quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Obra do Padre Serra
Hoje vou falar do Padre Francisco Proença Serra e da sua Obra em favor de crianças e jovens órfãos. O padre Serra é um sacerdote salesiano, nascido na Covilhã como a Irmã Teresa Granado e no mesmo ano que ela – 1929.
Foi a partir do cargo de Director da Instituição Geral de Menores de Bragança que este sacerdote tomou contacto com a problemática social dos menores órfãos e abandonados. Com a sua vinda para Coimbra, o Padre Serra apercebeu-se da verdadeira dimensão que esta problemática atingia na nossa cidade. Arrendou, por isso, um imóvel de características senhoriais (conhecido como Palácio dos Fidalgos da Corujeira), para albergar algumas crianças e jovens, ainda que não apresentasse as condições sócio-habitacionais adequadas. O Padre Serra conseguiu,no entanto, que se realizassem algumas restaurações no edifício, erguendo, a 4 de Novembro 1973, a primeira comunidade – o "Lar de S. Martinho"– também sede da Obra do Padre Serra, e que ali funcionou até 1993.
Toda a estrutura sócio-institucional foi transferida, posteriormente, para a Quinta do Chafariz (em Fala), propriedade adquirida para construção da nova Sede e do centro dinamizador de toda a sua Obra. Com vocação para acolhimento de crianças pobres, orfãs ou abandonadas, residem, actualmente, no "Lar de S. Martinho" 30 jovens dos 14 aos 18 anos.
O crescente e elevado número de utentes, levou-o à criação de duas novas comunidades: em 1990, surge o Lar "O Girassol", (Quinta do Monte Belo – Alcarraques - Trouxemil), onde residem actualmente 30 crianças dos 6 aos 12 anos.
O “Lar de S. António” foi criado em 1987, na Fontela – Vila Verde – Figueira da Foz, com o objectivo de constituir residência para a totalidade da população utente, no período de férias no Verão. No entanto, em 1991, esta residência tornou-se também num lar de acolhimento permanente, que se passou a chamar "Casa da Criança Santo António", onde hoje residem habitualmente 14 jovens dos 14 aos 18 anos.
O "Lar Flor do Liz" em Leiria abriu em 1995 mas encontra-se actualmente em obras.
Numa conversa com o Padre Serra, fiquei a saber que todas as ajudas são bem vindas, pois a crise também se faz sentir – e de que maneira! – nesta Obra. Aqui fica, pois, o apelo aos nossos leitores.
Contactos: Lar de Infância e Juventude de S. Martinho do Bispo
Quinta do Chafariz – Fala 3040-083 Coimbra Telefone: 239802250
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
A Obra de Frei Gil
A Diocese de Coimbra foi chamada na Quaresma de 2009 a apoiar esta Obra e, por isso, ela já é conhecida pelo menos de nome por quase todos os meus leitores.
Com sede na Praia de Mira, esta Instituição foi fundada em 1942 por Frei Gil Alferes, Frade Dominicano, natural do concelho de Oliveira do Bairro, que fez alguns anos de estudo no Seminário de Coimbra.
Ainda conheci este Padre, que dedicou o melhor da sua vida aos rapazes sem família que os acolhesse.
Na entrada da Casa erguida em Ramalde – Porto, está uma placa com algumas palavras repetidas por Frei Gil. Elas ajudam a entender melhor a sua dimensão humana, cristã e sacerdotal:
"Não matem as crianças, dêem-mas... Sempre viverei entre os pobres e entre os pobres quero morrer. Traba-lho para os outros. Não quero nem faço nada para mim ".
Já muito doente, respondeu um dia a Frei Bernardo quando este disse que lhe traria uma cama articulada, para o aliviar do seu sofrimento: " ...mas a cruz de Cristo não era articulada..."
A Obra deste Homem sobreviveu-lhe. Ele faleceu em 1979. A Diocese de Coimbra acarinhou-a como sua. E o Cónego Aníbal Castelhano é hoje o seu responsável em nome da Igreja Diocesana.
