenvolvem um trabalho muito mais amplo, acompanhando muitas famílias que vivem situações de pobreza. E para além da “Cozinha Económica”, são também responsáveis pelo Centro de Dia que funciona nas mesmas instalações e que tem actualmente 65 idosos, sobretudo da zona da Baixa onde há grandes bolsas de pobreza, com grandes problemas a nível habitacional.
Para além de Coimbra, têm uma Comunidade a trabalhar em Aveiro, outra em Portalegre, mais outra no Rabo do Peixe dos Açores. E em 2007 três Irmãs fundaram uma Comunidade na Chapadinha, no Nordeste brasileiro, para acudir a uma das zonas mais pobres do Brasil.
A Irmã Maria de Fátima disse-nos que são actualmente 30 Irmãzinhas. E em Coimbra têm duas moças em estudo de vocação.
“Os problemas mais prementes que sentimos – diz-nos a mesma Irmã – são os que se relacionam com as dificuldades por que passam as Famílias de poucos recursos, nestes tempos que, como todos sabemos, não são fáceis. Pela nossa parte, embora não percamos a Esperança e saibamos a Quem nos confiámos, sentimos a necessidade de "sangue novo", – de mais gente nova – para que esta Missão, que nos foi entregue, encontre mais corações prontos a amar Jesus nos mais pobres, ao jeito de criadita”.
“Tendo escutado o apelo de Deus, é preciso, antes de mais, que se disponha, com alegria e generosidade, a seguir Jesus, e a servir o Seu Reino com toda a simplicidade, anunciando-O aos Pobres. Depois, em qualquer uma das Comunidades, poderá encontrar alguma irmã que lhe dê as informações que necessite”.
Deixamos aqui os contactos: Criaditas dos Pobres – Rua da Ilha, 12 – 3000-214 Coimbra;
Telefones 239823932 e 239826040; email criaditascoimbra@sapo.pt.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Que espera da Igreja?


Conhecer o mundo onde se insere para melhor lhe poder responder é a intenção da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) ao encomendar à Universidade Católica uma sondagem de opinião aberta a todos os cidadãos, independentemente da religião que professem.
De acordo com o porta-voz da CEP, a sondagem "pretende saber os valores, aspirações, dificuldades e as expectativas da sociedade portuguesa". A Igreja quer "ser realista, sempre mais realista, ver o mundo onde se situa, a sociedade que a envolve, para às suas perguntas responder o melhor que sabe e pode" sustentou o padre Manuel Morujão.
Os bispos sabem que o mundo mudou nestes últimos anos e que o pensar das pessoas hoje já não é o de há cinco ou 10 anos, e é preciso estar atento a essas mudanças para lhes dar resposta.
Se é verdade que a igreja continua a ser uma instituição muito importante para grande parte dos portugueses - segundo uma recente sondagem da Intercampus para a TVI, só 6% da população a classifica de nada importante – há que estar atento, pois essa importância que lhe é reconhecida pode já ter poucas referências evangélicas.
Um exemplo apenas. O fim primeiro da igreja é a salvação do homem todo e de todos os homens. Se grande parte das pessoas esperar da igreja apenas que ajude os mais pobres a mitigar a sua penúria, ou os mais novos a não se deixarem envolver na marginalidade, está a truncar a sua verdadeira missão. A Igreja não é só para os pobres ou para os mais novos, ela deve atingir todas as classes e todas as faixas etárias. E deve levar as pessoas a uma salvação, que começa neste mundo mas que continua para além dele.
Saber, preto no branco, o que é que os portugueses esperam da Igreja é meio caminho andado para definir bons programas de pastoral. No fundo é dar cumprimento à palavra que ouvimos de Cristo: “O bom pastor conhece as suas ovelhas”.
Parabéns, pois, aos nossos Pastores Bispos por esta louvável iniciativa.

sábado, 11 de setembro de 2010

A Igreja tem muita gente a ajudar


Corria acesa a campanha eleitoral na Bélgica. Um deputado da extrema-esquerda dirigia a palavra a mi-lhares de operários, em Bruxelas. Depois de ter apregoado a liberdade, criticado o capital, defen-dido as nacionalizações, elogiado os trabalhadores, exaltado o povo, atacou duma maneira agreste e desenfreada a Igreja Católica.
Acabado o discurso, perguntou se alguém desejava tomar a palavra. Adiantou-se um operário que disse assim:
– Eu não estudei, e não sei responder ao que disse o orador. Conto apenas um caso:
Há meses adoeceram os meus dois filhos. Uma freira vinha com frequência visitá-los, trazendo-lhes sempre alguma ajuda. As crian-ças curaram-se. Como a doença era contagiosa, a minha mulher caiu de cama, logo a seguir, com o mesmo mal. A Irmã levou as duas crianças porque ninguém em casa podia tratar delas. To-mou também sobre si o cuidado da minha mulher, que finalmente começou a levantar-se. Então caí doente também eu, mas a Irmã vinha sempre visitar-nos, trazia remédios, ajudava a minha mu-lher na vida da casa e tratava-me com muito jeito e caridade. Por último a Irmã contraiu o mesmo mal e não a tornámos mais a ver. Soube hoje que morreu. Não te-nho mais a dizer (Mensageiro do Coração de Jesus, de Itália, 1951, pág. 390).
A impressão causada por es-tas palavras não se descreve. A palavra humilde e sincera daquele operário valeu mais que todos os argumentos.
Disse Jesus: «Conhecerão to-dos que sois meus discípulos se tiverdes caridade uns para com os outros» (Jo 13, 35). E o após-tolo São João: «Filhinhos, não amemos de palavra e com a lín-gua, mas por obra e de verdade (1 Jo 3, 1f3). Foi este o exemplo dado pela boa Irmã.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Interior discriminado


Lemos no “Jornal de Notícias”: «Os fundos comunitários desviados das regiões mais pobres para Lisboa já ultrapassam 154 milhões de euros, o suficiente para construir três centros materno-infantis no Porto. Foi um aumento de seis milhões em meio ano, tendo o ritmo de aprovações abrandado. A quantia dada às regiões mais pobres de Portugal, mas que será investida em Lisboa ao abrigo das excepções às regras dos fundos comunitários, continua a subir. Em Junho deste ano, os fundos comunitários destinados ao Norte, Centro e Alentejo, e que serão contabilizados como se lá tivessem sido gastos mas que, na realidade, serão investidos na capital, ultrapassavam 154 milhões de euros, contra 148 milhões em Dezembro do ano passado.»
Lemos e ficamos abismados. Então Lisboa – a região mais rica de Portugal – ainda “come” o pouco que é dado ao interior? E dizem os governantes que querem ajudar as regiões mais pobres!...
Assim compreendemos que muita gente abandone estas terras e vá morar para Lisboa. Só lá ficam os idosos. E quem vai tratar deles?!
Há tempos a ministra da Educação anunciou que vão ser encerradas mais 700 escolas primárias com menos de 20 alunos. Com mais este lote de encerra-mentos, passam a ser 3.200 as escolas primárias encerra-das nos últimos cinco anos de governo socialista. É mais uma machadada nestas terras do interior. Suprimiram-se carreiras para as aldeias, porque não eram lu-crativas; fecharam-se centros de saúde, maternidades, ur-gências, tribunais, entre muitos outros serviços. Há quem diga que a maior parte do país caminha para o encerramento. E depois queixam-se que os campos ficam por amanhar e as matas por limpar, com os consequentes incêndios.
Por outro lado, nas cidades há cada vez mais bairros problemáticos. Cresce o número de habitantes e dispara o crime. “Muita gente junta não se salva” diz o povo e com razão. Esta política, que não é só deste governo, vai pagar-se cara. Mas quem vai conseguir inverter isto?

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Centenário da Madre Teresa


Faz hoje 100 anos que nasceu aquela que ficou conhecida por Teresa de Calcutá. E aqui fica a nossa homenagem.

