quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A Obra do Gaiato


Ao celebrar os 70 anos da fundação da Obra da Rua ou Obra do Gaiato, vale a pena recordar o seu fundador e o bem que fez a tantos miúdos sem família.
Depois de acabar o curso de Teologia no Seminário de Coimbra, o Padre Américo foi nomeado perfeito e professor do Seminário. Mas cansado e com um esgotamento cerebral, foi-lhe confiada a Obra da Sopa dos Pobres e aí encontrou a sua verdadeira vocação – o mundo dos sem-família. Pouco depois inicia as Colónias de Férias do Garoto da Baixa em Coimbra, estágio embrionário do que viria a ser posteriormente a Casa do Gaiato. O garoto vadio e sem o amor duma família passa a ser a sua principal preocupação. O «Quim Mau» que tantos perseguem e poucos compreendem passa a ser o emblema da sua Obra – a Casa do Gaiato.
E a propósito da necessidade que os miúdos sentem sobretudo de uma mãe que os acarinhe, deixo aqui um texto publicado há tempos pelo Padre João, antigo responsável da Casa do Gaiato de Miranda do Corvo.
«Numa das Casas do Gaiato por onde passei, era frequente observar as crianças com os bolsos das calças a "abarrotar"... berlindes, carritos, chaves, rebuçados... entre outras coisas: um "mini-mercado" ambulante! Quando, por "dois dedos de conversa", os interpelava, a minha pergunta pelo "recheio" era simplesmente uma espécie de password para aceder ao mundo mais vasto da sua intimidade, do seu coração.
Recordo-me que, num desses encontros inesquecíveis, uma das crianças quis mostrar o seu "baú"... Fê-lo de forma tão singela - como só as crianças ainda não molestadas pela desconfiança dos adultos – são capazes. O bolso foi-se esvaziando até que a certa altura dei-me conta de alguma atrapalhação... Havia algo escondido que parecia muito precioso e Intimo e que ali guardava: "Alguma moeda ou a chave da gaiola dos seus passaritos" – pensei comigo. Apercebendo-se mais da minha curiosidade, mete novamente a mão ao bolso e tira uma foto: "Trago aqui a minha mãe!..."
Apoderou-se de mim um sentimento contraditório; compaixão e revolta: "o ninho aos passarinhos!..." A criança à família!... E, se esta não for capaz nem competente mude-se de ninho, com cuidado, que pode enjeitar! Trate-se de arranjar quem substitua de forma inequivocamente maternal e paternal. Uma criança não é uma "coisa" mas um sujeito de direitos.»

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009



Vamos começar um novo ano. O que passou deixou muitas sombras negras: desemprego, pobreza, fome, doenças e epidemias agravadas pelas condições de miséria e conflitos armados. E como se não bastasse, o aumento dos crimes contra pessoas e bens.
Segundo o relato dos meios de comunicação são muitas as mulheres e crianças vítimas de violência infligida por familiares.
O número de homicídios tem disparado. A violência afecta milhões de pessoas.
Amargura-nos a consciência de impotência que sentimos perante essas duras realidades. Mas o derrotismo e o pessimismo não constróem. Por isso mantenhamos a esperança de que havemos de caminhar para um mundo mais humano. Um mundo em que a guerra, o terrorismo e toda e qualquer forma de violência – física, psicológica, moral – irão perdendo terreno; em que o fosso entre ricos e pobres irá diminuindo; de que a fome, a doença e qualquer outro flagelo imposto pelo homem serão banidos; em que os mais desfavorecidos merecerão mais atenção; em que as crianças poderão ser plenamente crianças; em que virtudes como o amor, a tolerância, a fraternidade se irão impondo... E não pensemos que isto é irrealismo. A esperança cristã diz-nos que o mal não levará a melhor. Deus está connosco. Em muitos aspectos o mundo tem evoluído num sentido positivo. Basta lembrar-nos da maior sensibilidade pelos direitos humanos, a atenção maior de pessoas e instituições aos mais pequenos e indefesos.
Se quisermos, e com a ajuda de Deus que devemos pedir, este ano será melhor. Terá mais paz e amor. E isso é fundamental para que nos sintamos bem.
Que este ano seja um ano bom depende de mim e de ti, caro leitor. Sim, de cada um de nós.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

NATAL DE QUEM?




Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
- Está bem, eu sei!
- E as garrafas de vinho?
- Já vão a caminho!
- Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
- Não sei, não sei...

Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?


Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.

- Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!
Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?


Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!


Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
- Foi este o Natal de Jesus?!!!

João Coelho dos Santos
in Lágrima do Mar
1996

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A fé faz maravilhas destas


Fernanda Serrano é uma actriz muito apreciada pelos portugueses. Por um lado a sua beleza física, por outro a sua arte de interpretar os papéis que lhe têm dado.
Porém aqui e agora, deixo de lado tudo isso e apenas vou chamar a atenção dos meus leitores para o que ultimamente os meios de comunicação noticiaram sobre ela. Nos princípios de 2008 foi-lhe detectado um cancro da mama e teve que se sujeitar a tratamentos bastante difíceis.
Mas não perdeu a esperança. Os filhos Santiago, de quatro anos, e Laura, de dois precisavam dela e era preciso lutar pela vida. Não era baptizada mas muitos amigos e alguns familiares falaram-lhe da Fé em Cristo e em Nossa senhora. E não se limitaram a falar-lhe mas oraram pela sua cura.
A actriz, de 35 anos, apegou-se a Deus e começou a preparar-se para receber o baptismo, o que aconteceu há pouco tempo. E venceu a doença. Hoje reconhece que a fé foi decisiva ao longo do processo que passou e agradece a Deus a vitória sobre o tumor.
Outro caso quero também realçar:
Pouco depois de acabar os tratamentos soube que estava grávida. Apesar de todas as indicações em contrário, a actriz foi firme no seu desejo de levar a gravidez por diante, vencendo no final o cancro e tendo dado à luz, no passado dia 8 de Junho, Maria Luísa, que acabou por ser baptizada no mesmo dia que a mãe.
Não sei se a Fernanda Serrano deu a sua voz no referendo em favor do aborto livre até às dez semanas. Mas fica aqui o seu testemunho de que lutou para que a filha concebida pudesse vir à luz do dia. E tinha todas as razões para querer o contrário: a filha podia ter sido afectada pelos tratamentos e nascer com sequelas; afinal até nem era assim tão importante deixá-la nascer, pois já tinha dois filhos.
Agora até se diz que quer adoptar mais um filho! A Fé faz maravilhas destas!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O amor não tem fronteiras


Alguém me disse: “Gostei muito daquela reportagem da TVI”.
É verdade! Pessoas como aquela americana, e muitas outras de todas as nacionalidades, fazem-nos acreditar que o amor ainda não acabou. E não foi em vão que Cristo veio ao mundo.
Uma vez, Madre Teresa de Calcutá contou que um casal novo veio até à sua casa de Calcutá trazer-lhe uma grande oferta em dinheiro.
E, perante a admiração de quem os recebeu, um deles contou:
– Casámos há dias e combinámos entre nós os dois renunciar às vestes caras e à boda no dia do nosso casamento. Trazemos-lhes aqui o dinheiro que teríamos gasto.
– Porque fizeram isso? – perguntou-lhes uma das irmãs muito admirada.
– Nós amamo-nos tanto que achámos que devíamos repartir o nosso amor com os que precisam.
Li há dias uma poesia de autor desconhecido, que muito apreciei e deixo-a aqui para os meus leitores saborearem:

A inteligência sem amor, faz-te perverso.
A justiça sem amor, faz-te implacável.
A diplomacia sem amor, faz-te hipócrita.
O êxito sem amor, faz-te arrogante.
A riqueza sem amor, faz-te avarento.
A docilidade sem amor, faz-te servil.
A pobreza sem amor, faz-te orgulhoso.
A beleza sem amor, faz-te ridículo.
A autoridade sem amor, faz-te tirano.
O trabalho sem amor, faz-te escravo.
A simplicidade sem amor, deprecia-te.
A lei sem amor, escraviza-te.
A política sem amor, deixa-te egoísta.
A vida sem AMOR... não tem sentido!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Uma “Reportagem” chocante