Vivem dias difíceis as instituições do género e esta não é excepção. Vivendo de subsídios estatais – que cobrem cerca de metade das despesas – e da generosidade das pessoas, sofrem a crise como os pobres, porque os donativos diminuem.
Estes “Testemunhos” também têm a finalidade de apelar à partilha com estas instituições. Actualmente estão a cargo da Diocese de Coimbra, a Casa da Praia de Mira, onde está a sede e a Casa de Ramalde – Porto, com 35 utentes cada, a Casa de Lobão – Santa Maria da Feira, com 30, e o Instituto de Promoção Social de Bustos, com Creche, Jardim de Infância e ATL.
A equipa de colaboradores da Instituição trabalha diariamente para o cumprimento rigoroso do projecto de vida de cada criança e jovem, tendo em vista a satisfação das suas necessidades físicas e anímicas, com a finalidade de atingir, no menor espaço de tempo possível, a sua reintegração na família biológica ou alargada, em família de acolhimento ou adoptante ou apoiar a sua inserção na vida activa, através da autonomização.
Contacto: Obra do Frei Gil - Apartado 39 - 3070-908 Praia de Mira
Telefone/Fax: 231471159/231472531
Email: obrafreigil@hotmail.com
terça-feira, 12 de outubro de 2010
A paixão pelas crianças
Tem o mesmo nome da conhecida Teresa de Calcutá. Nasceu a 29 de Março de 1929, na Covilhã e desde cedo se começou a preocupar com as pessoas desfavorecidas. Habilitada com os cursos de assistente social, Teresa Granado foi convidada a dirigir o Instituto Superior de Serviço Social de Coimbra, há 47 anos, e a partir daí, desenvolveu um intenso trabalho em torno dos filhos de emigrantes.
Mais tarde, já lá vão 42 anos, criou a Comunidade Juvenil de S. Francisco de Assis de Coimbra, uma instituição de apoio às crianças carenciadas, que actualmente tem a seu cargo cerca de 70 crianças, entre os seis e os 18 anos, para além de outras que vivem, em casa alugada, com as suas mães (actualmente 10 mulheres) vítimas de violência doméstica. Tem Casa em Eiras (Coimbra) e em Vila Nova de Poiares. Para além da referida Casa em Coimbra para as vítimas de violência.
Apesar dos seus 81 anos, continua a ter uma actividade frenética. Toda a obra gira à volta desta mulher, que se vê sempre rodeada de crianças. Solteira por vocação, ela pôde ser a verdadeira mãe de mais de 700 pessoas que já passaram pela sua Casa. Muitas já constituíram as suas famílias e hoje vêm mostrar aos seus filhos a Casa onde cresceram e se fizeram homens ou mulheres.
Ela é uma mulher especial. Sempre com uma serenidade no olhar e um sorriso que se espalha no rosto. No contacto que tive com ela, pude ver como é estimada por todos.
Lembro-lhe que é Comendadora, pois o Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, em 1997, atribuiu-lhe esse estatuto. Ri-se e diz-me: “Ah, pois, sou comendadora! Mas o que realmente me importa são as crianças que é preciso vestir, calçar e educar. E não é fácil nestes tempos de crise em todos os aspectos...
Concordo com ela e pergunto-lhe o que mais gostava que as pessoas lhe oferecessem. “Leite, azeite, cereais... Roupa, massas, arroz, não precisamos; chegam-nos através de várias organizações” – diz-me.
Deixo aqui os contactos com esta grande Obra: COMUNIDADE JUVENIL DE S. FRANCISCO DE ASSIS:
Rua Vale Seixo, Eiras 3020-085 COIMBRA
Tel: 239 496 731; fax: 239 496 254; Site: www.comunidadejuvenil.org.pt
Mail: comunidade@comunidadejuvenil.org.pt
domingo, 10 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Casa de Saúde Rainha Santa Isabel
Alguns dos nossos leitores já conhecem esta Casa de Saúde, situada em Condeixa-a-Nova. Mas vale a pena dá-la a conhecer a toda a gente. Ela faz parte de uma rede de apoio aos que sofrem de doenças psíquicas, criada pelo Instituto das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus. São 12 os estabelecimentos de saúde, na área da Saúde Mental e Psiquiatria, criados e geridos por estas Irmãs, situados no Continente e Regiões Autónomas da Madeira e Açores.Os Irmãos de São João de Deus e as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus são duas congregações religiosas que se dedicam, em Portugal, aos doentes mentais, tentando a sua integração na sociedade ou, nessa impossibilidade, proporcionando-lhes uma vivência o mais humanizada e válida possível.