Com o nome de baptismo de Agnes Gonxha Bojaxhiu, nasceu em 26 de agosto de 1910, em Skopje, na Macedônia, filha de pais albaneses, numa família de três filhos, sendo duas meninas e um rapaz.
Aos 13 anos, ouviu um jesuíta que era missionário na Índia dizer: "Cada qual deve seguir sua própria vocação". Tais palavras impressionaram-na e pensou que Deus lhe pedia que se entregasse ao serviço dos outros.
Seis anos mais tarde, solicitou a admissão na Congregação das Irmãs do Loreto que trabalhava em Bengala, mas teve primeiro de aprender a língua inglesa em Dublim. De Dublim foi enviada para a Índia em 1931 a fim de iniciar seu noviciado em Darjeeling no colégio das Irmãs de Calcutá.
No dia 24 de maio de 1931, fez a profissão religiosa, e emitiu os votos temporários de pobreza, castidade e obediência tomando o nome de "Teresa". A origem da escolha deste nome residiu no fato de ser em honra à monja francesa Teresa de Lisieux, padroeira das missionárias, canonizada em 1927 e conhecida como Santa Teresinha.
De Darjeeling passou para Calcutá, onde exerceu, durante os anos 30 e 40, a docência em Geografia no colégio bengalês de Sta Mary, também pertencente à congregação de Nossa Senhora do Loreto. Impressionada com os problemas sociais da Índia, que se reflectiam nas condições de vida das crianças, mulheres e idosos que viviam na rua e em absoluta miséria, pensou em ajudá-los.
Em 1946, pediu ao Papa Pio XII que lhe permitisse abandonar as suas funções enquanto monja, para iniciar uma nova congregação de caridade, cujo objectivo era ensinar as crianças pobres a ler. Desta forma, nasceu a sua Ordem - As Missionárias da Caridade. Como hábito, escolheu o sári, nas cores - justificou ela - "branco, por significar pureza e azul, por ser a cor da Virgem Maria". Começou a sua atividade reunindo algumas crianças, a quem começou a ensinar o alfabeto e as regras de higiene. A sua tarefa diária centrava-se na angariação de donativos e na difusão da palavra de alento e de confiança em Deus.
No dia 21 de dezembro de 1948, foi-lhe concedida a nacionalidade indiana. A partir de 1950 empenhou-se em auxiliar os doentes com lepra.
Em 1965, o Papa Paulo VI colocou sob controle do papado a sua congregação e deu autorização para a sua expansão a outros países. Centros de apoio a leprosos, velhos, cegos e doentes com Sida surgiram em várias cidades do mundo, bem como escolas, orfanatos e trabalhos de reabilitação com presidiários.
Morreu em 1997 aos 87 anos, de ataque cardíaco, quando preparava um serviço religioso em memória da Princesa Diana de Gales, sua grande amiga e falecida ela própria 6 dias antes, num acidente de automóvel em Paris. Tratado como um funeral de Estado, vários foram os representantes do mundo que quiseram estar presentes para prestar a sua homenagem. As televisões do mundo inteiro transmitiram ao vivo durante uma semana, os milhões que queriam vê-la no estádio Netaji. No dia 19 de outubro de 2003, o Papa João Paulo II beatificou Madre Teresa.
O seu trabalho missionário continua através da irmã Nirmala, eleita no dia 13 de março de 1997 como sua sucessora.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Padres gostam da Internet


Como tive ocasião de dizer na altura, o Papa na sua mensagem para a Igreja Católica no Dia Mundial das Comunicações Sociais incitou os padres a aproveitar ao máximo os novos meios de comunicação. "Os padres são assim desafiados a proclamar o evangelho empregando as últimas gerações de recursos audiovisuais – imagens, vídeos, atributos animados, blogs, sites – que juntamente com os meios tradicionais podem abrir novas visões para o diálogo, evangelização e catequização", escreveu Bento XVI.
Ora segundo um estudo internacional, a que responderam cinco mil sacerdotes, os padres portugueses são os que têm uma visão mais positiva sobre o uso da Internet, considerando que esta poderá ser útil ou mesmo muito útil. Para a maioria dos padres nacionais “as novas tecnologias permitem a inculturação da fé no mundo de hoje”. Três quartos dos sacerdotes afirmam que as tecnologias permitem uma melhor evangelização dos jovens e assumem muita relevância junto da população em geral. Também nesta matéria, os sacerdotes nacionais são mais optimistas do que os seus colegas e acedem mais à internet do que eles – 95,5% fazem-no todos os dias.
Estes resultados constam de um estudo divulgado pela Agência Ecclesia, que foi realizado pela New Media in Education, pela Universidade da Suíça italiana e pela Universidade Santa Cruz de Roma, junto de padres católicos em todo o mundo.
Os resultados mostram que 78,6 por cento dos padres portugueses têm uma visão muito positiva da Internet, sendo que destes 47.1 por cento a considera útil ou muito útil. No que se refere à relação oportunidades/perigos 64,1 por cento dos sacerdotes nacionais discorda da afirmação de que «os perigos são maiores que as oportunidades», enquanto que no resto do mundo esse valor é de 38,2 por cento.
No que se refere ao acesso à Internet, em Portugal 95,5 dos padres que usam esta tecnologia fazem-no diariamente, estando a média mundial nos 94,7 por cento.
A maioria dos sacerdotes procura material para suas homilias e sermões (61,5% ao menos uma vez por semana).

terça-feira, 13 de julho de 2010

Jovens que partem


Nos últimos anos tem vindo a aumentar o número de jovens portugueses que partem para países lusófonos, oferecendo o seu tempo de férias ao serviço de projectos de voluntariado missionário, que ajudam algumas das populações mais pobres do mundo. Este despertar da consciência missionária é um fenómeno muito relevante na vida da Igreja dos nossos dias, fruto de um processo gradual que tem gerado um novo dinamismo.
A "revolução" eclesiológica do II Concílio do Vaticano estimulou uma nova participação dos leigos na vida da Igreja, com repercussões óbvias na Missão. Assim, foi ultrapassada uma visão que limitava a cooperação à oração pelas Missões e ao gesto de partilha material, no Dia Mundial das Missões.
Em 2010, 360 voluntários de cerca de cinquenta entidades diferentes em Portugal vão partir em missões de cooperação internacional, para Moçambique, Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Brasil, Timor-Leste, República Centro Africana, Colômbia e Zâmbia. Os jovens são quem, cada vez em maior número, doam um pouco da sua vida ao mundo missionário.
Os números actuais do voluntariado missionário são incomparáveis aos que deram início a este movimento, na década de 80. Os leigos missionários são todos aqueles que, em ligação com uma das entidades associadas a este projecto, queiram trabalhar, pelo menos durante um ano, em projectos de cooperação ou de evangelização com a Igreja Católica.
Num mundo global e interdependente, que “nos torna vizinhos, mas não nos faz irmãos” (Bento XVI, Caritas in Veritate, n.º 19, 2009), o Voluntariado Missionário pretende ser uma resposta de fraternidade à desatenção que caracteriza o tempo em que vivemos. Anualmente, muitos são os que, reconhecendo o valor da ajuda responsável e solidária, partem em missões de desenvolvimento que geram relações de afecto e proximidade com as populações locais.
Em Portugal, tal acção é visível, “sobretudo através dos jovens que todos os anos, e cada vez em maior número, doam, com alegria e generosidade, um pouco da sua vida ao mundo missionário, e que regressam com novo entusiasmo, que temos de saber acolher, estimular e multiplicar (…).” (Como eu vos fiz, fazei vós também – Para um rosto missionário da Igreja em Portugal, Carta Pastoral dos Bispos de Portugal, n.º 24, 2010). Nascido há 22 anos de forma espontânea, o Voluntariado Missionário é hoje uma realidade consolidada, que assume uma forte expressão e reconhecimento no nosso País.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Fé e ciência não se opõem