Vi há dias a Grande Reportagem “Filhos do Coração” de Alexandra Borges na TVI sobre a escravatura de crianças no Gana. A primeira denúncia pública dessa escravatura só aconteceu em Outubro de 2006, no The New York Times. Sharon Lafraniere assinou um artigo na 1.ª página desse jornal, depois de passar alguns meses no lago Volta, onde relatava a violência a que as crianças pescadoras estavam sujeitas e apresentou ao mundo Mark Kwadwo, um menino de 6 anos que tinha sido vendido pelos pais, juntamente com dois irmãos mais velhos (Hagar, 10 anos, e Richard, 9 anos) por menos de 30 euros.
A história destas crianças chocou o mundo e indignou particularmente Pam Cope, uma ex-cabeleireira do Neosho, uma pequena cidade americana no Missouri, Texas, que há pouco havia perdido um filho de 15 anos por morte súbita.
Pam Cope não se limitou a ler a notícia. Em menos de uma semana conseguiu angariar 3.600 dólares para financiar o resgate de 7 crianças do lago Volta. “Eu não conhecia a Pam de lado nenhum e aquela mulher depositou o dinheiro na minha conta bancária e disse-me para eu resgatar Mark e os dois irmãos e, se possível, mais 4 crianças ainda antes do Natal!”, relembra George emocionado, que ainda hoje colabora no resgate de crianças. E nas férias do Natal Pam Cope tomou um avião e foi até ao Gana.
Em 2007, também Alexandra Borges fez uma reportagem sobre os meninos-escravos e depois de voltar promoveu a campanha «Filhos do Coração» apoiada pela TVI, que permitiu angariar 100 mil euros para resgatar e pagar a educação, saúde e segurança durante 10 anos a dez crianças.
Alexandra Borges quis ir ao Gana uma segunda vez levar o dinheiro e assistir ao resgate dessas crianças. E conta: Os miúdos “adquiriram brilho no olhar, brincam, são crianças, vão à escola... Mas fico sempre com a sensação de missão não cumprida, porque ainda há tanto para fazer... E isso dói. Levei dinheiro, sei que vamos conseguir manter mais crianças livres, mas ainda falta muito. Não há missões cumpridas, apenas algumas pequenas batalhas ganhas”.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Uma vida que renasceu

O serviço aos outros traça a vida de Pedro Santos que se dispôs a ajudar na “Comunidade Vida e Paz”, depois de ele próprio ter sido ajudado por esta instituição. Agora, Pedro Santos coloca a sua vida numa missão de amor onde encontrou uma família e se sente amado.
Levado pelas encruzilhadas da vida, foi toxicodependente e durante 20 anos os seus dias eram marcados pela obsessão do consumo. Pequenos delitos levaram-no a cumprir pena de prisão, altura em que se deparou com a essência fútil da sua vida. “Havia duas opções: continuar até ao final ou sofrer e libertar-me, consegui optar pela segunda!” Foi há sete anos que a escolha tudo ditou
Hoje, Pedro Santos empresta a sua vida na construção do Bem Comum. Na Comunidade Vida e Paz, como monitor de armazém, Pedro ajuda na recolha de bens e na distribuição a quem mais precisa. Foi nesta instituição que descobriu que a vida vale a pena. "Ajudaram-me a descobrir que a parte física e psicológica são importantes mas o equilíbrio e a estabilidade só se consegue num tripé em que está também a área espiritual que todos nós temos.” Agora acredita que Deus tem um plano de amor para todas as pessoas.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Portuguesa é mulher do ano