As Irmãs são ao mesmo tempo as religiosas Hospitaleiras, as enfermeiras, as “empresárias”, as formadoras, as conselheiras, etc., sempre mitigando a dor alheia, tornando leve e alegre, o que é por demais pesado e triste, sempre marcando presença a servir o próximo, nas horas boas e nas horas más. Têm uma enorme capacidade para enfrentar as adversidades e o sofrimento, só explicável pela Fé inquebrantável que as forma e as move. A Casa é ao mesmo tempo o lar, a escola, o hospital, onde se procura o acolhimento e o alívio para os padecimentos da mente e para a dor física.
No seu estilo próprio de cuidar têm como objectivo prioritário uma assistência de qualidade que promova a saúde integral da pessoa, englobando todas as suas dimensões: física, psíquica, social, espiritual e religiosa. Procuram articular ciência e humanidade, num profundo respeito pelos direitos fundamentais da pessoa sem qualquer tipo de discriminação e na promoção da sua dignidade incondicional.
A Casa de Saúde de Condeixa está constituída actualmente por 8 unidades de internamento com um total de 380 camas, quase todas ocupadas neste momento. Tem vindo a desenvolver a sua missão no âmbito da Saúde Mental e Psiquiatria, concretamente tem serviços de internamento e reabilitação nas áreas da Psiquiatria, Psicogeriatria e Deficiência Mental. È um mundo que requer muita dedicação e muita gente ao seu serviço, quase 250 pessoas. De destacar, um bom grupo de voluntários que visita e anima os doentes.
Quem já beneficiou dos cuidados destas Irmãs e outros colaboradores é que sabe dar o verdadeiro valor a esta Casa de Saúde, fundada em 1959.
Aqui deixamos o contacto: Casa de Saúde da Rainha Santa Isabel, R. Padre Bento Menni,
3150-146 CONDEIXA-A-NOVA, Telefone 239949070.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Casa do Gaiato
Uma das Instituições mais queridas de Coimbra é, sem dúvida, a Casa do Gaiato, fundada pelo saudoso padre Américo. O objectivo duma Instituição como esta é acolher os miúdos sem apoio familiar capaz e prepará-los para os lançar na vida. E felizmente quase sempre o consegue fazer com êxito. Há antigos gaiatos que são doutores, engenheiros, professores e até juizes. Muitos outros têm bons empregos, onde são considerados por colegas e patrões.A primeira casa da obra do Pai Américo encontra-se em Miranda do Corvo, na localidade de Bujos, e foi fundada em 07 de Janeiro de 1940. E foi a partir desta primeira casa aberta com 3 rapazes, que posteriormente se disseminou pelo País, por Angola e Moçambique aquela que é uma das maiores obras de solidariedade social nacional. A Obra da Rua tem casas em Miranda do Corvo, Paço de Sousa – Porto, Santo Antão do Tojal, actualmente a cargo da Diocese de Lisboa, Beire – Paredes, Setúbal, Benguela e Malange – Angola e Maputo – Moçambique.
Ainda há pouco a casa de Miranda acolhia cerca de cem miúdos, alguns ainda bem pequenos. É uma casa aberta, não usa grades e portões fechados, onde cada um tem a sua tarefa a cumprir. Os mais velhos orientam os mais novos. Aqui não há a mãezinha que faz tudo, enquanto os meninos brincam ou andam na rua. São os rapazes que fazem as tarefas que lhe estão distribuídas. Tratam de fazer as camas e limpar a casa, de vestir e calçar os mais novos e de os orientar. E não se pense que se descuidam os deveres escolares. A aposta da Obra é que todos estudem e tirem cursos. É desde há muito conhecida e louvada esta pedagogia inventada pelo fundador: a "Obra de Rua" é uma obra de rapazes, para rapazes e por rapazes.
