domingo, 2 de maio de 2010

Apesar de tudo, agradecido à mãe


Nem sempre as mães acolhem como é seu dever os filhos. Umas vezes porque são fruto de amores proibidos, outras pelas mais diversas razões. Foi o caso contado há dias pela comunicação social. Um estudante argentino conseguiu através do Facebook, uma das redes sociais mais populares do mundo, encontrar a mãe e outros familiares.
O jovem de 23 anos, que mora em Córdova com a família adoptiva, foi abandonado no hospital com apenas sete dias de vida. Em Março, resolveu criar uma página no Facebook intitulada «Busco a mi mama» («Procuro a minha mãe»), conseguindo a ajuda de 25 mil pessoas que se uniram à campanha.
«Há uma semana apareceu uma amiga da minha mãe biológica, que a ajudou naquela época. Chama-se Iris e disse-me onde morava a família da minha mãe. Viajei com os meus pais adoptivos à Villa del Totoral, e lá encontrei os meus avós, tios e primos», contou o jovem ao jornal Clarin, citado pela BBC.
Como a mãe não estava na cidade, o encontro só ocorreu passado uns dias. «Ela abraçou-me, pediu desculpas, e eu perdoei e agradeci-lhe por me deixar ter vida», afirmou Mauricio.
«Eu queria agradecer porque ela deixou-me nascer, não me abortou. Manteve-me vivo durante os sete meses da gravidez», contou o rapaz, que garante estar agora «muito mais tranquilo e feliz» por conhecer a família de sangue.
Neste dia da mãe, saibamos agradecer os sacrifícios que as nossas mães passaram para que hoje possamos ser o que somos. E mesmo os adoptados, têm alguma coisa a agradecer: a vida.

sábado, 24 de abril de 2010

Judeu defende Pio XII


Chama-se Gary Krupp, tem 62 anos, e tornou-se com o rabi David G. Dalin uma das mais destacadas figuras da comunidade judaica, a entender que Eugenio Pacelli, futuro Pio XII, trabalhou de forma activa, ainda que discretamente, para salvar muitos judeus perseguidos pelo regime nazi. Começou por ver em Pio XII uma figura detestável por não ter ajudado os judeus durante a II Guerra Mundial. Hoje, é um dos maiores defensores daquele que um livro nos anos 90 classificou como o "Papa de Hitler".
Há seis anos que se dedica a reunir materiais que refutem as acusações de que Pio XII é alvo. Para este judeu americano, o Papa Pacelli "foi o maior herói da II Guerra Mundial"
Perspectiva partilhada pelo professor de história americana e judaica, além do rabi David G. Dilan, que defende ter Pio XII salvo "quase 85% dos judeus" que viviam em Itália. Para Dalin, é importante ter presente que "muitos judeus famosos – Albert Einstein, Golda Meir, Moshe Sharett [2.º chefe do Governo de Israel], Isaac Herzog [principal rabi dos judeus asquenazes entre 1937 e 1959] e outros expressaram publicamente a gratidão a Pio XII".

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Esperança cura drogas


O padre franciscano Hans Stapel é um sacerdote que já muita gente conhece pela sua obra de tratamento e cura de drogados – a Fazenda da Esperança. Incansável, actua numa batalha árdua, desde 1983, quando criou um dos projectos mais respeitados de recuperação de dependentes de drogas, com unidades no Brasil e em mais outros 11 países do mundo. Quando há dois anos o Papa foi ao Brasil, quis ver com os seus próprios olhos e de alguma maneira enaltecer este trabalho persistente daquele padre.
O êxito da cura é de 84% e alcança-se sem drogas de substituição e sem a mediação de psicólogos. A descoberta do amor de Deus faz milagres. Assim as Fazendas converteram-se em centros de fraternidade e de evangelização.
Tudo começou quando este homem, na altura ainda jovem e apenas como voluntário católico, esteve na guerra do Biafra a participar na distribuição de alimentos e remédios.
Ao ver tanta injustiça e destruição, veio-lhe a vontade de pegar numa arma e resolver as situações com a violência. Foi a Palavra de Deus que mudou radicalmente a sua vida. Tornou-se sacerdote e, no Brasil, deu início a esta obra.
Quando chegou a Guarantiguetá só tinha uma ideia na cabeça: viver o Evangelho. Na sua oração rezava: «Tu sabes, Senhor, que eu não sei o que é ser pároco. O pároco desta terra serás Tu. Eu ajudarei como puder».
O Padre Hans Stapel começou por acolher a cada pessoa como se fosse a única que tinha de amar naquele momento.
E o caso que primeiro o preocupou foi o de uma jovem grávida que lhe pediu ajuda. Não tinha que comer nem onde ficar. O padre acolheu-a e arranjou-lhe uma família para criar a criança. Depois apareceram drogados que precisavam de quem deles cuidasse. E pouco a pouco foi nascendo uma obra que hoje tem projecção mesmo em alguns países da Europa. E já recuperou cerca de 15 mil pessoas.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Tempo de páscoa


