quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Apóstolo dos leprosos na China


No mundo, muitas coisas são negativas mas muitas outras revelam-nos factos e pessoas que são estrelas brilhantes do amor ao próximo.

O padre Ruiz Suárez é uma destas estrelas. Pouco conhecido no ocidente e no país que o viu nascer há 95 anos – a Espanha –, é bem conhecido em Macau, antiga colónia portuguesa, e também em toda a China.

Nos últimos 67 anos, o padre Luis Ruiz Suárez, da Companhia de Jesus (Jesuítas) trabalhou com os mais pobres da China, sobretudo com os leprosos. Tem 95 anos e dirige 145 leprosarias, que atendem 10 000 doentes, e um centro para doentes com sida. O seu lema é: «Não há maior alegria do que fazer as pessoas felizes».

Em 1986, o padre Luis Ruiz Suárez, então com 73 anos, visitava, com a ajuda de uma moto, as missões dispersas. Um dia, o padre Lino Wong, seu amigo, contou-lhe que havia uma leprosaria em condições miseráveis na província de Guangdong, no Sudeste da China. Ali, numa ilha, as autoridades tinham depositado todos os leprosos. Então, uma noite, ele e o padre Lino foram lá numa lancha de pesca. Pareciam contrabandistas.

O padre Luis levou cigarros para dar aos leprosos. Quando chegou, deparou com um cenário aterrador, que nunca mais esqueceu: aquela gente vivia num lugar sujo e asqueroso. Centenas de pessoas agonizavam abandonadas, sem comida, sem roupas, sem qualquer tipo de ajudas.

Um leproso aproximou-se dele e o padre Luis estendeu-lhe a mão, para o cumprimentar. Reparou, nesse instante, que faltava ao homem uma parte do braço. A falta de algum membro ou de uma parte do corpo era comum a todos os habitantes da ilha. Então, ele acendeu os cigarros e colocou-os na boca ou nos cotos dos leprosos.

A ilha de Tai Kan (Cantão) foi, a partir de então, a sua missão. Em Macau tinha 25 freiras a trabalhar com ele. Pediu-lhes ajuda. Cinco foram com ele: uma espanhola, de Sevilha, e quatro indianas. Com o tempo, ergueram 40 leprosarias naquele território.

Em 1992, visitou os leprosos nas províncias de Yunnan e Sicuani, no Sudoeste da China. Dez anos depois, deixou a direcção da Cáritas chinesa, para se dedicar completamente aos leprosos. E ainda dirige 145 leprosarias, as quais atendem 10 000 doentes e, desde 2004, também um centro para tratamento de doentes com sida na província de Hunan.
Que belo exemplo de amor nos dá este "velhinho" de 95 anos!

6 comentários:

Em contra-corrente disse...

Que belo exemplo de amor nos dá este "velhinho" de 95 anos!", dizes. E concordo plenamente.
E digo mais: Tenho orgulho de pertencer a uma Igreja que tem pessoas destas.

Joaquim Costa disse...

Eu também concordo com o que escreve a Em contra-corrente.
São testemunhos destes que o nosso mundo egoísta precisa.

Anónimo disse...

Este Missionário SABE que Deus existe, e pelo seu trabalho é-nos dito que goza a vida em plenitude. Não precisa de slogans nos autocarros ingleses ou espanhois.
FF

Caros Amigos disse...

Diz-nos o Evangelho que a caridade nunca acabará.
São estes exemplos que o comprovam

Joaquim Costa disse...

Gosto de ler o teu blog pelos testemunhos que traz. Continua!

Anónimo disse...

o que eu estava procurando, obrigado