A finalidade de cada Casa do Gaiato é acolher, educar e integrar na sociedade crianças e jovens que, por qualquer motivo, se viram privados de meio familiar normal. No dizer do fundador, P. Américo Monteiro de Aguiar, " somos a família para os que não têm família".
São Instituições totalmente particulares vivendo dia a dia o risco evangélico da solidariedade humana. Aceita Voluntariado a tempo inteiro e também a tempo parcial. Neste caso pede-se que sejam pessoas totalmente disponíveis para as crianças e jovens, com sentido de maternidade e paternidade.
Contacto: Casa do Gaiato – Bujos 3220-034 Miranda do Corvo; Tel. 239532125; gaiatomiranda@sapo.pt.
sábado, 18 de setembro de 2010
Criaditas dos Pobres
Uma das instituições de ajuda aos carenciados mais conhecidas em Coimbra é a Cozinha Económica. Actualmente serve uma média de 500 refeições por dia a quem a ela recorre. A muitos dos utentes completamente de graça, dada a sua situação de pobreza. Esta Instituição está instalada num edifício antigo, no Terreiro do Mendonça, n.º 7, um largo na Baixa de Coimbra.Foi fundada nesta cidade no ano de 1933 por pessoas ligadas à Igreja, e pouco tempo depois entregue aos cuidados das Criaditas dos Pobres que lhe têm dado o melhor do seu carinho.
Este Instituto tinha nascido em Coimbra já em 01 de Novembro de 1924, pela mão da Irmã Maria Carolina Sousa Gomes e dedicava-se a acudir à pobreza daquela época.
Mas não se pense que as preocupações das Criaditas dos Pobres se ficam por dar de comer a quem tem fome. Já não seria pouco, mas elas desenvolvem um trabalho muito mais amplo, acompanhando muitas famílias que vivem situações de pobreza. E para além da “Cozinha Económica”, são também responsáveis pelo Centro de Dia que funciona nas mesmas instalações e que tem actualmente 65 idosos, sobretudo da zona da Baixa onde há grandes bolsas de pobreza, com grandes problemas a nível habitacional.
Para além de Coimbra, têm uma Comunidade a trabalhar em Aveiro, outra em Portalegre, mais outra no Rabo do Peixe dos Açores. E em 2007 três Irmãs fundaram uma Comunidade na Chapadinha, no Nordeste brasileiro, para acudir a uma das zonas mais pobres do Brasil.
A Irmã Maria de Fátima disse-nos que são actualmente 30 Irmãzinhas. E em Coimbra têm duas moças em estudo de vocação.
“Os problemas mais prementes que sentimos – diz-nos a mesma Irmã – são os que se relacionam com as dificuldades por que passam as Famílias de poucos recursos, nestes tempos que, como todos sabemos, não são fáceis. Pela nossa parte, embora não percamos a Esperança e saibamos a Quem nos confiámos, sentimos a necessidade de "sangue novo", – de mais gente nova – para que esta Missão, que nos foi entregue, encontre mais corações prontos a amar Jesus nos mais pobres, ao jeito de criadita”.
“Tendo escutado o apelo de Deus, é preciso, antes de mais, que se disponha, com alegria e generosidade, a seguir Jesus, e a servir o Seu Reino com toda a simplicidade, anunciando-O aos Pobres. Depois, em qualquer uma das Comunidades, poderá encontrar alguma irmã que lhe dê as informações que necessite”.
Deixamos aqui os contactos: Criaditas dos Pobres – Rua da Ilha, 12 – 3000-214 Coimbra;
Telefones 239823932 e 239826040; email criaditascoimbra@sapo.pt.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Que espera da Igreja?
Conhecer o mundo onde se insere para melhor lhe poder responder é a intenção da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) ao encomendar à Universidade Católica uma sondagem de opinião aberta a todos os cidadãos, independentemente da religião que professem.