Neste tempo pascal, vale a pena pensar em tantos cristãos que hoje vivem oprimidos, sem liberdade de exprimirem a sua fé. A exemplo de Jesus Cristo são perseguidos e mortos, vítimas da intolerância política ou religiosa.
Sempre admirei estes irmãos que mesmo assim não abandonam a sua fé, antes a proclamam com verdadeiro heroísmo. É a fé na ressurreição que lhes dá esta coragem de enfrentar a discriminação e até a morte. À maneira dos primeiros cristãos, quase podíamos dizer que para eles o sofrimento e a morte pouco contam, pois sabem que os espera uma Vida melhor.
Conta-se que, na Rússia, nos tempos da revolução comunista, após uma sessão de propaganda do ateísmo, onde muito se tinha falado contra a religião, o dirigente marxista perguntou se alguém tinha alguma coisa a dizer. E, depois de alguns breves momentos de silêncio, levantou-se um homem. Dirigindo-se à tribuna, exclamou corajosamente: «Cristo ressuscitou! Aleluia! Aleluia!»
E num coro imenso, a assembleia respondeu:
«Ressuscitou verdadeiramente, aleluia, aleluia!»
Este grito de fé tinha posto por terra todo o trabalho daqueles que ali tinham vindo implantar os ideais ateus.
Num mundo cheio de problemas de toda a ordem, não podemos desanimar. Cristo está vivo. Ele está no meio de nós. A vitória que vence as dificuldades que encontramos na nossa vida ou à nossa volta é a fé. A fé centrada na vitória de Jesus Cristo sobre a própria morte.
A celebração da Páscoa de Cristo tem de nos ajudar a superar os nossos medos. "Ò morte, onde está a tua vitória?" – exclama S. Paulo. E continua: "Se Deus está por nós, quem poderá estar contra nós? Quem nos poderá separar do amor de Cristo? Nada. Nem o sofrimento, as dificuldades, a perseguição, a fome, a pobreza, os perigos, a morte. Nem as forças deste ou do outro mundo. Nada nem ninguém."

sábado, 20 de março de 2010

Aborto na União Europeia


A cada 26 segundos uma mulher faz um aborto na União Europeia, o que totaliza mais de 3300 por dia, constituindo «a principal causa de morte na Europa», revela um relatório do Instituto de Política Familiar (IPF).
O relatório sobre o «Aborto da Europa 2010» revela que se realizam mais de 1,2 milhões de abortos por ano nos 27 países da União Europeia, informa a Lusa.
«Os dados apontam para milhares de tragédias pessoais, familiares e comunitárias», que são um desafio prioritário para a sociedade em geral e para os governos, afirmou o presidente do IPF, Eduardo Hertfelder.
Para o IPF, é «necessário e urgente» que as autoridades apliquem uma verdadeira política de prevenção baseada no aumento da ajuda do Estado, com apoio económico para a mulher grávida, e na informação de prevenção, nomeadamente as alternativas ao aborto.
«Continuar a esconder a realidade não é a solução. É necessário ter um compromisso firme para a vida e fazer uma política eficaz da prevenção e ajudar as mães grávidas a ter as suas crianças», sustentou o responsável.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Ainda há gente boa!