Dono de um currículo impecável dentro do mundo científico e de um entusiasmo contagiante em relação a tudo o que se refere à genética, Collins foi encarregado de encabeçar um consórcio público integrado por centros de pesquisa norte-americanos, britânicos, franceses, alemães e japoneses – os chineses vieram mais tarde – com a tarefa hercúlea de sequenciar todos os três biliões de pares de bases que constituem o DNA humano.
Entre 1995 e 1999, Collins e sua equipe protagonizaram, com a Celera Genomics, do cientista Craig Venter, uma competição acirrada pela primazia no anúncio do sequenciamento completo do “mapa da vida”. A corrida entre os consórcios público e privado culminou com um anúncio em conjunto, na Casa Branca, de que o Genoma Humano estava finalmente completo e pertencia, a partir dali, a toda a humanidade.
A data histórica ainda não havia completado seu sexto aniversário quando, em 2006, Collins lançou, nos Estados Unidos, o livro “A Linguagem de Deus”, no qual dava conta de que para ele não existia qualquer dilema entre fé e ciência. Em 300 páginas escritas com elegância e sinceridade, um dos mais notórios homens da ciência admitiu que acreditava piamente em Deus criador. A obra reacendeu o velho debate entre crentes e ateus, movimentou evolucionistas e criacionistas e suscitou embates históricos – o mais famoso deles deu-se entre Collins e o zoólogo e evolucionista britânico Richard Dawkins.
A polémica, no entanto, não foi suficiente para abalar o prestígio de Collins na comunidade científica ou afastá-lo das salas de aula e dos centros de pesquisa. Pelo contrário. No ano passado, ele foi nomeado por Barack Obama para dirigir os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, aos quais está directamente ligado o Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, que ele liderou ente 1993 e 2008.
Alheio à polémica gerada em torno de suas crenças, o cientista cristão acaba de lançar mais um livro. Intitulado “A Linguagem da Vida”, a obra é um apanhado sobre as mais recentes descobertas pós-genoma. Nela, Collins dá-nos conta – entre outras coisas – das maravilhas do Genoma e mostra ao leitor como a genética está conduzindo a medicina para o conhecimento do porquê das doenças. Um caminho onde, segundo ele, a personalização dos tratamentos já é uma realidade e a prevenção e a detecção precoce de doenças serão uma ciência cada dia mais precisa.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Falta de chamada ou de resposta?


Domingo próximo é dia de ordenações na nossa Diocese. Vamos ter mais 2 padres e três diáconos. Um destes seguirá mais tarde para o presbiterado. É pois dia de alegria para todos nós cristãos.
Um dos grandes problemas que aflige a igreja europeia é a falta de vocações para o sacerdócio. Será que Deus não chama? Será falta de resposta positiva dos chamados? E, neste caso, será que os jovens não sentem coragem para se dedicar a tempo pleno a Deus e à Igreja ? Ou será que a família, os catequistas ou os padres não chamam?!
Naturalmente que nenhum de nós sabe se é certa a sua resposta àquelas perguntas, mas pela minha experiência pessoal e pelo testemunho que hoje aqui trago a vocação ou chamamento é algo de pessoal que o jovem escuta e a que dá ou não o seu assentimento.
O Cardeal Pie, arcebispo de Poitiers, na França, costumava contar:
"Conheci perfeitamente um rapazinho pobre, nascido numa aldeia humilde de Chartres. Desejava muito ser sacerdote, mas os seus pais diziam-lhe que não era possível, porque não tinham dinheiro para pagar o seminário.
Certa vez, o pequeno entrou na Sé. Ao presenciar as cerimónias, tornaram-se mais fortes os desejos de ser sacerdote, mas... como consegui-lo?
Sem ser capaz de conter a sua tristeza desatou a chorar. Ao sair da igreja uma mulher, que vendia flores na praça, fixou-o e disse-lhe:
– Meu menino, porque choras? Que te fizeram?
Os soluços impediam-no de responder. Por fim falou, como quem confia um segredo:
– Eu queria ser padre, mas não tenho quem me ajude.
– Não te aflijas, filho, eu te ajudarei.
E assim foi. A vendedeira de flores trabalhava durante todo o dia e gastava as horas da noite a coser. Com o dinheiro que ia juntando, ajudou a pagar os estudos daquele rapazinho.
A vendedeira de flores já morreu. Os anjos levaram-na para muito alto no céu. O seu protegido vive e trabalha pela salvação das almas. Vós conhecei-lo. O pobrezinho que chegou a ser sacerdote, graças aos sacrifícios de uma santa mulher, sou eu, o vosso bispo".
Dizia Jesus:
– A seara é grande e os operários são poucos. Pedi ao Dono da seara que mande operários para a Sua messe.
Este é o nosso dever. O resto deixemo-lo nas mãos de Deus e na generosidade fiel dos que Ele chama.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Quando a Fé exige coragem


A Igreja Católica celebra hoje dois homens que vale a pena conhecer.
João Fisher e Tomás More são exemplo de fé e coragem perante um rei que os quer cúmplices da sua traição.
Vale a pena conhecê-los:
João Fisher;
Tomás More

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Deus continua a chamar


Kirstin Holum era uma das grandes promessas da patinagem de velocidade, tendo ficado em sétimo lugar nos Jogos Olímpicos de Nagano, no Japão, com apenas 17 anos. Agora, nos Jogos de Vancouver, deveria ser uma das estrelas mundiais na especialidade, mas pelo caminho descobriu que Deus tinha outros planos para ela e seguiu a sua vocação para a vida religiosa.
Foi numa peregrinação ao Santuário de Fátima que esta decidiu consagrar a sua vida a Deus. Logo depois de completar seus estudos em arte, incluindo uma tese sobre as Olimpíadas no Instituto de Arte de Chicago, Holum se uniu às Irmãs Franciscanas da Renovação, que se dedicam a "trabalhar com os pobres, os indigentes e pela evangelização".
Em entrevista ao Yahoo Sports, Kirstin Holum, hoje conhecida como a Irmã Catherine, diz que apesar da patinagem ser “uma imensa parte da minha vida”, descobriu “este apelo incrivelmente forte que me dizia que era tempo de seguir um caminho diferente na minha vida”. Eu ainda adorava o desporto
"Quando dou o meu testemunho, é divertido ver a reacção dos jovens logo depois de lhes dizer que estive numa Olimpíada", brinca e acrescenta que "seus olhos se abrem muito e ficam mais atentos. É muito bom compartilhar com eles".
"Sei que não é exactamente o que alguém esperaria, mas acredito que é bom que as pessoas saibam que os membros de uma ordem religiosa podem chegar de qualquer contexto ou forma de vida. Afinal, tudo é questão de compromisso com a mensagem" do Evangelho, acrescenta a irmã Catherine.
O mundo da patinagem também não esqueceu a grande atleta que foi a agora irmã Catherine. Shani Davis e Tucker Fredricks, que competem pelos Estados Unidos em Vancouver 2010, e que cresceram treinando na sua época de juvenis com Holum, recordam-na com apreço. “Que tenha a melhor sorte”.
"Não é fácil pensar que as coisas poderiam ter sido diferentes para mim e que agora poderia estar a participar de outras Olimpíadas, mas definitivamente não era o caminho que o Senhor tinha destinado para mim e por isso não me arrependo do caminho que tomei", conclui.