De acordo com o porta-voz da CEP, a sondagem "pretende saber os valores, aspirações, dificuldades e as expectativas da sociedade portuguesa". A Igreja quer "ser realista, sempre mais realista, ver o mundo onde se situa, a sociedade que a envolve, para às suas perguntas responder o melhor que sabe e pode" sustentou o padre Manuel Morujão.
Os bispos sabem que o mundo mudou nestes últimos anos e que o pensar das pessoas hoje já não é o de há cinco ou 10 anos, e é preciso estar atento a essas mudanças para lhes dar resposta.
Se é verdade que a igreja continua a ser uma instituição muito importante para grande parte dos portugueses - segundo uma recente sondagem da Intercampus para a TVI, só 6% da população a classifica de nada importante – há que estar atento, pois essa importância que lhe é reconhecida pode já ter poucas referências evangélicas.
Um exemplo apenas. O fim primeiro da igreja é a salvação do homem todo e de todos os homens. Se grande parte das pessoas esperar da igreja apenas que ajude os mais pobres a mitigar a sua penúria, ou os mais novos a não se deixarem envolver na marginalidade, está a truncar a sua verdadeira missão. A Igreja não é só para os pobres ou para os mais novos, ela deve atingir todas as classes e todas as faixas etárias. E deve levar as pessoas a uma salvação, que começa neste mundo mas que continua para além dele.
Saber, preto no branco, o que é que os portugueses esperam da Igreja é meio caminho andado para definir bons programas de pastoral. No fundo é dar cumprimento à palavra que ouvimos de Cristo: “O bom pastor conhece as suas ovelhas”.
Parabéns, pois, aos nossos Pastores Bispos por esta louvável iniciativa.
sábado, 11 de setembro de 2010
A Igreja tem muita gente a ajudar
Corria acesa a campanha eleitoral na Bélgica. Um deputado da extrema-esquerda dirigia a palavra a mi-lhares de operários, em Bruxelas. Depois de ter apregoado a liberdade, criticado o capital, defen-dido as nacionalizações, elogiado os trabalhadores, exaltado o povo, atacou duma maneira agreste e desenfreada a Igreja Católica.
Acabado o discurso, perguntou se alguém desejava tomar a palavra. Adiantou-se um operário que disse assim:
– Eu não estudei, e não sei responder ao que disse o orador. Conto apenas um caso:
Há meses adoeceram os meus dois filhos. Uma freira vinha com frequência visitá-los, trazendo-lhes sempre alguma ajuda. As crian-ças curaram-se. Como a doença era contagiosa, a minha mulher caiu de cama, logo a seguir, com o mesmo mal. A Irmã levou as duas crianças porque ninguém em casa podia tratar delas. To-mou também sobre si o cuidado da minha mulher, que finalmente começou a levantar-se. Então caí doente também eu, mas a Irmã vinha sempre visitar-nos, trazia remédios, ajudava a minha mu-lher na vida da casa e tratava-me com muito jeito e caridade. Por último a Irmã contraiu o mesmo mal e não a tornámos mais a ver. Soube hoje que morreu. Não te-nho mais a dizer (Mensageiro do Coração de Jesus, de Itália, 1951, pág. 390).
A impressão causada por es-tas palavras não se descreve. A palavra humilde e sincera daquele operário valeu mais que todos os argumentos.
Disse Jesus: «Conhecerão to-dos que sois meus discípulos se tiverdes caridade uns para com os outros» (Jo 13, 35). E o após-tolo São João: «Filhinhos, não amemos de palavra e com a lín-gua, mas por obra e de verdade (1 Jo 3, 1f3). Foi este o exemplo dado pela boa Irmã.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Interior discriminado
Lemos no “Jornal de Notícias”: «Os fundos comunitários desviados das regiões mais pobres para Lisboa já ultrapassam 154 milhões de euros, o suficiente para construir três centros materno-infantis no Porto. Foi um aumento de seis milhões em meio ano, tendo o ritmo de aprovações abrandado. A quantia dada às regiões mais pobres de Portugal, mas que será investida em Lisboa ao abrigo das excepções às regras dos fundos comunitários, continua a subir. Em Junho deste ano, os fundos comunitários destinados ao Norte, Centro e Alentejo, e que serão contabilizados como se lá tivessem sido gastos mas que, na realidade, serão investidos na capital, ultrapassavam 154 milhões de euros, contra 148 milhões em Dezembro do ano passado.»