Não sei se o meu leitor já alguma vez ficou sem gasolina no meio da estrada e longe de casa. A mim já me aconteceu há uns bons anos e fui socorrido por alguém que me não conhecia de lado nenhum. Mas era de dia e pude vir para a estrada para fazer sinal de que precisava de auxílio.
Há dias uma senhora contou-me que ficou sem gasóleo, de noite e a chover torrencialmente. Logo por azar nem telemóvel nem guarda-chuva tinha. Dentro do carro, foi fazendo sinais para alguém parar e a ajudar. Mas nada! Resolveu então sair do carro e meter-se à chuva. E alguém parou e foi arranjar-lhe combustível.
Quando lhe quis pagar, ouviu uma resposta inesperada:
"Não é nada! Desde menino ouvi dizer que ajudar quem precisa é emprestar a Deus.”
A mulher quis pagar-lhe ao menos o gasóleo, Mas o seu benfeitor disse-lhe:
“Se me quiser pagar, ajude quem vir necessitado!”
Num mundo em que tanta gente só pensa no dinheiro e até os irmãos se deixam de falar por causa das partilhas, faz bem saber que ainda há gente capaz de gestos como estes.
E aquela senhora rematou a sua conversa, dizendo-me:
“Abençoado homem, que até a mim me ensinou que quem ajuda o que precisa nunca deixará de ter a paga de Deus!”

sábado, 6 de março de 2010

A verdade vem sempre ao de cima


Têm sido muitos os ateus que acusam as religiões de todos os males. Um deles, Saramago, dizia há pouco tempo: “O mundo seria melhor se não fossem as religiões”.
Mas nem todos os ateus alinham por esse diapasão. É o caso de Bruce Sheiman que escreveu um livro com o sugestivo título: “Um Ateu Defende a Religião: Por que a humanidade está em melhor situação com a religião do que sem ela”.
Nessa obra, Sheiman diz que, apesar de não ser uma pessoa de fé, sabe que "a religião oferece uma combinação de benefícios psicológicos, emocionais, morais, existenciais, físicos e até mesmo à saúde que nenhuma outra instituição pode dar."
E mais à frente diz: "A religião também pode trazer malefícios, mas as acções benéficas realizadas diariamente por biliões de pessoas é a verdadeira história da religião, que acompanha o crescimento e a prosperidade da humanidade".
Um dos benefícios da religião é dar sentido à vida. De acordo com Sheiman, estamos conscientes de que vivemos num mundo de grande poder e potencialidade, mas, em contraste com os animais que só vivem numa relação utilitarista com o mundo, os seres humanos estão conscientes de que este mundo existe fora de nós mesmos.
O autor, em seguida, relata alguns exemplos de sociedades primitivas que procuravam dar sentido a suas vidas por meio da religião. Os mitos e rituais dos povos ajudaram a unir a realidade material e mortal com o ‘eterno e espiritual’. Ao longo do tempo, temos crescido como civilização em grande parte devido à religião, argumenta. Isto leva-nos a concluir que a religião global teve um impacto positivo, conclui.
Seria possível imaginar a alternativa de uma trajectória de progresso sem religião. Mas isso seria inacreditável, de acordo com Sheiman. Os historiadores não podem identificar qualquer outra força cultural tão robusta como a que a religião realizou ao longo dos séculos.
Sheiman também critica a leitura selectiva da história, realizada por parte de alguns ateus, que só realçam o que de negativo fez esta ou aquela pessoa religiosa, mas esquecem o que de formidável tantos outros religiosos fizeram.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O exemplo dos muçulmanos