sábado, 12 de junho de 2010

No encerramento do Ano Sacerdotal


Carta ao New York Times

Queridos jornalistas:
Sou um simples sacerdote católico. E sinto-me feliz e orgulhoso da minha vocação. Há vinte anos que vivo em Angola como missionário.
Dá-me grande dor pelo profundo mal que pessoas que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de inocentes. Não há palavra que justifique tais actos. Não há dúvida que a Igreja não pode estar senão do lado dos mais débeis e indefesos.
Portanto todas as medidas que sejam tomadas para protecção e prevenção da dignidade das crianças serão sempre uma prioridade absoluta.
Vejo em muitos meios de informação, sobretudo no vosso periódico, a ampliação do tema de forma mórbida, investigando em detalhe a vida de algum sacerdote pedófilo.
Por outro vejo o vosso desinteresse por milhares e milhares de sacerdotes que se consomem para ajudar milhões de crianças, adolescentes e outras pessoas mais desfavorecidas nos quatro cantos do mundo.
Penso que ao vosso jornal não interessa que eu tenha tido de transportar, por caminhos minados no ano de 2002, a muitas crianças desnutridas desde Cangumbe a Lwena (Angola), pois nem o governo o fazia nem as ONGs estavam autorizadas; que tenha tido de enterrar dezenas de pequenos falecidos entre os deslocados de guerra e os que haviam retornado; que tenhamos salvado a vida a milhares de pessoas no Moxico, mediante o único posto médico em 90.000 km2, assim como com a distribuição de alimentos e sementes; que tenhamos dado a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas a mais de 110.000 crianças... Não vos interessa que com outros sacerdotes tenhamos tido que socorrer a crise humanitária de cerca de 15.000 pessoas nos aquartelamentos da guerrilha, depois da sua rendição, porque não chegavam os alimentos do Governo e da ONU.
Não é noticia que um sacerdote de 75 anos, o P. Roberto, percorra todas as noites as ruas de Luanda cuidando dos meninos da rua, levando-os a una casa de acolhimento, para que se desintoxiquem da droga; que alfabetizem centos de presos; que outros sacerdotes, como o P. Stefano, tenham casas de passagem para as crianças que são golpeadas, maltratadas e até violentadas e procurem um refúgio.
Tão pouco é notícia que Frei Maiato com seus 80 anos, passe casa por casa confortando os enfermos e desesperados.
Não é notícia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes e religiosos tenham deixado a sua terra e a sua família para servir a seus hermanos nuna leprosaria, em hospitais, campos de refugiados, orfanatos para niños acusados de hechiceros o huérfanos de padres que fallecieron com Sida, em escolas para os mais pobres, em centros de formação professional, em centros de atenção aos sero-positivos… e, sobretudo, en paroquias e missões dando motivação às pessoas para viver y amar. ......
Só lhe peço amigo periodista, busque a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso o fará nobre na sua profissão.
Em Cristo,
P. Martín Lasarte sdb

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ainda há gente íntegra!


O actor Neal McDonough, conhecido por suas actuações em mais de 20 filmes, como “Relatório Minoritário” e “A Bandeira do nosso país” e na série “Mulheres Desesperadas” foi despedido pela cadeia ABC da produção televisiva Scoundrels por negar-se a filmar cenas de sexo explícito, algo que vai contra seus princípios católicos.
Embora a cadeia ABC dissesse que sua saída se deveu a “mudanças no casting inicial”, diversos meios como LifeSiteNews.com informam que a verdadeira razão foi a sua negativa a realizar cenas de sexo explícito.
A postura de McDonough não é nova. Este actor, casado e pai de três meninos, já tinha recusado anteriormente rodar cenas de sexo quando interpretava o marido da actriz Nicolette Sheridan na quinta temporada da série “Mulheres Desesperadas”, também da ABC, assim como na série Boombtown da NBC.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Vocação radical


Chegou-me às mãos um pequeno livro autobiográfico onde a Irmã Raquel Silva de Vila de Conde conta a história da sua vocação. Nesse livro, lançado em Novembro passado, ela perpassa todo o seu percurso de vida, desde menina adolescente avessa à religião, até jovem adulta que encontrou a felicidade num Mosteiro de Clausura. Uma escolha “radical” que nem todos entendem ou aceitam.

“Tudo começou aos doze anos – apenas dois anos depois da primeira Comunhão –, quando decidi não mais me confessar, achando que bastava pedir perdão directamente a Deus. O meu fascínio pela ciência, em particular pela astronomia, desenvolveu em mim uma visão materialista da realidade, fazendo-me desembocar num ateísmo convicto aos quinze anos. Obrigada pelos pais a ir à Missa, aos dezassete anos senti claramente a presença de Deus no momento da Comunhão. Compreendi que Deus afinal existe, mas abandonei a Missa, que considerava uma simples cerimónia para recordar a Deus”.

“No entanto, aquele chamamento aos dezassete anos motivou o meu regresso à Missa aos vinte e quatro anos, acompanhado de grande alegria. E foi então que Deus me atraiu a consagrar-me inteiramente a Ele: no momento de me deitar, quando me preparava para adormecer, brotou dentro de mim um súbito e espontâneo desejo de uma entrega total a Deus, desejo jamais sentido ou imaginado e com o qual agora, inexplicavelmente, me identificava por completo. Não resisti, entreguei-me à sua vontade e procurei-a no silêncio da oração. E foi o silêncio tornando-se cada vez mais o habitat natural da minha alma”.

O referido livro, que se lê num fôlego, pode ser adquirido numa boa livraria ou pedido para “Edições Tenacitas” de Coimbra pelo tel. 239 712 865 ou por e-mail: geral@tenacitas.pt.

sábado, 22 de maio de 2010

Vocações na Igreja de Coimbra


Estamos a celebrar a Festa do Pentecostes, a vinda do Espírito Santo.
E foi com alegria que por estes dias os jornais da Diocese deram a notícia: mais 8 rapazes aceitaram o repto e querem estudar a sua vocação para o sacerdócio.
Assim vão integrar o Pré-Seminário e juntar-se a outros que já lá andam.

Continua o Pré-Seminário de Coimbra a ser um sinal de esperança, quer nas actividades realizadas, quer no acompanhamento pessoal dos mais velhos, quer mesmo no grande número de jovens que acabam por entrar no Seminário Maior.
Recorde-se a propósito, que da nossa Diocese há 15 seminaristas em Coimbra e mais 3 no Ano Propedêutico em Leiria… Algo inédito (pelo menos) nos últimos 15 anos. Refira-se a título de exemplo que em 1996 havia 7 seminaristas e em 2000 apenas 6. O ano que teve mais foi em 1997 quando houve 10 seminaristas.


Mais uma vez se confirma que o Espírito não deixa de inquietar e chamar. E há sempre quem ouve a sua voz.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Perseverança premiada


Um homem, Soichiro Honda, investiu tudo o que tinha numa pequena oficina. Trabalhava dia e noite, inclusive, até dormia na própria oficina. Para poder continuar os negócios, empenhou as próprias jóias da esposa.
Depois foi apresentar o resultado final de seu trabalho a uma grande empresa. Disseram-lhe:” Temos pena, mas o seu produto não atende ao padrão de qualidade exigido”.
Que iria fazer este homem? Desistir?! Não!
Voltou à escola por mais dois anos, onde é gozado pelos colegas e até alguns professores que o chamam "visionário".
O homem fica chateado e desiste?! Não!
Passados esses dois anos, a empresa que o recusou finalmente fecha contrato com ele.
Vem a guerra, a sua fábrica é bombardeada duas vezes, sendo em grande parte destruída. O homem desespera e desiste? Não! Reconstrói a fábrica. Mas um terramoto novamente a arrasa. Essa parece ser a gota d'água que faltava para o homem desistir. Mas não!
Após a guerra segue-se uma grande escassez de gasolina em todo o país e este homem não pode sair de automóvel nem para comprar comida para a família. Ele entra em pânico e desiste? Não! Criativo, ele adapta um pequeno motor à sua bicicleta e sai às ruas. Os vizinhos ficam maravilhados e todos querem também as chamadas "bicicletas motorizadas".
A encomenda de motores aumenta muito e logo ele fica sem mercadoria. Decide então montar uma fábrica para essa nova invenção. Como não tem capital, resolve pedir ajuda para mais de quinze mil lojas espalhadas pelo país. Como a ideia é boa, consegue apoio de mais ou menos cinco mil lojas, que lhe adiantam o capital necessário para a indústria.
E hoje a HONDA CORPORATION é um dos maiores impérios da indústria automobilística japonesa, conhecida e respeitada no mundo inteiro. Tudo porque o Sr. Soichiro Honda, o seu fundador, não se deixou abater pelos terríveis obstáculos que encontrou pela frente.

sábado, 15 de maio de 2010

O valor da Família


Hoje celebra-se o Dia Mundial da Família.
A família sempre teve um papel fundamental no bem-estar dos povos e dos indivíduos. E hoje o seu papel continua a ser essencial mas é mais difícil. É que apareceram outros educadores e os pais por vezes não têm tempo ou acham que os outros podem substituí-los. O certo é que os problemas agravaram-se e o acento tónico na realização individual secundarizou o bem-estar da família.
No mundo de hoje, muitas famílias são atormentadas pelo conflito e arrasadas pela negligência e o abuso. O divórcio tornou-se uma ideia que passa pela cabeça de muita gente e que, em muitos casos, se torna uma realidade.
Muitos esposos abandonam a família por dá cá aquela palha. Muitos pais facilmente fogem aos deveres de educar e preparar seus filhos para a vida, perturbados pelo conflito com seus rebentos rebeldes.
Pelo que se vê, é bem verdade o que diz a Bíblia:
"Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela" (Salmo 127:1).