Lemos e ficamos abismados. Então Lisboa – a região mais rica de Portugal – ainda “come” o pouco que é dado ao interior? E dizem os governantes que querem ajudar as regiões mais pobres!...
Assim compreendemos que muita gente abandone estas terras e vá morar para Lisboa. Só lá ficam os idosos. E quem vai tratar deles?!
Há tempos a ministra da Educação anunciou que vão ser encerradas mais 700 escolas primárias com menos de 20 alunos. Com mais este lote de encerra-mentos, passam a ser 3.200 as escolas primárias encerra-das nos últimos cinco anos de governo socialista. É mais uma machadada nestas terras do interior. Suprimiram-se carreiras para as aldeias, porque não eram lu-crativas; fecharam-se centros de saúde, maternidades, ur-gências, tribunais, entre muitos outros serviços. Há quem diga que a maior parte do país caminha para o encerramento. E depois queixam-se que os campos ficam por amanhar e as matas por limpar, com os consequentes incêndios.
Por outro lado, nas cidades há cada vez mais bairros problemáticos. Cresce o número de habitantes e dispara o crime. “Muita gente junta não se salva” diz o povo e com razão. Esta política, que não é só deste governo, vai pagar-se cara. Mas quem vai conseguir inverter isto?
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Centenário da Madre Teresa
Faz hoje 100 anos que nasceu aquela que ficou conhecida por Teresa de Calcutá. E aqui fica a nossa homenagem. Com o nome de baptismo de Agnes Gonxha Bojaxhiu, nasceu em 26 de agosto de 1910, em Skopje, na Macedônia, filha de pais albaneses, numa família de três filhos, sendo duas meninas e um rapaz.
Aos 13 anos, ouviu um jesuíta que era missionário na Índia dizer: "Cada qual deve seguir sua própria vocação". Tais palavras impressionaram-na e pensou que Deus lhe pedia que se entregasse ao serviço dos outros.
Seis anos mais tarde, solicitou a admissão na Congregação das Irmãs do Loreto que trabalhava em Bengala, mas teve primeiro de aprender a língua inglesa em Dublim. De Dublim foi enviada para a Índia em 1931 a fim de iniciar seu noviciado em Darjeeling no colégio das Irmãs de Calcutá.
No dia 24 de maio de 1931, fez a profissão religiosa, e emitiu os votos temporários de pobreza, castidade e obediência tomando o nome de "Teresa". A origem da escolha deste nome residiu no fato de ser em honra à monja francesa Teresa de Lisieux, padroeira das missionárias, canonizada em 1927 e conhecida como Santa Teresinha.
De Darjeeling passou para Calcutá, onde exerceu, durante os anos 30 e 40, a docência em Geografia no colégio bengalês de Sta Mary, também pertencente à congregação de Nossa Senhora do Loreto. Impressionada com os problemas sociais da Índia, que se reflectiam nas condições de vida das crianças, mulheres e idosos que viviam na rua e em absoluta miséria, pensou em ajudá-los.
Em 1946, pediu ao Papa Pio XII que lhe permitisse abandonar as suas funções enquanto monja, para iniciar uma nova congregação de caridade, cujo objectivo era ensinar as crianças pobres a ler. Desta forma, nasceu a sua Ordem - As Missionárias da Caridade. Como hábito, escolheu o sári, nas cores - justificou ela - "branco, por significar pureza e azul, por ser a cor da Virgem Maria". Começou a sua atividade reunindo algumas crianças, a quem começou a ensinar o alfabeto e as regras de higiene. A sua tarefa diária centrava-se na angariação de donativos e na difusão da palavra de alento e de confiança em Deus.