O sector encarregado dos transportes públicos de Londres publicou um comunicado a pedir desculpa por um dos seus motoristas ter parado o autocarro a meio de uma viagem para poder rezar. No dia 8 de Fevereiro, esse motorista que circulava na parte norte de Londres parou o seu veículo, estendeu um tapete no meio da calçada, tirou os sapatos, virou-se para Meca e começou a rezar em Árabe, segundo os meios de comunicação locais.
A Transport for London (TfL), que coordena os autocarros da capital, lembrou que respeita as crenças religiosas de seus empregados, mas pediu que não rezem durante suas horas de trabalho.
A "TfL pede desculpas aos passageiros por qualquer prejuízo que lhes tenha sido causado", declarou o organismo, afirmando que vai lembrar os condutores que precisam rezar que o façam "durante seus intervalos".
Trago para aqui esta notícia que a muitos parecerá bizarra para lembrar que nós cristãos temos muito a aprender com os muçulmanos no que diz respeito à necessidade de rezarmos.
O Evangelho de S. Lucas 18:1 diz-nos que devemos orar sempre, sem nunca esmorecer. Se Jesus diz isto é porque Ele sabia que a oração é muito importante para cada um de nós..
Então, para chegarmos a esse nível de prática da oração que a Palavra do Senhor determina – orar sempre, sem nunca esmorecer – , temos de cultivar dentro de nós o desejo de orar. E isso só será gerado quando amarmos verdadeiramente a Deus.
Quem ama, faz tudo para estar o máximo de tempo com a pessoa ou coisa amada! Se amamos a Deus, procuramos estar com Ele, mesmo sem dizer nada.
Os muçulmanos têm obrigação de orar cinco vezes ao dia, e isso em horas determinadas. Assim se compreende que aquele homem tenha parado o autocarro para cumprir o seu dever, quando viu que eram horas de o fazer. Todo o muçulmano anda sempre com um tapete para, quando chegar a hora, parar tudo para se ajoelhar em direcção a Meca e rezar. Nós os cristãos não precisamos de parar a horas determinadas para o fazer. Mas temos obrigação de orar a qualquer hora e sem esmorecer ou por preguiça ou por não vermos resultados.
A Quaresma também nos pode ajudar a ser fiéis a esse dever.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Tempo da Quaresma


Com a imposição das cinzas, inicia-se uma quadra particularmente relevante para todo o cristão que se quer preparar dignamente para viver o Mistério Pascal, quer dizer, a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus.
Essa quadra, chamada Quaresma por ser de quarenta dias, é um tempo oportuno para rever a nossa caminhada de cristãos que querem seguir Jesus.
Esse tempo é muito rico de símbolos, pois lembramos os quarenta anos da peregrinação de Israel pelo deserto a caminho da terra prometida. Essa experiência do deserto foi muito importante porque colocou o povo diante da opção entre o Deus revelado a Abraão, e os ídolos. Lembramos ainda os quarenta dias, que Moisés jejuou no monte Sinai (Ex. 34,28), quando houve a manifestação de Deus, e lhe deu as tábuas da lei, contendo os dez mandamentos. Recorda-nos também o tempo que o profeta Elias caminhou em direcção do monte Horeb (1Rs 19,8), onde teve uma grande experiência espiritual.
Geralmente, as nossas comunidades procuram imitar Jesus Salvador que jejuou quarenta dias no deserto, depois do seu baptismo no Jordão (Mt 4,2 ; Lc 4,1). O deserto, na concepção bíblica, é considerado o lugar da provação, da experiência da solidão e de penitência. É o lugar do encontro consigo mesmo e da reflexão, diante das grandes decisões que marcam etapas na história da salvação.
A Quaresma é convite à penitência, à conversão, à oração e à reflexão. Por isso, somos convidados a seguir mais no caminho que Jesus nos ensinou e a recuperar valores perdidos do cristianismo para a construção do Reino de Deus.
A grande mensagem é “Convertei-vos e acreditai no Evangelho".

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Uma santa ousadia juvenil


Talvez alguém leve a mal de falarmos de velórios no Carnaval, mas alguns fazem deles verdadeiro carnaval.
Todos sabemos que o velório dos defuntos serve para muita coisa que não devia servir. Como dizia alguém, por vezes “aí se enterram os vivos e desenterram os mortos.”
Um nosso leitor telefonou-me mesmo para dizer que ficou muito aborrecido porque alguns dos presentes em certo funeral de pessoa cristã lhe disseram que rezar o terço não estava de acordo com as leis da Igreja.
Há dias contaram-me que uma jovem no velório do seu avô, vendo que as pessoas não se calavam, decidiu levantar a voz para censurar o que se estava a passar. E disse com a irreverência própria da idade:
– Desculpem! Mas todos sabem que o meu avô, se agora pudesse falar, diria que não gostava do que se está a passar neste velório. Sei que ele gostaria que guardassem as conversas para outro lado e fizessem o maior silêncio possível ou rezassem. Não levem a mal mas ou rezem comigo ou vão à vossa vida. Desculpem! Desculpem!
Quero aqui deixar um louvor a esta jovem. A sua ousadia só pode ser criticada por quem não tem capacidade para entender que um velório deve ser uma comunhão na dor de quem perdeu um ente querido e uma ocasião de reflectir e rezar. Aquilo que se passa em muitos velórios é desumano e anticristão. Se querem conversar, deixem a sala onde está o defunto e procurem um sítio mais próprio para isso.
Não é preciso estar sempre a rezar e muito menos em voz alta: o silêncio também é importante. Mas deve haver comunhão com o que partiu e com os seus familiares que ali estão horas e horas seguidas. O barulho só serve para os debilitar ainda mais.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Dia Mundial do Doente