terça-feira, 11 de maio de 2010

Papa em Portugal

O Papa Bento XVI está a efectuar uma visita a Portugal. Para além de Lisboa e Porto, Sua Santidade deslocar-se-á ao Santuário Mariano de Fátima, onde presidirá às cerimónias religiosas de 13 de Maio.
Esta visita será a quinta deslocação de um Papa a Portugal. A primeira deslocação foi efectuada por Paulo VI, a 13 de Maio de 1967, para assinalar os 50 anos das primeiras aparições. Na altura, e decerto para mostrar o desagrado do Vaticano para com o regime político português de então, Paulo VI deslocou-se unicamente a Fátima, tendo o avião da Alitália que o transportou aterrado na base de Monte Real.
João Paulo II efectuou três deslocações a Fátima, integradas em visitas a Portugal. A primeira foi a 13 de Maio de 1982 e destinava-se sobretudo a agradecer a Nossa Senhora a protecção que lhe concedeu no atentado de que fora vítima no ano anterior, a 13 de Maio, em plena Praça de São Pedro. A segunda viagem ocorreu a 13 de Maio de 1991, para assinalar mais um aniversário das aparições. A terceira e última viagem, a 13 de Maio de 2000, em pleno Ano Jubilar, teve como objectivo presidir à cerimónia de beatificação de Francisco e Jacinta, dois dos pastorinhos que presenciaram as aparições em 1917.
São poucos os países que se podem orgulhar de ter tido cinco visitas de um Papa. Isto mostra a importância que o nosso país tem – e sobretudo Fátima – no coração dos Chefes da Igreja. E D. Jorge Ortiga, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, acredita que haverá resposta positiva dos portugueses a este sentimento papal
“Creio que é um momento de grande alegria e estou plenamente convencido de que será uma ocasião de festa”, assinala o referido Prelado.
“Queremos caminhar com o Papa e sabemos que ele quer caminhar connosco, particularmente na área da missão da Igreja, que tem de ser desempenhada com autenticidade, com verdade, com responsabilidade”, prossegue.
Neste tempo de crise, esperamos que a vinda de Bento XVI traga as bênçãos de Deus para todos, sobretudo para os que mais sofrem.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A indiferença que mata


A história de Hugo Alfredo Tale-Yax é impressionante e bem reveladora do egoísmo e indiferença das pessoas do nosso mundo ocidental.
Foi na madrugada de domingo 17 de Abril, que este homem de 32 anos, natural da Guatemala, e que passou a sem-abrigo após perder o emprego, percebeu que uma mulher estava a ser assaltada por um homem armado com uma faca. Hugo Alfredo conseguiu salvar a mulher mas foi golpeado pelo criminoso. Ainda assim tentou apanhá-lo mas caiu desamparado no passeio.
Ao longo de hora e meia dezenas de pessoas foram passando por este moribundo mas não ligaram. Tudo isto foi gravado por uma câmara de vigilância. Quando os bombeiros foram chamados, já nada havia a fazer. Por baixo do cadáver de Hugo Alfredo Tale-Yax estava uma poça de sangue. A polícia de Nova Iorque, que reconstruiu a história do assalto através de imagens de câmaras de vigilância, procura agora a mulher assaltada e o homem que terá esfaqueado o sem-abrigo até à morte, escreve o “Washington Post”.
Todos conhecemos a parábola de Jesus sobre a indiferença de um sacerdote e de um levita judeu e a ajuda de um samaritano a um homem vítima de um assalto. Agora são pelo menos 20 pessoas a passar perto do sem-abrigo e nem uma foi capaz de o socorrer. Nem mesmo a mulher que Hugo Alfredo tentou ajudar o socorreu.
Por momentos, pareceu que alguém teve pena do sem-abrigo e se aproximou, mas foi apenas para tirar uma fotografia com o telemóvel!
Este não foi um acontecimento isolado. Infelizmente, vai-se repetindo em todo o lado a indiferença pelo que acontece ao vizinho do lado!

domingo, 2 de maio de 2010

Apesar de tudo, agradecido à mãe


Nem sempre as mães acolhem como é seu dever os filhos. Umas vezes porque são fruto de amores proibidos, outras pelas mais diversas razões. Foi o caso contado há dias pela comunicação social. Um estudante argentino conseguiu através do Facebook, uma das redes sociais mais populares do mundo, encontrar a mãe e outros familiares.
O jovem de 23 anos, que mora em Córdova com a família adoptiva, foi abandonado no hospital com apenas sete dias de vida. Em Março, resolveu criar uma página no Facebook intitulada «Busco a mi mama» («Procuro a minha mãe»), conseguindo a ajuda de 25 mil pessoas que se uniram à campanha.
«Há uma semana apareceu uma amiga da minha mãe biológica, que a ajudou naquela época. Chama-se Iris e disse-me onde morava a família da minha mãe. Viajei com os meus pais adoptivos à Villa del Totoral, e lá encontrei os meus avós, tios e primos», contou o jovem ao jornal Clarin, citado pela BBC.
Como a mãe não estava na cidade, o encontro só ocorreu passado uns dias. «Ela abraçou-me, pediu desculpas, e eu perdoei e agradeci-lhe por me deixar ter vida», afirmou Mauricio.
«Eu queria agradecer porque ela deixou-me nascer, não me abortou. Manteve-me vivo durante os sete meses da gravidez», contou o rapaz, que garante estar agora «muito mais tranquilo e feliz» por conhecer a família de sangue.
Neste dia da mãe, saibamos agradecer os sacrifícios que as nossas mães passaram para que hoje possamos ser o que somos. E mesmo os adoptados, têm alguma coisa a agradecer: a vida.

sábado, 24 de abril de 2010

Judeu defende Pio XII


Chama-se Gary Krupp, tem 62 anos, e tornou-se com o rabi David G. Dalin uma das mais destacadas figuras da comunidade judaica, a entender que Eugenio Pacelli, futuro Pio XII, trabalhou de forma activa, ainda que discretamente, para salvar muitos judeus perseguidos pelo regime nazi. Começou por ver em Pio XII uma figura detestável por não ter ajudado os judeus durante a II Guerra Mundial. Hoje, é um dos maiores defensores daquele que um livro nos anos 90 classificou como o "Papa de Hitler".
Há seis anos que se dedica a reunir materiais que refutem as acusações de que Pio XII é alvo. Para este judeu americano, o Papa Pacelli "foi o maior herói da II Guerra Mundial"
Perspectiva partilhada pelo professor de história americana e judaica, além do rabi David G. Dilan, que defende ter Pio XII salvo "quase 85% dos judeus" que viviam em Itália. Para Dalin, é importante ter presente que "muitos judeus famosos – Albert Einstein, Golda Meir, Moshe Sharett [2.º chefe do Governo de Israel], Isaac Herzog [principal rabi dos judeus asquenazes entre 1937 e 1959] e outros expressaram publicamente a gratidão a Pio XII".