No dia 21 de dezembro de 1948, foi-lhe concedida a nacionalidade indiana. A partir de 1950 empenhou-se em auxiliar os doentes com lepra.
Em 1965, o Papa Paulo VI colocou sob controle do papado a sua congregação e deu autorização para a sua expansão a outros países. Centros de apoio a leprosos, velhos, cegos e doentes com Sida surgiram em várias cidades do mundo, bem como escolas, orfanatos e trabalhos de reabilitação com presidiários.
Morreu em 1997 aos 87 anos, de ataque cardíaco, quando preparava um serviço religioso em memória da Princesa Diana de Gales, sua grande amiga e falecida ela própria 6 dias antes, num acidente de automóvel em Paris. Tratado como um funeral de Estado, vários foram os representantes do mundo que quiseram estar presentes para prestar a sua homenagem. As televisões do mundo inteiro transmitiram ao vivo durante uma semana, os milhões que queriam vê-la no estádio Netaji. No dia 19 de outubro de 2003, o Papa João Paulo II beatificou Madre Teresa.
O seu trabalho missionário continua através da irmã Nirmala, eleita no dia 13 de março de 1997 como sua sucessora.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Padres gostam da Internet
Como tive ocasião de dizer na altura, o Papa na sua mensagem para a Igreja Católica no Dia Mundial das Comunicações Sociais incitou os padres a aproveitar ao máximo os novos meios de comunicação. "Os padres são assim desafiados a proclamar o evangelho empregando as últimas gerações de recursos audiovisuais – imagens, vídeos, atributos animados, blogs, sites – que juntamente com os meios tradicionais podem abrir novas visões para o diálogo, evangelização e catequização", escreveu Bento XVI.
Ora segundo um estudo internacional, a que responderam cinco mil sacerdotes, os padres portugueses são os que têm uma visão mais positiva sobre o uso da Internet, considerando que esta poderá ser útil ou mesmo muito útil. Para a maioria dos padres nacionais “as novas tecnologias permitem a inculturação da fé no mundo de hoje”. Três quartos dos sacerdotes afirmam que as tecnologias permitem uma melhor evangelização dos jovens e assumem muita relevância junto da população em geral. Também nesta matéria, os sacerdotes nacionais são mais optimistas do que os seus colegas e acedem mais à internet do que eles – 95,5% fazem-no todos os dias.
Estes resultados constam de um estudo divulgado pela Agência Ecclesia, que foi realizado pela New Media in Education, pela Universidade da Suíça italiana e pela Universidade Santa Cruz de Roma, junto de padres católicos em todo o mundo.
Os resultados mostram que 78,6 por cento dos padres portugueses têm uma visão muito positiva da Internet, sendo que destes 47.1 por cento a considera útil ou muito útil. No que se refere à relação oportunidades/perigos 64,1 por cento dos sacerdotes nacionais discorda da afirmação de que «os perigos são maiores que as oportunidades», enquanto que no resto do mundo esse valor é de 38,2 por cento.
No que se refere ao acesso à Internet, em Portugal 95,5 dos padres que usam esta tecnologia fazem-no diariamente, estando a média mundial nos 94,7 por cento.
A maioria dos sacerdotes procura material para suas homilias e sermões (61,5% ao menos uma vez por semana).
terça-feira, 13 de julho de 2010
Jovens que partem
Nos últimos anos tem vindo a aumentar o número de jovens portugueses que partem para países lusófonos, oferecendo o seu tempo de férias ao serviço de projectos de voluntariado missionário, que ajudam algumas das populações mais pobres do mundo. Este despertar da consciência missionária é um fenómeno muito relevante na vida da Igreja dos nossos dias, fruto de um processo gradual que tem gerado um novo dinamismo.A "revolução" eclesiológica do II Concílio do Vaticano estimulou uma nova participação dos leigos na vida da Igreja, com repercussões óbvias na Missão. Assim, foi ultrapassada uma visão que limitava a cooperação à oração pelas Missões e ao gesto de partilha material, no Dia Mundial das Missões.