Pelo Natal de 2007, trouxe aos meus leitores a notícia de que uma hospedeira portuguesa estava a fazer no Bangladesh uma obra extraordinária de apoio a crianças desprotegidas.
Agora essa mesma rapariga, Maria do Céu da Conceição, de 32 anos, acaba de ser escolhida como Mulher do Ano dos Emiratos Árabes Unidos, onde vive.
Esta hospedeira, numa das suas viagens em serviço, deparou-se com a miséria no Bangladesh e não conseguiu ficar indiferente. Criou, então, uma ONG (Organização Não Governamental) para ajudar as famílias carenciadas de Dhaka , uma cidade do Bangladesh. O seu projecto – "DHAKA project" – cedo começou a dar frutos ensinando crianças, ajudando as famílias através de vacinação, cuidados de higiene e alimentação, e ministrando ofícios a homens e mulheres.
Esta portuguesa é uma mulher com uma força incrível, patente nas imagens que mostram o seu esforço diário para ajudar aquela população. Com o seu ordenado como hospedeira, e muitas outras ajudas que constantemente pede, consegue pagar a muitos funcionários. principalmente os mais jovens, por uma vida melhor.
Maria, como é conhecida, estava nomeada na categoria de Humanitária do Ano pela criação em 2005 do “Projecto Dhaka”, mas acabou por vencer também o galardão principal, tendo sido escolhida, entre 19 finalistas, Mulher do Ano nos Emirados Árabes Unidos.
Mais importante que os dois troféus que levou para casa, revela a jovem portuguesa, é a visibilidade que a distinção traz para as suas causas. "Esta distinção dá-nos visibilidade, ajuda a captar patrocínios e vai permitir dar novas asas aos projectos. Estavam mais de 400 pessoas na gala, da alta sociedade dos Emirartos àrabes e, no final, muitos vieram falar comigo para apoiar a minha acção humanitária. São pessoas com muito dinheiro, que, se quiserem, podem ajudar a fazer uma grande diferença".
Com o impulso conseguido com a distinção, Maria ambiciona agora abrir um orfanato no Brasil - que quer baptizar de Flora em homenagem a uma patrocinadora que faleceu recentemente - e criar outras iniciativas que possam "mudar o mundo das crianças”

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Escolas católicas


Os colégios católicos figuram entre as melhores escolas da tabela de 2009 elaborada pelo Diário de Notícias. Entre as dez escolas com melhores notas nos exames nacionais estão sete colégios católicos. Disciplina, exigência e desenvolvimento integral da criança são as fórmulas comuns a todos estes colégios.
No Colégio de S. José de Coimbra, o corpo docente é sujeito a acções de formação sistemáticas. Mas na origem do sucesso está também uma liderança forte, estável, que permite garantir a continuidade do projecto educativo, reconhece a irmã Maria da Glória Cordeiro, directora desta casa da Congregação de S. José de Cluny.
A matriz religiosa influencia a formação integral que se quer para cada criança, reconhece abertamente. Há orações no início das aulas, celebrações, facultativas ou obrigatórias, aulas de religião, catequese e preparação para a confissão ou a primeira comunhão. O acompanhamento próximo dos estudantes e a coordenação com os pais é outra explicação para os bons resultados.
Para garantir o aproveitamento escolar, os professores destes colégios católicos têm horas para dúvidas e dão apoio personalizado. Muitos alunos complementam o estudo com explicações. No secundário assume-se uma preparação séria para os exames nacionais e o trabalho, já intensivo, é reforçado. Em Coimbra, há dias inteiros só de revisões e os resultados estão à vista. Em 975 alunos, houve três retenções.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Vicentinos em Festa