No dia 11 de Fevereiro a Igreja celebra o Dia mundial do Doente. E o Vaticano publicou mais uma vez uma mensagem do Papa Bento XVI para esse dia. Este ano, a mensagem dirige-se particularmente às crianças enfermas e sofredoras.
Muitos destes pequenos seres humanos têm «enfermidades que causam invalidez; outros lutam contra males hoje ainda incuráveis, não obstante o progresso da medicina e a assistência de válidos cientistas e profissionais do campo da saúde. Existem crianças feridas no corpo e na alma em conflitos e guerras, e outras ainda, vítimas inocentes do ódio de insensatas pessoas adultas. Existem meninos e meninas "de rua", carentes do calor de uma família e abandonados a si mesmos; e menores profanados por pessoas sem escrúpulos, que violam a sua inocência, provocando sequelas psicológicas que as marcarão pelo resto da vida».
E o Papa continua:
«Não podemos ignorar o incalculável número de menores que morrem por causas como sede, fome, carência de assistência sanitária, assim como os pequenos refugiados, escapados de suas terras com os pais em busca de melhores condições de vida. De todas estas crianças, eleva-se um silencioso grito de dor que interpela nossas consciências de homens e cristãos».
A comunidade cristã não pode ficar indiferente diante de situações tão dramáticas – lembra o Papa.
Não deixemos, pois, de assistir dentro das nossas possibilidades aos nossos irmãos doentes, sobretudo os que estão mais sós ou carecem de maior ajuda. Prestar assistência aos doentes é uma das obras de misericórdia.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Urgente evangelizar


Já o saudoso Papa João Paulo II pedia na sua Carta Apostólica «O Rápido Desenvolvimento», de 24 de Janeiro de 2005:
«Não tenhais medo das novas tecnologias! Elas incluem-se "entre as coisas maravilhosas" – "inter mirifica" – que Deus pôs à nossa disposição para as descobrirmos, usarmos, fazer conhecer a verdade, também a verdade acerca do nosso destino de filhos seus, e herdeiros do seu Reino eterno.»
E o actual Papa vem dizer-nos o mesmo: É preciso usar os novos meios tecnológicos para anunciar Jesus Cristo. A missão já não se faz só nas igrejas ou entre amigos e conhecidos. O espaço de missão passou a ser o mundo.
O Papa não quer que ponhamos na gaveta os meios tradicionais de anunciar o Evangelho. Mas deseja que se actualize o modo de o fazer. E, em boa verda-de, isso já acontece. Talvez aconteça ainda de um modo pouco organizado ou, pelo menos, pouco reflectido. Mas, basta entrar na Net para perce-ber que Cristo já por lá anda.
Mesmo na nossa diocese, já são vários os padres e leigos que dedicam algum do seu tempo a usar estes meios para evangelizar.
“Para Bento XVI, as “vias de comunicação abertas pelas conquistas tecnológicas” tornaram-se um instrumento útil para abordar “ questões no âmbito das grandes mudanças culturais, particularmente sentidas no mundo juvenil”.
“Pondo à nossa disposição meios que permitem uma capacidade de expressão praticamente ilimitada, o mundo digital abre perspectivas e concretizações”, acrescenta.
Em pleno Ano Sacerdotal, o Papa escreve que o sacerdote acaba por encontrar-se como que no limiar de uma "história nova", porque “quanto mais intensas forem as relações criadas pelas modernas tecnologias e mais ampliadas forem as fronteiras pelo mundo digital, tanto mais o sacerdote será chamado a ocupar-se pastoralmente disso, multiplicando o seu empenho em colocar os media ao serviço da Palavra”.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A defesa da cruz