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Esperança cura drogas


O padre franciscano Hans Stapel é um sacerdote que já muita gente conhece pela sua obra de tratamento e cura de drogados – a Fazenda da Esperança. Incansável, actua numa batalha árdua, desde 1983, quando criou um dos projectos mais respeitados de recuperação de dependentes de drogas, com unidades no Brasil e em mais outros 11 países do mundo. Quando há dois anos o Papa foi ao Brasil, quis ver com os seus próprios olhos e de alguma maneira enaltecer este trabalho persistente daquele padre.
O êxito da cura é de 84% e alcança-se sem drogas de substituição e sem a mediação de psicólogos. A descoberta do amor de Deus faz milagres. Assim as Fazendas converteram-se em centros de fraternidade e de evangelização.
Tudo começou quando este homem, na altura ainda jovem e apenas como voluntário católico, esteve na guerra do Biafra a participar na distribuição de alimentos e remédios.
Ao ver tanta injustiça e destruição, veio-lhe a vontade de pegar numa arma e resolver as situações com a violência. Foi a Palavra de Deus que mudou radicalmente a sua vida. Tornou-se sacerdote e, no Brasil, deu início a esta obra.
Quando chegou a Guarantiguetá só tinha uma ideia na cabeça: viver o Evangelho. Na sua oração rezava: «Tu sabes, Senhor, que eu não sei o que é ser pároco. O pároco desta terra serás Tu. Eu ajudarei como puder».
O Padre Hans Stapel começou por acolher a cada pessoa como se fosse a única que tinha de amar naquele momento.
E o caso que primeiro o preocupou foi o de uma jovem grávida que lhe pediu ajuda. Não tinha que comer nem onde ficar. O padre acolheu-a e arranjou-lhe uma família para criar a criança. Depois apareceram drogados que precisavam de quem deles cuidasse. E pouco a pouco foi nascendo uma obra que hoje tem projecção mesmo em alguns países da Europa. E já recuperou cerca de 15 mil pessoas.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Tempo de páscoa


Neste tempo pascal, vale a pena pensar em tantos cristãos que hoje vivem oprimidos, sem liberdade de exprimirem a sua fé. A exemplo de Jesus Cristo são perseguidos e mortos, vítimas da intolerância política ou religiosa.
Sempre admirei estes irmãos que mesmo assim não abandonam a sua fé, antes a proclamam com verdadeiro heroísmo. É a fé na ressurreição que lhes dá esta coragem de enfrentar a discriminação e até a morte. À maneira dos primeiros cristãos, quase podíamos dizer que para eles o sofrimento e a morte pouco contam, pois sabem que os espera uma Vida melhor.
Conta-se que, na Rússia, nos tempos da revolução comunista, após uma sessão de propaganda do ateísmo, onde muito se tinha falado contra a religião, o dirigente marxista perguntou se alguém tinha alguma coisa a dizer. E, depois de alguns breves momentos de silêncio, levantou-se um homem. Dirigindo-se à tribuna, exclamou corajosamente: «Cristo ressuscitou! Aleluia! Aleluia!»
E num coro imenso, a assembleia respondeu:
«Ressuscitou verdadeiramente, aleluia, aleluia!»
Este grito de fé tinha posto por terra todo o trabalho daqueles que ali tinham vindo implantar os ideais ateus.
Num mundo cheio de problemas de toda a ordem, não podemos desanimar. Cristo está vivo. Ele está no meio de nós. A vitória que vence as dificuldades que encontramos na nossa vida ou à nossa volta é a fé. A fé centrada na vitória de Jesus Cristo sobre a própria morte.
A celebração da Páscoa de Cristo tem de nos ajudar a superar os nossos medos. "Ò morte, onde está a tua vitória?" – exclama S. Paulo. E continua: "Se Deus está por nós, quem poderá estar contra nós? Quem nos poderá separar do amor de Cristo? Nada. Nem o sofrimento, as dificuldades, a perseguição, a fome, a pobreza, os perigos, a morte. Nem as forças deste ou do outro mundo. Nada nem ninguém."

sábado, 20 de março de 2010

Aborto na União Europeia


A cada 26 segundos uma mulher faz um aborto na União Europeia, o que totaliza mais de 3300 por dia, constituindo «a principal causa de morte na Europa», revela um relatório do Instituto de Política Familiar (IPF).
O relatório sobre o «Aborto da Europa 2010» revela que se realizam mais de 1,2 milhões de abortos por ano nos 27 países da União Europeia, informa a Lusa.
«Os dados apontam para milhares de tragédias pessoais, familiares e comunitárias», que são um desafio prioritário para a sociedade em geral e para os governos, afirmou o presidente do IPF, Eduardo Hertfelder.
Para o IPF, é «necessário e urgente» que as autoridades apliquem uma verdadeira política de prevenção baseada no aumento da ajuda do Estado, com apoio económico para a mulher grávida, e na informação de prevenção, nomeadamente as alternativas ao aborto.
«Continuar a esconder a realidade não é a solução. É necessário ter um compromisso firme para a vida e fazer uma política eficaz da prevenção e ajudar as mães grávidas a ter as suas crianças», sustentou o responsável.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Ainda há gente boa!


Não sei se o meu leitor já alguma vez ficou sem gasolina no meio da estrada e longe de casa. A mim já me aconteceu há uns bons anos e fui socorrido por alguém que me não conhecia de lado nenhum. Mas era de dia e pude vir para a estrada para fazer sinal de que precisava de auxílio.
Há dias uma senhora contou-me que ficou sem gasóleo, de noite e a chover torrencialmente. Logo por azar nem telemóvel nem guarda-chuva tinha. Dentro do carro, foi fazendo sinais para alguém parar e a ajudar. Mas nada! Resolveu então sair do carro e meter-se à chuva. E alguém parou e foi arranjar-lhe combustível.
Quando lhe quis pagar, ouviu uma resposta inesperada:
"Não é nada! Desde menino ouvi dizer que ajudar quem precisa é emprestar a Deus.”
A mulher quis pagar-lhe ao menos o gasóleo, Mas o seu benfeitor disse-lhe:
“Se me quiser pagar, ajude quem vir necessitado!”
Num mundo em que tanta gente só pensa no dinheiro e até os irmãos se deixam de falar por causa das partilhas, faz bem saber que ainda há gente capaz de gestos como estes.
E aquela senhora rematou a sua conversa, dizendo-me:
“Abençoado homem, que até a mim me ensinou que quem ajuda o que precisa nunca deixará de ter a paga de Deus!”

sábado, 6 de março de 2010

A verdade vem sempre ao de cima


Têm sido muitos os ateus que acusam as religiões de todos os males. Um deles, Saramago, dizia há pouco tempo: “O mundo seria melhor se não fossem as religiões”.
Mas nem todos os ateus alinham por esse diapasão. É o caso de Bruce Sheiman que escreveu um livro com o sugestivo título: “Um Ateu Defende a Religião: Por que a humanidade está em melhor situação com a religião do que sem ela”.
Nessa obra, Sheiman diz que, apesar de não ser uma pessoa de fé, sabe que "a religião oferece uma combinação de benefícios psicológicos, emocionais, morais, existenciais, físicos e até mesmo à saúde que nenhuma outra instituição pode dar."
E mais à frente diz: "A religião também pode trazer malefícios, mas as acções benéficas realizadas diariamente por biliões de pessoas é a verdadeira história da religião, que acompanha o crescimento e a prosperidade da humanidade".
Um dos benefícios da religião é dar sentido à vida. De acordo com Sheiman, estamos conscientes de que vivemos num mundo de grande poder e potencialidade, mas, em contraste com os animais que só vivem numa relação utilitarista com o mundo, os seres humanos estão conscientes de que este mundo existe fora de nós mesmos.
O autor, em seguida, relata alguns exemplos de sociedades primitivas que procuravam dar sentido a suas vidas por meio da religião. Os mitos e rituais dos povos ajudaram a unir a realidade material e mortal com o ‘eterno e espiritual’. Ao longo do tempo, temos crescido como civilização em grande parte devido à religião, argumenta. Isto leva-nos a concluir que a religião global teve um impacto positivo, conclui.
Seria possível imaginar a alternativa de uma trajectória de progresso sem religião. Mas isso seria inacreditável, de acordo com Sheiman. Os historiadores não podem identificar qualquer outra força cultural tão robusta como a que a religião realizou ao longo dos séculos.
Sheiman também critica a leitura selectiva da história, realizada por parte de alguns ateus, que só realçam o que de negativo fez esta ou aquela pessoa religiosa, mas esquecem o que de formidável tantos outros religiosos fizeram.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O exemplo dos muçulmanos