A Sociedade São Vicente de Paulo, conhecida como Obra dos Vicentinos, está em festa, pois celebra este ano os 150 anos da sua chegada a Portugal. Este é um movimento católico e internacional, fundado em Paris em 1833 por Frederico Ozanam. Esta sociedade inspirou-se no pensamento de S. Vicente de Paula (nascido a 1581 em Paris e falecido em1660).
Inspirado pelo seu amor a Deus e aos pobres, Vicente de Paulo foi o criador de muitas obras de caridade. A sua própria vida foi uma história de doação aos irmãos pobres e de amor a Deus.
Trazida para Portugal há 150 anos, A Sociedade de S. Vicente de Paula tem confortado e ajudado materialmente muita gente. Nenhuma obra de caridade é estranha aos Vicentinos. Sua acção compreende qualquer forma de ajuda, por contacto pessoal, no sentido de aliviar o sofrimento e promover a dignidade e a integridade do homem, levando a sua ajuda a quantos dela precisarem, independentemente de raça, nacionalidade, credo político ou religioso e posição social.
O seu trabalho é a própria mensagem do evangelho em acção: “Eu estava com fome, eu estava com sede, eu era estrangeiro, eu estava doente, eu estava na prisão... e cuidaste de mim”. Mt 25,35s.
Os vicentinos organizam-se em grupos, tradicionalmente chamados conferências, que se reúnem com frequência e estão unidos por meio de conselhos, de escalão local, regional, nacional e mundial. Visitam os seus assistidos nas suas casas e também nos hospitais, asilos, prisões ou onde estiverem, como se fossem um membro da família. A todos levam o pão e uma palavra amiga.
Conheço esta Obra desde há muitos anos, tendo mesmo sido vicentino, e sei por experiência própria o bem que faz.
Estão de parabéns todos os que com ela colaboram.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Ateísmo ressabiado


José Saramago escandalizou meio mundo com a sua crítica à Bíblia. Dizer que ela é um “manual de maus costumes” é de facto atrevimento que parece revelar mais alguma coisa do que ignorância.
Vamos, por isso, deixar hoje aqui o testemunho de um outro escritor de uma geração mais nova e que é considerado pela crítica especializada uma das grandes promessas da literatura do século XXI. Trata-se de Nathan Englander, nascido em 1970, em Long Island, nos Estados Unidos e que faz do questionamento sobre a identidade religiosa um de seus temas dilectos, o que lhe garante comparações com escritores como Philip Roth e Isaac Bashevis Singer.
Valemo-nos para isso da entrevista que lhe fez António Monda, no seu livro “Acreditas? Conversas sobre Deus e a religião”, do qual reproduzimos o seguinte:

«Ainda lês os textos sagrados?
Estás a brincar? Claro que leio. E considero-os a obra mais bela que já foi escrita: quem quer que tenha escrito a Bíblia é Deus.
Também conheces o Novo Testamento?
Não tanto como o Antigo, mas fico sempre emocionado com o incipit do Evangelho de São João: “No princípio havia o Verbo; o Ver-bo estava em Deus e o Verbo era Deus”.
Dizes isso como escritor ou como homem de fé?
Por vezes, interrogo-me sobre se haverá alguma diferença. Mas se te referes àquilo que permaneceu dentro de mim do rapaz educado nas Escrituras, digo-te que, quando fecho a Bíblia, beijo-a e tenho cuidado com a posição em que a coloco na minha estante.
O que é que te fascina particularmente na Bíblia?
A sua complexidade, e a capacidade de falar na linguagem da eternidade».
Agora o meu leitor é que é o juiz. Como se pode explicar tanto ódio de José Saramago a uma obra considerada por quase toda a gente como um tesouro da humanidade? Não será ressentimento recalcado por o seu comunismo ateu não ter conseguido vingar na sociedade e ter deixado atrás de si um rasto de perseguição e morte de muitos milhões de pessoas?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Diálogo ecuménico


O diálogo oficial entre a Igreja Católica e as comunidades protestantes históricas – anglicana, luterana, reformada e metodista – vai entrar numa nova fase, assim o afirmou o presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Walter Kasper, ao apresentar um livro que reúne os resultados desse diálogo durante os últimos 40m anos.
Este livro, preparado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos em colaboração com as comunidades protestantes, faz o balanço da situação do diálogo. "Com este livro, nós nos encontramos no fim de uma primeira etapa, repleta de frutos e, ao mesmo tempo, estamos entrando numa nova fase, que desejamos que seja tão frutífera como a anterior, e que nela possam ser resolvidos os difíceis problemas que estão pendentes", declarou.
E acrescentou: "Nós mesmos estamos gratamente surpresos por tudo o que foi alcançado nestes anos. Muitas das polémicas e mal-entendidos do século XVI foram reexaminados e, em parte, superados", disse.
O diálogo foi feito separadamente com as igrejas anglicana, luterana, reformada e metodista e, como já se esperava, as diferenças de interpretação bíblica e doutrinal são menores entre a Igreja Católica e Anglicana.
Talvez por via disso, há muitos anglicanos a pedir a integração na Comunhão Católica e o Papa para facilitar as coisas aprovou uma estrutura canónica que prevê a criação de ordinariatos pessoais, ou seja, que as comunidades anglicanas que entrem na Igreja Católica dependerão de um bispo particular e não do diocesano, como ocorre com alguns movimentos da Igreja.
A norma prevê também a ordenação de clérigos casados anglicanos como sacerdotes católicos, agora com menos burocracias.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Uma mulher de armas