A decisão do Tribunal Europeu de Direitos Humanos que condenou os crucifixos nas salas de aula por ofenderem, segundo aqueles juízes, a liberdade religiosa dos alunos, está a unir os italianos na defesa daquele símbolo cristão.
Recordo que aquela sentença acabou por dar razão a uma mãe italiana moradora em Abano Terme, que reivindicou em 2002 ao instituto público Vittorino da Feltre (onde estudavam seus filhos) a retirada dos crucifixos das salas de aula. Os tribunais italianos negaram essa sua pretensão e ela recorreu para aquele tribunal europeu, que lhe deu razão.
Ao tomar conhecimento daquela decisão, todos os governantes da Itália disseram que não iriam aceitar a retirada da cruz das escolas públicas, pois não reconheciam legalidade a tal decisão. "É uma decisão não vinculativa, sem condições de proibir a presença dos crucifixos nas salas de aula de nosso país", disse Berlusconi, em entrevista pública, após o Conselho de Ministros.
Sílvio Berlusconi referiu-se à presença do símbolo católico em outros sectores cosmopolitas. "Oito países da Europa têm a cruz na sua bandeira. Então, o que é que isto significa? Que essas bandeiras devem ser alteradas porque nesses países há estrangeiros que ganharam cidadania?", questionou.
E por toda a Itália começou uma verdadeira campanha a favor da cruz nas escolas e nos edifícios públicos, que não se ficou por palavras. Presidentes de Câmara chegaram a encomendar crucifixos para colocarem nos espaços públicos.
Por exemplo, em San Remo, no noroeste de Itália, o Presidente da Câmara Maurizio Zoccarato encomendou uma cruz de dois metros de altura para a Câmara Municipal e mandou os directores de todos os estabelecimentos de ensino colocar um crucifixo nas salas de aula. A fachada do Teatro Bellini de Catania, na Sicília, passou a ostentar uma grande cruz totalmente nova. Há cada vez mais comunidades italianas a encomendar crucifixos para as suas escolas. Por exemplo, em Sassuolo, na Província de Modena no Norte de Itália, a cidade encomendou 50 cruzes novas para serem penduradas nas salas de aula que ainda não têm. E coisas parecidas ocorreram e ocorrem por toda a Itália.
Aquilo que nenhuma campanha publicitária mais bem orquestrada conseguiria, está a verificar-se por oposição a uma sentença que fere o sentir mais profundo de um povo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Morreu com os pobres


Há pessoas que ao morrer deixam uma auréola enorme de santidade. É o caso de Zilda Arns que dedicou a sua vida a ajudar os mais pobres. Chegou a pensar em dar aulas, mas migrou para a Medicina e, desde sempre, para o trabalho voluntário.
“Em 1983”, lembra Zilda, “James Grant, na época director-executivo do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), propôs ao meu irmão, Dom Paulo Evaristo Arns (hoje cardeal-arcebispo emérito de São Paulo), que a Igreja Católica contribuísse para a diminuição da mortalidade infantil pela difusão do soro caseiro. Dom Paulo telefonou-me e propôs que eu escrevesse um projecto para apresentar à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.” Estava nascendo a Pastoral da Criança.
O trabalho como médica pediatra e de Saúde Pública (formou-se em 1959) deu-lhe experiência. “Desde muito jovem eu sonhava em trabalhar como missionária para poder ajudar crianças e famílias pobres a ter mais oportunidades e melhor qualidade de vida. Quando decidi ser médica, pensava em ir para lugares como as comunidades ribeirinhas da Amazónia e as favelas do Rio de Janeiro, para cuidar de crianças”.
Este sonho realizou-o largamente dedicando-se inteiramente à Pastoral da Criança. No ano passado, esta Pastoral acompanhou de perto 100 mil gestantes e 1,9 milhão de crianças pobres menores de seis anos. Foram, no total, 1,465 milhão de famílias acompanhadas em 42.672 comunidades, espalhadas por 4.120 municípios de todo o país. Quem faz esse trabalho é um exército de 272.373 voluntários, sendo 149.691 líderes comunitários, na grande maioria (mais de 90%) mulheres.
Em 2004, a doutora Zilda passou a coordenar também a Pastoral da Pessoa Idosa, criada naquele ano. São 6.500 voluntários em 276 municípios, que acompanham mensalmente mais de 36 mil idosos. No ano passado, ela foi indicada para o Prémio Nobel da Paz. E bem o merecia!
No passado dia 12 estava em serviço no Haiti e morreu, vítima do sismo, acompanhada de muitas outras pessoas pobres a quem queria também ajudar.
Que belo exemplo de dedicação esta Mulher nos dá a todos!