O sector encarregado dos transportes públicos de Londres publicou um comunicado a pedir desculpa por um dos seus motoristas ter parado o autocarro a meio de uma viagem para poder rezar. No dia 8 de Fevereiro, esse motorista que circulava na parte norte de Londres parou o seu veículo, estendeu um tapete no meio da calçada, tirou os sapatos, virou-se para Meca e começou a rezar em Árabe, segundo os meios de comunicação locais.
A Transport for London (TfL), que coordena os autocarros da capital, lembrou que respeita as crenças religiosas de seus empregados, mas pediu que não rezem durante suas horas de trabalho.
A "TfL pede desculpas aos passageiros por qualquer prejuízo que lhes tenha sido causado", declarou o organismo, afirmando que vai lembrar os condutores que precisam rezar que o façam "durante seus intervalos".
Trago para aqui esta notícia que a muitos parecerá bizarra para lembrar que nós cristãos temos muito a aprender com os muçulmanos no que diz respeito à necessidade de rezarmos.
O Evangelho de S. Lucas 18:1 diz-nos que devemos orar sempre, sem nunca esmorecer. Se Jesus diz isto é porque Ele sabia que a oração é muito importante para cada um de nós..
Então, para chegarmos a esse nível de prática da oração que a Palavra do Senhor determina – orar sempre, sem nunca esmorecer – , temos de cultivar dentro de nós o desejo de orar. E isso só será gerado quando amarmos verdadeiramente a Deus.
Quem ama, faz tudo para estar o máximo de tempo com a pessoa ou coisa amada! Se amamos a Deus, procuramos estar com Ele, mesmo sem dizer nada.
Os muçulmanos têm obrigação de orar cinco vezes ao dia, e isso em horas determinadas. Assim se compreende que aquele homem tenha parado o autocarro para cumprir o seu dever, quando viu que eram horas de o fazer. Todo o muçulmano anda sempre com um tapete para, quando chegar a hora, parar tudo para se ajoelhar em direcção a Meca e rezar. Nós os cristãos não precisamos de parar a horas determinadas para o fazer. Mas temos obrigação de orar a qualquer hora e sem esmorecer ou por preguiça ou por não vermos resultados.
A Quaresma também nos pode ajudar a ser fiéis a esse dever.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Tempo da Quaresma


Com a imposição das cinzas, inicia-se uma quadra particularmente relevante para todo o cristão que se quer preparar dignamente para viver o Mistério Pascal, quer dizer, a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus.
Essa quadra, chamada Quaresma por ser de quarenta dias, é um tempo oportuno para rever a nossa caminhada de cristãos que querem seguir Jesus.
Esse tempo é muito rico de símbolos, pois lembramos os quarenta anos da peregrinação de Israel pelo deserto a caminho da terra prometida. Essa experiência do deserto foi muito importante porque colocou o povo diante da opção entre o Deus revelado a Abraão, e os ídolos. Lembramos ainda os quarenta dias, que Moisés jejuou no monte Sinai (Ex. 34,28), quando houve a manifestação de Deus, e lhe deu as tábuas da lei, contendo os dez mandamentos. Recorda-nos também o tempo que o profeta Elias caminhou em direcção do monte Horeb (1Rs 19,8), onde teve uma grande experiência espiritual.
Geralmente, as nossas comunidades procuram imitar Jesus Salvador que jejuou quarenta dias no deserto, depois do seu baptismo no Jordão (Mt 4,2 ; Lc 4,1). O deserto, na concepção bíblica, é considerado o lugar da provação, da experiência da solidão e de penitência. É o lugar do encontro consigo mesmo e da reflexão, diante das grandes decisões que marcam etapas na história da salvação.
A Quaresma é convite à penitência, à conversão, à oração e à reflexão. Por isso, somos convidados a seguir mais no caminho que Jesus nos ensinou e a recuperar valores perdidos do cristianismo para a construção do Reino de Deus.
A grande mensagem é “Convertei-vos e acreditai no Evangelho".

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Uma santa ousadia juvenil


Talvez alguém leve a mal de falarmos de velórios no Carnaval, mas alguns fazem deles verdadeiro carnaval.
Todos sabemos que o velório dos defuntos serve para muita coisa que não devia servir. Como dizia alguém, por vezes “aí se enterram os vivos e desenterram os mortos.”
Um nosso leitor telefonou-me mesmo para dizer que ficou muito aborrecido porque alguns dos presentes em certo funeral de pessoa cristã lhe disseram que rezar o terço não estava de acordo com as leis da Igreja.
Há dias contaram-me que uma jovem no velório do seu avô, vendo que as pessoas não se calavam, decidiu levantar a voz para censurar o que se estava a passar. E disse com a irreverência própria da idade:
– Desculpem! Mas todos sabem que o meu avô, se agora pudesse falar, diria que não gostava do que se está a passar neste velório. Sei que ele gostaria que guardassem as conversas para outro lado e fizessem o maior silêncio possível ou rezassem. Não levem a mal mas ou rezem comigo ou vão à vossa vida. Desculpem! Desculpem!
Quero aqui deixar um louvor a esta jovem. A sua ousadia só pode ser criticada por quem não tem capacidade para entender que um velório deve ser uma comunhão na dor de quem perdeu um ente querido e uma ocasião de reflectir e rezar. Aquilo que se passa em muitos velórios é desumano e anticristão. Se querem conversar, deixem a sala onde está o defunto e procurem um sítio mais próprio para isso.
Não é preciso estar sempre a rezar e muito menos em voz alta: o silêncio também é importante. Mas deve haver comunhão com o que partiu e com os seus familiares que ali estão horas e horas seguidas. O barulho só serve para os debilitar ainda mais.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Dia Mundial do Doente


No dia 11 de Fevereiro a Igreja celebra o Dia mundial do Doente. E o Vaticano publicou mais uma vez uma mensagem do Papa Bento XVI para esse dia. Este ano, a mensagem dirige-se particularmente às crianças enfermas e sofredoras.
Muitos destes pequenos seres humanos têm «enfermidades que causam invalidez; outros lutam contra males hoje ainda incuráveis, não obstante o progresso da medicina e a assistência de válidos cientistas e profissionais do campo da saúde. Existem crianças feridas no corpo e na alma em conflitos e guerras, e outras ainda, vítimas inocentes do ódio de insensatas pessoas adultas. Existem meninos e meninas "de rua", carentes do calor de uma família e abandonados a si mesmos; e menores profanados por pessoas sem escrúpulos, que violam a sua inocência, provocando sequelas psicológicas que as marcarão pelo resto da vida».
E o Papa continua:
«Não podemos ignorar o incalculável número de menores que morrem por causas como sede, fome, carência de assistência sanitária, assim como os pequenos refugiados, escapados de suas terras com os pais em busca de melhores condições de vida. De todas estas crianças, eleva-se um silencioso grito de dor que interpela nossas consciências de homens e cristãos».
A comunidade cristã não pode ficar indiferente diante de situações tão dramáticas – lembra o Papa.
Não deixemos, pois, de assistir dentro das nossas possibilidades aos nossos irmãos doentes, sobretudo os que estão mais sós ou carecem de maior ajuda. Prestar assistência aos doentes é uma das obras de misericórdia.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Urgente evangelizar


Já o saudoso Papa João Paulo II pedia na sua Carta Apostólica «O Rápido Desenvolvimento», de 24 de Janeiro de 2005:
«Não tenhais medo das novas tecnologias! Elas incluem-se "entre as coisas maravilhosas" – "inter mirifica" – que Deus pôs à nossa disposição para as descobrirmos, usarmos, fazer conhecer a verdade, também a verdade acerca do nosso destino de filhos seus, e herdeiros do seu Reino eterno.»
E o actual Papa vem dizer-nos o mesmo: É preciso usar os novos meios tecnológicos para anunciar Jesus Cristo. A missão já não se faz só nas igrejas ou entre amigos e conhecidos. O espaço de missão passou a ser o mundo.
O Papa não quer que ponhamos na gaveta os meios tradicionais de anunciar o Evangelho. Mas deseja que se actualize o modo de o fazer. E, em boa verda-de, isso já acontece. Talvez aconteça ainda de um modo pouco organizado ou, pelo menos, pouco reflectido. Mas, basta entrar na Net para perce-ber que Cristo já por lá anda.
Mesmo na nossa diocese, já são vários os padres e leigos que dedicam algum do seu tempo a usar estes meios para evangelizar.
“Para Bento XVI, as “vias de comunicação abertas pelas conquistas tecnológicas” tornaram-se um instrumento útil para abordar “ questões no âmbito das grandes mudanças culturais, particularmente sentidas no mundo juvenil”.
“Pondo à nossa disposição meios que permitem uma capacidade de expressão praticamente ilimitada, o mundo digital abre perspectivas e concretizações”, acrescenta.
Em pleno Ano Sacerdotal, o Papa escreve que o sacerdote acaba por encontrar-se como que no limiar de uma "história nova", porque “quanto mais intensas forem as relações criadas pelas modernas tecnologias e mais ampliadas forem as fronteiras pelo mundo digital, tanto mais o sacerdote será chamado a ocupar-se pastoralmente disso, multiplicando o seu empenho em colocar os media ao serviço da Palavra”.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A defesa da cruz