O Papa Bento XVI acaba de premiar a fundadora do canal católico EWTN, a Madre Angélica, com a Cruz de Honra. Esta medalha, conhecida oficialmente como "Pro Ecclesia et Pontifice" é a mais alta honra que o Santo Padre pode outorgar a leigos e religiosos.
Mas quem é esta mulher?
Podemos dizer que a sua infância atribulada tinha tudo para fazer dela uma marginal ou uma mulher traumatizada, pois o pai abandonou-a e foi criada na pobreza por uma mãe que padecia de depressão. Registada com o nome de Rita Antoinette Francis Rizzo, a futura Madre Angélica nasceu em Canton, Ohio, Estados Unidos, em 1923, e desde muito nova sofreu fortes dores abdominais que os médicos atribuíram a um problema dos nervos. O que é certo é que a oração acabou com essas dores.
Ao dar-se conta do poder da oração, Rita entregou a sua vida a Deus e entrou num mosteiro, com a esperança de passar toda a sua existência distante do mundo. Mas de repente, a fé de Rita levou-a a realizar obras incríveis, desde estabelecer um mosteiro no Alabama, até dar início à primeira cadeia católica de televisão por cabo.
Confiando unicamente na “Providência Divina”, a Madre Angélica construiu um império sem se preocupar com orçamentos nem campanhas de arrecadação de fundos, e conseguiu o que nem sequer os mais altos prelados da Igreja Católica tinham conseguido fazer.
A Madre Angélica tem actualmente 86 anos e pertence às Clarissas de Adoração Perpétua. Chegou a Alabama em 1961 e fundou o Mosteiro de Nossa Senhora dos Anjos. Em 1981 começou o canal católico Eternal Word Television Network (EWTN) na garagem do mosteiro que em 1999 teve que sr deslocado, dado o crescimento do canal de televisão.
Este canal EWTN tem já 28 anos, é visto em mais de 150 milhões de lares de 140 países. Com as suas transmissões via satélite, os seus serviços de rádio, o Web Site e o ramo de publicações, a EWTN é a maior rede de meios de comunicação católicos de todo o mundo.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Cáritas apoia desempregados


A Cáritas assinou um protocolo com a Ticket Restaurante para fazer face ao "preocupante aumento do desemprego" e "agudização da situação social do país". Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a organização católica para a acção social destaca "o esforço dispendido por cada Cáritas Diocesana para prestarem o apoio socioeconómico às famílias em situação de precariedade devido à actual crise económica e financeira, pois são escassos os recursos económicos para fazer face às solicitações".
A Cáritas Portuguesa manifestou ainda a sua preocupação pelos impactos que a Gripe A possa ter naqueles que "vierem a ser contagiados e não disponham de redes familiares ou de proximidade que os apoiem, como são os sem-abrigo, os passantes e as pessoas idosas que vivem sós".

No sentido de minorar os efeitos mais perigosos desta pandemia nestas faixas da população, foi deixado um apelo às comunidades paroquiais para que "prestem particular atenção a estas pessoas, procurem assegurar, em colaboração com outras instituições, os cuidados básicos de alimentação e de higiene, bem como o acesso à medicação necessária".

A organização católica apela às entidades competentes para que "alarguem o acesso gratuito à vacinação das pessoas, socialmente mais vulneráveis e aos profissionais e voluntários que lhes prestam serviços".