Em 2010, 360 voluntários de cerca de cinquenta entidades diferentes em Portugal vão partir em missões de cooperação internacional, para Moçambique, Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Brasil, Timor-Leste, República Centro Africana, Colômbia e Zâmbia. Os jovens são quem, cada vez em maior número, doam um pouco da sua vida ao mundo missionário.
Os números actuais do voluntariado missionário são incomparáveis aos que deram início a este movimento, na década de 80. Os leigos missionários são todos aqueles que, em ligação com uma das entidades associadas a este projecto, queiram trabalhar, pelo menos durante um ano, em projectos de cooperação ou de evangelização com a Igreja Católica.
Num mundo global e interdependente, que “nos torna vizinhos, mas não nos faz irmãos” (Bento XVI, Caritas in Veritate, n.º 19, 2009), o Voluntariado Missionário pretende ser uma resposta de fraternidade à desatenção que caracteriza o tempo em que vivemos. Anualmente, muitos são os que, reconhecendo o valor da ajuda responsável e solidária, partem em missões de desenvolvimento que geram relações de afecto e proximidade com as populações locais.
Em Portugal, tal acção é visível, “sobretudo através dos jovens que todos os anos, e cada vez em maior número, doam, com alegria e generosidade, um pouco da sua vida ao mundo missionário, e que regressam com novo entusiasmo, que temos de saber acolher, estimular e multiplicar (…).” (Como eu vos fiz, fazei vós também – Para um rosto missionário da Igreja em Portugal, Carta Pastoral dos Bispos de Portugal, n.º 24, 2010). Nascido há 22 anos de forma espontânea, o Voluntariado Missionário é hoje uma realidade consolidada, que assume uma forte expressão e reconhecimento no nosso País.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Fé e ciência não se opõem
Dono de um currículo impecável dentro do mundo científico e de um entusiasmo contagiante em relação a tudo o que se refere à genética, Collins foi encarregado de encabeçar um consórcio público integrado por centros de pesquisa norte-americanos, britânicos, franceses, alemães e japoneses – os chineses vieram mais tarde – com a tarefa hercúlea de sequenciar todos os três biliões de pares de bases que constituem o DNA humano.Entre 1995 e 1999, Collins e sua equipe protagonizaram, com a Celera Genomics, do cientista Craig Venter, uma competição acirrada pela primazia no anúncio do sequenciamento completo do “mapa da vida”. A corrida entre os consórcios público e privado culminou com um anúncio em conjunto, na Casa Branca, de que o Genoma Humano estava finalmente completo e pertencia, a partir dali, a toda a humanidade.
A data histórica ainda não havia completado seu sexto aniversário quando, em 2006, Collins lançou, nos Estados Unidos, o livro “A Linguagem de Deus”, no qual dava conta de que para ele não existia qualquer dilema entre fé e ciência. Em 300 páginas escritas com elegância e sinceridade, um dos mais notórios homens da ciência admitiu que acreditava piamente em Deus criador. A obra reacendeu o velho debate entre crentes e ateus, movimentou evolucionistas e criacionistas e suscitou embates históricos – o mais famoso deles deu-se entre Collins e o zoólogo e evolucionista britânico Richard Dawkins.
A polémica, no entanto, não foi suficiente para abalar o prestígio de Collins na comunidade científica ou afastá-lo das salas de aula e dos centros de pesquisa. Pelo contrário. No ano passado, ele foi nomeado por Barack Obama para dirigir os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, aos quais está directamente ligado o Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, que ele liderou ente 1993 e 2008.
Alheio à polémica gerada em torno de suas crenças, o cientista cristão acaba de lançar mais um livro. Intitulado “A Linguagem da Vida”, a obra é um apanhado sobre as mais recentes descobertas pós-genoma. Nela, Collins dá-nos conta – entre outras coisas – das maravilhas do Genoma e mostra ao leitor como a genética está conduzindo a medicina para o conhecimento do porquê das doenças. Um caminho onde, segundo ele, a personalização dos tratamentos já é uma realidade e a prevenção e a detecção precoce de doenças serão uma ciência cada dia mais precisa.