A decisão do Tribunal Europeu de Direitos Humanos que condenou os crucifixos nas salas de aula por ofenderem, segundo aqueles juízes, a liberdade religiosa dos alunos, está a unir os italianos na defesa daquele símbolo cristão.
Recordo que aquela sentença acabou por dar razão a uma mãe italiana moradora em Abano Terme, que reivindicou em 2002 ao instituto público Vittorino da Feltre (onde estudavam seus filhos) a retirada dos crucifixos das salas de aula. Os tribunais italianos negaram essa sua pretensão e ela recorreu para aquele tribunal europeu, que lhe deu razão.
Ao tomar conhecimento daquela decisão, todos os governantes da Itália disseram que não iriam aceitar a retirada da cruz das escolas públicas, pois não reconheciam legalidade a tal decisão. "É uma decisão não vinculativa, sem condições de proibir a presença dos crucifixos nas salas de aula de nosso país", disse Berlusconi, em entrevista pública, após o Conselho de Ministros.
Sílvio Berlusconi referiu-se à presença do símbolo católico em outros sectores cosmopolitas. "Oito países da Europa têm a cruz na sua bandeira. Então, o que é que isto significa? Que essas bandeiras devem ser alteradas porque nesses países há estrangeiros que ganharam cidadania?", questionou.
E por toda a Itália começou uma verdadeira campanha a favor da cruz nas escolas e nos edifícios públicos, que não se ficou por palavras. Presidentes de Câmara chegaram a encomendar crucifixos para colocarem nos espaços públicos.
Por exemplo, em San Remo, no noroeste de Itália, o Presidente da Câmara Maurizio Zoccarato encomendou uma cruz de dois metros de altura para a Câmara Municipal e mandou os directores de todos os estabelecimentos de ensino colocar um crucifixo nas salas de aula. A fachada do Teatro Bellini de Catania, na Sicília, passou a ostentar uma grande cruz totalmente nova. Há cada vez mais comunidades italianas a encomendar crucifixos para as suas escolas. Por exemplo, em Sassuolo, na Província de Modena no Norte de Itália, a cidade encomendou 50 cruzes novas para serem penduradas nas salas de aula que ainda não têm. E coisas parecidas ocorreram e ocorrem por toda a Itália.
Aquilo que nenhuma campanha publicitária mais bem orquestrada conseguiria, está a verificar-se por oposição a uma sentença que fere o sentir mais profundo de um povo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Morreu com os pobres


Há pessoas que ao morrer deixam uma auréola enorme de santidade. É o caso de Zilda Arns que dedicou a sua vida a ajudar os mais pobres. Chegou a pensar em dar aulas, mas migrou para a Medicina e, desde sempre, para o trabalho voluntário.
“Em 1983”, lembra Zilda, “James Grant, na época director-executivo do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), propôs ao meu irmão, Dom Paulo Evaristo Arns (hoje cardeal-arcebispo emérito de São Paulo), que a Igreja Católica contribuísse para a diminuição da mortalidade infantil pela difusão do soro caseiro. Dom Paulo telefonou-me e propôs que eu escrevesse um projecto para apresentar à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.” Estava nascendo a Pastoral da Criança.
O trabalho como médica pediatra e de Saúde Pública (formou-se em 1959) deu-lhe experiência. “Desde muito jovem eu sonhava em trabalhar como missionária para poder ajudar crianças e famílias pobres a ter mais oportunidades e melhor qualidade de vida. Quando decidi ser médica, pensava em ir para lugares como as comunidades ribeirinhas da Amazónia e as favelas do Rio de Janeiro, para cuidar de crianças”.
Este sonho realizou-o largamente dedicando-se inteiramente à Pastoral da Criança. No ano passado, esta Pastoral acompanhou de perto 100 mil gestantes e 1,9 milhão de crianças pobres menores de seis anos. Foram, no total, 1,465 milhão de famílias acompanhadas em 42.672 comunidades, espalhadas por 4.120 municípios de todo o país. Quem faz esse trabalho é um exército de 272.373 voluntários, sendo 149.691 líderes comunitários, na grande maioria (mais de 90%) mulheres.
Em 2004, a doutora Zilda passou a coordenar também a Pastoral da Pessoa Idosa, criada naquele ano. São 6.500 voluntários em 276 municípios, que acompanham mensalmente mais de 36 mil idosos. No ano passado, ela foi indicada para o Prémio Nobel da Paz. E bem o merecia!
No passado dia 12 estava em serviço no Haiti e morreu, vítima do sismo, acompanhada de muitas outras pessoas pobres a quem queria também ajudar.
Que belo exemplo de dedicação esta Mulher nos dá a todos!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A Obra do Gaiato


Ao celebrar os 70 anos da fundação da Obra da Rua ou Obra do Gaiato, vale a pena recordar o seu fundador e o bem que fez a tantos miúdos sem família.
Depois de acabar o curso de Teologia no Seminário de Coimbra, o Padre Américo foi nomeado perfeito e professor do Seminário. Mas cansado e com um esgotamento cerebral, foi-lhe confiada a Obra da Sopa dos Pobres e aí encontrou a sua verdadeira vocação – o mundo dos sem-família. Pouco depois inicia as Colónias de Férias do Garoto da Baixa em Coimbra, estágio embrionário do que viria a ser posteriormente a Casa do Gaiato. O garoto vadio e sem o amor duma família passa a ser a sua principal preocupação. O «Quim Mau» que tantos perseguem e poucos compreendem passa a ser o emblema da sua Obra – a Casa do Gaiato.
E a propósito da necessidade que os miúdos sentem sobretudo de uma mãe que os acarinhe, deixo aqui um texto publicado há tempos pelo Padre João, antigo responsável da Casa do Gaiato de Miranda do Corvo.
«Numa das Casas do Gaiato por onde passei, era frequente observar as crianças com os bolsos das calças a "abarrotar"... berlindes, carritos, chaves, rebuçados... entre outras coisas: um "mini-mercado" ambulante! Quando, por "dois dedos de conversa", os interpelava, a minha pergunta pelo "recheio" era simplesmente uma espécie de password para aceder ao mundo mais vasto da sua intimidade, do seu coração.
Recordo-me que, num desses encontros inesquecíveis, uma das crianças quis mostrar o seu "baú"... Fê-lo de forma tão singela - como só as crianças ainda não molestadas pela desconfiança dos adultos – são capazes. O bolso foi-se esvaziando até que a certa altura dei-me conta de alguma atrapalhação... Havia algo escondido que parecia muito precioso e Intimo e que ali guardava: "Alguma moeda ou a chave da gaiola dos seus passaritos" – pensei comigo. Apercebendo-se mais da minha curiosidade, mete novamente a mão ao bolso e tira uma foto: "Trago aqui a minha mãe!..."
Apoderou-se de mim um sentimento contraditório; compaixão e revolta: "o ninho aos passarinhos!..." A criança à família!... E, se esta não for capaz nem competente mude-se de ninho, com cuidado, que pode enjeitar! Trate-se de arranjar quem substitua de forma inequivocamente maternal e paternal. Uma criança não é uma "coisa" mas um sujeito de direitos.»